Crítica: HOMEM DE FERRO 3

iron man 3 poster

O herói da Marvel volta para mostrar que também pode ser uma “Máquina Mortífera”!

Maurício Muniz

Você estará automaticamente perdoado se, após assistir Homem de Ferro 3, achar que é o melhor dos três filmes da série. Porque, sinceramente, É! O primeiro filme era bacana e inteligente, mas tinha um climax bem sem graça na luta entre Tony Stark de armadura contra Obadiah Stone numa armadura ainda maior. O segundo filme é primoroso na primeira metade, mas perde fôlego, o interesse e a lógica do meio pra frente. Já este terceiro exemplar é só diversão. E da melhor qualidade!

O filme começa no passado, com Stark (Robert Downey Jr., cada vez mais à vontade no papel) relembrando quando conheceu duas das figuras mais importantes para a trama do novo filme: a bióloga Maya Hansen (a linda inglesa Rebecca Hall) e o cientista Aldrich Killian (Guy Pearce). Uma época que, para Stark, parecia mais simples e sem preocupações.

Porque, já no presente, preocupações são o que não faltam a Stark. Ele ainda está se ajustando ao novo status de seu relacionamento com Pepper (Gwyneth Paltrow), que agora se mudou para sua mansão; tem que aguentar as investidas do acima-citado Killian contra sua empresa e sua namorada; e ainda é vítima de crises de ansiedade sempre que lembra que atravessou uma passagem dimensional e foi parar no espaço em Os Vingadores. Sim, porque esta aventura do herói é passada em um mundo onde, agora, todos sabem que existem alienígenas, deuses nórdicos e monstros verdes por aí. Isso tudo talvez não influa muito no dia-a-dia da humanidade, mas pra Stark foi uma mudança e tanto. Porém, todas essas outras preocupações são deixadas de lado quando um perigo mais imediato aparece: o Mandarim (Ben Kingsley… e, se você já assistiu Gandhi, quem poderia imaginar que aquele cara um dia iria virar um vilão da Marvel, hein?), um perigoso terrorista que gosta de fazer discursos ameaçadores em rede nacional e explodir prédios nos Estados Unidos. Quando um amigo de Stark é ferido numa dessas explosões, Tony lança um desafio ao vivo ao Mandarim que, como bom vilão que é, aceita a provocação, destrói a mansão de Stark em um ataque maciço e quase o mata. Isso faz o herói viajar às escondidas e com poucos recursos pelos Estados Unidos, em busca de pistas que o levem a descobrir mais sobre esse inimigo aparentemente implacável.

Homem de Ferro 3 é o filme mais atípico da Marvel até o momento. É mais uma aventura de Tony Stark que do Vingador Dourado. Downey Jr. deve passar apenas cerca de vinte minutos (das duas horas e dez minutos do filme) em sua armadura, se tanto. Mas, quer saber? Não ver a cara metálica do herói o tempo todo não faz muita falta.

Já foi dito que esta segunda fase dos filmes da Marvel se concentraria mais nos personagens por trás das máscaras e, aqui, este conceito serve para mostrar Stark correndo, pulando, dando socos e vencendo perigosos inimigos usando sua inteligência e astúcia. Até um “assistente-mirim” arrumam para o herói e, coisa raríssima no cinema hollywoodiano, não é um pirralho chato. Harley (Ty Simpkins, que você já viu no terror Sobrenatural) é um garoto esperto e simpático, que ajuda Stark fisica e mentalmente, não dando bola pras frescuras e ataques de falta de confiança do herói em si próprio. Quase um mini-Stark, ele se torna um dos melhores elementos do filme.

A trama, que mais parece um thriller de conspiração política, tem uma óbvia influência de Shane Black, diretor e co-roteirista do filme. Black, criador de Máquina Mortífera, traz muito do clima daquela série de filmes policiais à nova aventura do Homem de Ferro, principalmente quando Stark se une a seu amigo, o Coronel James Rhodes (Don Cheadle) numa troca incessantes de semi-insultos e diálogos divertidos. E a coisa toda fica ainda mais com cara de Máquina Mortífera ao final, quando a dupla enfrenta os vilões em um porto repleto de containers e navios. Pense no final de Máquina Mortífera 2, acrescente seres superpoderosos e multiplique por 10 a emoção para imaginar como é o clímax desta aventura, tão empolgante e grandioso que será difícil outro filme deste ano superá-lo.

Tudo funciona tão bem e é tão satisfatório, que você vai torcer pra que os comentários recentes  de Downey Jr. sobre largar o papel sejam apenas uma estratégia pra que aumentem seu pagamento e que Black volte para dirigir outro filme da série. Após sua ótima estreia no comando de Beijos e Tiros (também estrelado por Downey Jr. há alguns anos), o diretor surge aqui com um excelente domínio de ritmo e técnica. E se ele fosse um diretor de atores um pouco melhor, apostaríamos que Ben Kingsley levaria ao menos uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante do ano por sua mais que inspirada atuação como o Mandarim. Acredite: nos trailers, pode parecer que Kingsley não está usando muito da sua famosa capacidade de interpretação, mas o desenvolvimento de seu personagem é uma das melhores surpresas do filme.

