Crítica: X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

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A nova aventura dos mutantes da Marvel tem alguns problemas, mas ganha muitos pontos pela diversão

Maurício Muniz

Após a aventura esperta, séria e emocionante que foi X-Men: Primeira Classe, ninguém esperava que a nova investida dos mutantes nas telas pudesse ser tão boa quanto o filme anterior. E X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past) não consegue mesmo ser tão bem sucedido. Mas tem muito a seu favor.

Baseado no que talvez seja a melhor história da fase mais criativa dos heróis nos quadrinhos (da época em que as histórias eram produzidas pela dupla John Byrne e Chris Claremont), o roteiro do filme mantém a mesma premissa, mas troca as funções de alguns personagens. A história começa em 2023, quando os mutantes são caçados, aprisionados e mortos pelos Sentinelas, poderosos e gigantescos robôs capazes de se adaptar e resistir aos poderes de seus atacantes. Tudo isso decorrência do assassinato, em 1973, do idealizador dos Sentinelas, o cientista Bolivar Trask (Peter Dinklage, de Game of Thrones) pelas mãos da mutante Mística (Jennifer Lawrence, que retorna ao papel). A morte de Trask, em vez de deter a produção dos Sentinelas, deixou o mundo com medo dos mutantes e acelerou o processo, o que causou o apocalipse da raça.

O futuro mostrado no filme lembra um tanto o de O Exterminador do Futuro e, talvez não por coincidência, a HQ original era inspirada pelos trabalhos do escritor Harlan Ellison, que inspiraram aquele filme de James Cameron. Aqui, para impedir que Mística mate Trask, um grupo de mutantes fugitivos formado pelo Professor Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Kitty Pryde (Ellen Page) e outros mutantes – alguns vistos pela pela primeira vez nas telas, para alegria dos fãs de quadrinhos – resolve mandar Wolverine (Hugh Jackman) de volta a 1973 para deter Mística. O plano dá certo, de uma maneira não muito lógica nem particularmente bem explicada, e o  mutante mais durão do mundo volta no tempo, onde habita o corpo de sua versão daquela época. Para ajudá-lo em sua missão, ele procura a ajuda do jovem Charles Xavier (James McAvoy), angustiado porque trocou seus poderes mentais pela capacidade de andar; de Hank McCoy, o Fera (Nicholas Hoult); e de Magneto (Michael Fassbender), mantido sob custódia em uma prisão de segurança máxima devido a seu envolvimento no assassinato do presidentes John Kennedy, dez anos antes.

O filme tem alguns problemas. Há mutantes demais pra lá e pra cá, principalmente nas sequências passadas no futuro; algumas cenas de ação têm tantos personagens e tanta ação que podem ser confusas e o ritmo cai ali pela segunda metade, o que deixa tudo quase maçante em um momento ou outro. Mas há tantos elementos divertidos, que é fácil esquecer os pequenos erros e exageros cometidos por Bryan Singer (que volta à cadeira de diretor de um filme da franquia após mais de dez anos). Há bastante humor na interação entre Wolverine e seus aliados do passado, devido à diferença cronológica; há boas cenas de ação e uma preocupação em desenvolver e aprofundar os personagens e os relacionamentos entre eles. Nada muito genial, mas no tom certo para uma aventurona escapista.

Um dos achados do filme é o personagem de Mercúrio, o mutante velocista (interpretado por Evan Peters, que teve um pequeno papel em Kick-Ass: Quebrando Tudo). Mostrado como um jovem delinquente sarcástico, ele é peça-chave na melhor sequência do filme, o resgate de Magneto da prisão. Outro acerto é continuar tramas deixadas em aberto em X-Men: Primeira Classe, como a deserção de Mística, que abandonou Xavier para unir-se a Magneto. O clímax do filme é satisfatório o bastante, mesmo se a resolução em si não é muito crível: o fato de um certo mutante evitar um crime não seria motivo o bastante para considerar inofensiva toda uma raça, ainda mais com os acontecimentos presenciados nos dias anteriores por todo o planeta e o clima de terror que se instaurou (você vai entender quando assistir).

Mas o maior legado do roteiro de Simon Kinberg (de uma história dele, Jane Goldman e Matthew Vaughn) é o reboot que dá na série dos mutantes. Ao mesmo tempo em que explica as discrepâncias entre a primeira trilogia e as produções novas, o filme ainda abre as portas para um recomeço. Isso deve ser mais explorado no próximo filme da série, X-Men: Apocalipse, planejado para 2016, conforme mostra a cena pós-créditos aqui. Quer dizer: isso se conseguirem fazer a ligação de forma correta entre a tal cena e o próximo filme. A Fox ainda precisa usar melhor seus finais pós-crédito, se quer imitar o que a Marvel Films faz. A cena mostrada em Wolverine Imortal, que serviria de gancho para Dias de Um Futuro Esquecido, não tem lógica nenhuma dentro do novo filme e até contradiz o que é mostrado. Dá a impressão que tentaram fazer uma ponte, mas sem um roteiro ainda definido para a nova aventura. O público agradeceria mais atenção com esses detalhes.

Mas, no final das contas, o novo filme mutante é uma aventura ambiciosa e grandiosa, que visa divertir o público e até fazê-lo pensar um pouco sobre preconceito, exatamente como fizeram durantes anos os bons gibis dos X-Men. Não dá pra pedir muito mais que isso de um filme pipoca.

Cotação Antigravidade:
4.0

 

5 comentários sobre “Crítica: X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

  1. assistir ontem,realmente é um filme muito divertido concordo que a solução pode nao ter muita coerência mas o filme se sustenta muito bem em outros aspectos,gostei muito das sequencias de ação consegui acompanhar oq tava acontecendo e outro mérito pra min(que já tinha sido feito no primeira classe) é ter mortes que te deixam impactado mesmo que nao tenha sangue,o arco do Xavier me pegou emocionalmente e as piadas do filme funcionam bem por serem discretas.Super recomendável assistir menos em 3D.

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