De resto, temos a participação rápida e já regulamentar de Stan Lee; a estreia da organização criminosa IMA (saída diretamente dos quadrinhos); uma excelente sequência de resgate aéreo que deve ter dado um trabalhão à equipe de dublês; e uma engraçada sequência pós-créditos que vai fazer você pensar “Caramba, como esse cara envelheceu!” Há alguns deslizes e inconsistências no roteiro, mas nada que comprometa esta que é uma das melhores aventuras do cinema recente e um dos melhores filmes da Marvel até agora. Um verdadeiro gibizão.

Cotação Antigravidade:

4.0

Trailer NAÇÃO FORA DA LEI: SANGUE ENTRE IRMÃOS:

14 comentários sobre “Crítica: HOMEM DE FERRO 3

  1. “esta aventura, tão empolgante e grandiosa que será difícil outro filme deste ano superá-la.” Eu já sabia.😀 (Deleta o anterior. Estava logado errado. heheheheh)

  2. Sabe que eu só escrevo isso pra, quando sair HOMEM DE AÇO, poder dizer “Parecia impossível que um filme este ano fosse melhor que HdF3, mas o novo Superman colocou o herói da Marvel no chinelo.”, né? Hehehe!

  3. Muito legal…. o Ferroso nunca foi meu herói favorito, até a saga do Demonio da Garrafa.. Mas de qualquer forma tanto o personagem quanto, principalmente, o ator Robert Downey Jr, se tornaram o Centro do Universo Marvel. e com sua crítica, isso continua… ansioso para ver.. e tbm já ansioso por Vingadores 2 e Guardiões da Galáxia..

  4. Sério que eu fui o “Mauricio Muniz” da vez e sou o unico que sai decepcionado da sala do cinema pelos contextos e pontos sem amarração ?? rsrsrsrs

  5. Paulo, vc não foi o único não.

    O povo mais casual vai gostar do filme porque é divertido, leve,uma verdadeira matine que provavelmente será a bilheteria do ano…

    Os fãs (os mais radicais como eu pelo menos) depois de verem o que fizeram com o Mandarim, a não existência do universo Marvel no roteiro, os draminhas que foram resolvidos em dois segundos sem consequências e cliches do tipo “vc me criou e eu criei vc….” , vão ficar decepcionados mesmo.

    Marvel Fase 2 – a comédia no universo Marvel….

    Odin nos ajude…

  6. Seus nerds velhos e empedernidos! =)

    Vou reproduzir aqui o que coloquei numa discussão do Facebook:

    HOMEM DE FERRO 3!

    Galera muito polarizada com o filme, hein? Eu me diverti pacas, acho que provavelmente é o melhor filme da leva da Marvel após VINGADORES.

    (Atenção, comentários com alguns ligeiros spoilers abaixo!)

    O maior problema, pra muitos, parece ser o tratamento do Mandarim. Sério, vocês queriam o clichê dos anos 60, mesmo? E, sinceramente, TEM o Mandarim no filme… Se existe uma estratégia do vilão pra desvirtuar a atenção, é outra história. Mas tem, sim, um Mandarim e ele sai no braço com o Homem de Ferro no final, de maneira muito mais ameaçadora do que seria a opção. Vocês queriam o quê? Um velhinho dando porrada numa armadura?

    Outra coisa: é um filme baseado em gibi da Marvel. Tem ação, correria, bom-humor, um desenvolvimento razoável de personagens e um quebra-pau final de tirar o fôlego. Igual, sabe, nos gibis da Marvel? Faltou o quê?

    É hora de parar de ir ao cinema querendo ver o filme que você imaginou na sua cabeça. Senão, o resultado sempre será decepção, mesmo.

  7. E mais:

    Pra mim, a reviravolta foi MUITO mais legal do que seria o clichê. Nada me deixa mais feliz do que ser surpreendido de verdade por uma história.

    Fora o pessoal reclamando que a cena pós-créditos é inútil, não abre o caminho pra VINGADORES 2!

    Pô, primeiro que a galera foca nessa “zona de conforto” e acha que todo filme tem que ter uma cena cliffhanger. Não, não tem. Tem mais é que mudar o esquema, pra não cair na mesmice. Mas, novamente, o cara vai esperando encontrar o que ACHA que deveria ter no filme e, quando não encontra, se decepciona.

    E, depois, a cena serve, SIM, como gancho pros VINGADORES 2, se você tiver a sensibilidade de entender que o que estão fazendo agora, como a cena do schwarma, é mostrar que esses caras agora viraram amigos, uma quase família. E isso vai ser desenvolvido em VINGADORES 2.

    Sinceramente? Cada vez que falo do filme, gosto mais.=)

  8. Quando disse Mauricio Muniz da vez foi em ser o mais ….não sei ..razinza na crítica..me desculpe rsrs
    Mas então…acho que o filme leva até de mais pro ponto humorístico…
    a minha maior crítica também ao filme é que (MINI SPOILER’s) com o Mandarin eu tive o mesmo sentimento que com o Bane..alguém que foi jogado pra escanteio..
    Claro que não esperava um velho mágico já que é surreal..mas já que fizeram o esforço de criar um Mandarin mais contextualizado aos dias atuais.poderiam ter levado isso a sério e feito um grande terrorista psicológico contra o Tony Stark..já que é um grande símbolo americano, e por afetar pessoalmente o Tony, seria uma boa desculpa pro Homem de Ferro querer resolver sozinho e sem contar com a ajuda do restante dos Vingadores
    Mas o grande problema é …e o final? como serão as continuações?

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