Crítica: A MORTE DO DEMÔNIO (2013)

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Sentimos dar más notícias, mas este não é um filme de terror…

Maurício Muniz

Hollywood entrou mesmo no “remake mode”. Não apenas pela falta de ideias da qual todo mundo fala, mas porque a refilmagem de uma produção conhecida – ou até de uma série de TV – já é meio caminho andado em sua divulgação, uma vez que boa parte do público já conhece ou reconhece títulos como A Hora do Espanto, A Hora do Pesadelo, O Vingador do Futuro e outros. Agora é a vez de A Morte do Demônio (Evil Dead), nova versão do filme de Sam Raimi lançado em 1981, que tem o estreante Fede Alvarez na direção.

Admito, não sou grande fã do filme original, mas ele tinha o mérito de ser um verdadeiro filme de terror, o que este novo praticamente não é. Já explico por quê.

O primeiro erro já vem do título nacional. E de novo, aliás, a exemplo do que já ocorrera com o original (mas entendo que tiveram que insistir no erro para manter o “fator de reconhecimento” do qual falei acima). Não temos aqui a “morte de um demônio”, mas a história de uma entidade maligna que está morta e esquecida, até ser trazida de volta à vida por um grupo de jovens incautos, que vão passar alguns dias numa cabana perdida no meio do mato. Os amigos Eric, Olivia e David e a namorada deste, Natalie, se unem para ajudar a jovem Mia, irmã de David, a tentar se livrar de um pesado vício em drogas, longe da civilização. Tudo vai bem (ou não, já que Mia logo começa a ficar irritada e meio descontrolada graças à abstinência), até que a turma descobre um porão esquecido embaixo da cabana com dezenas de animais mortos e um estranho livro, com símbolos estranhos. Quando Eric começa a ler os poucos trechos inteligíveis do livro, ele desperta um mal ancestral que mora na floresta e logo toma conta de Mia. Possuída por esse “demônio”, ela irá infectar os amigos, um a um, e fazer com que ataquem uns aos outros ou a si próprios com crueldade, ferimentos gravíssimos, automutilação, desmembramentos e outras afrontas físicas.

Notou que não citei o nome de nenhum dos atores? É porque eles não merecem ser citados, sinceramente. Chamá-los de “atores” é quase um exagero, na verdade. O nível de interpretação aqui é tão primário, que parece que Alvarez apenas reuniu um grupo de amigos bonitinhos e ligou as câmeras. A atriz que faz Mia (tá bom: Jane Levy) é a que parece se sair melhor, mas ela usa tantos exageros e maneirismos, que dá vontade de procurar Bruce Campbell (astro dos filmes originais) e entregar-lhe alguns Oscars retroativos por seu trabalho. E esse é um dos maiores entraves do filme. O elenco é tão “morto” (perdoem o trocadilho) e sem carisma, que o público não liga para o que acontece com eles, não dá a mínima ao sofrimento pelo qual passam. Fora que são os “heróis” mais incompetentes e estúpidos de qualquer filme de terror da memória recente.

Ah, sim: outro problema é que o novo A Morte do Demônio não é bem um “filme de terror.”  Não há sustos durante seus noventa minutos, apenas momentos chocantes com línguas cortadas, rostos violentamente desfigurados, braços decepados, pregos entrando no lugar errado, mordidas dolorosas. Tudo feito de maneira profissional e incômoda, mas que perde muito do efeito quando é infligido a um elenco tão sem graça e antipático que quase daria na mesma se aquilo acontecesse com uma porta ou um tronco de árvore. Falando em árvores, até a cena do estupro realizado por uma raiz (um dos momentos mais incômodos e apavorantes do filme original) aqui é tão fria e sem emoção que parece saída de um desses desenhos animados japoneses sobre garotas violentadas por tentáculos.

O roteiro também consegue ser chato e deixar a trama um tanto arrastada, e as poucas novidades em relação ao filme original se mostram erradas e capazes de causar vergonha, como a cura meio mágica e sem nexo usada para salvar um dos personagens possuídos ao final do filme. Fora outros elementos mal-pensados… Se a cabana é da família de David e Mia (ou ao menos se já a usaram tantas vezes antes), como não sabiam da existência de um porão? E por que Eric recita em voz alta o que lê no livro maligno, pra começo de conversa, se está sozinho quando o lê? E como percebe tão rápido, pouco depois, que é tudo culpa do livro? Tem-se a impressão ainda que a vontade do roteiro de Alvarez e Rodo Sayages (que também estreia na função de escrever um filme) é fazer da história de possessão uma metáfora para a luta de Mia para se livrar das drogas. Pode ser que fosse essa a intenção, mas é tudo tão mal feito e a direção é tão pouco sutil, que esse detalhe vai por água abaixo.

No final, sobra uma boa fotografia, alguns efeitos físicos (muito pouco CGI é usado, pelo menos) e um monte de cenas da chamada “torture porn”. E isso é muito pouco. Tão pouco que é de se imaginar onde foi que gastaram os 17 milhões de dólares do orçamento! Boa pergunta para fazer a Raimi e Campbell, listados aqui como produtores – segundo alguns, colocados na função apenas nominalmente, pelo estúdio, para aplacar a ira dos fãs da série original, que foram contrários a uma refilmagem desde o princípio.

Sinceramente, vale mais procurar no YouTube pela versão musical para o teatro – amadora, mas muito divertida – com números como o ótimo “What the Fuck was That?”, que você confere logo abaixo da nossa nota para o filme.

Cotação Antigravidade:

1-5

Assista abaixo ao número músical “What the Fuck was That?”, da versão teatral de Evil Dead:

Confira abaixo o trailer do álbum em quadrinhos ZUMBIS: MUNDO DOS MORTOS:

3 comentários sobre “Crítica: A MORTE DO DEMÔNIO (2013)

  1. Vi o filme atual é muito bom, o original é exelente principalmente para aquela época.
    respeito a critica do Maurico mas filme de terror não é so susto.
    e ficou bem claro q a proposta do filme é chocar e dar medo, devido as cenas bem feitas e com um pouco de realismo, sem efeitos de computador q acabou estragando a nova geração de filmes de terror….. em relação as atuações achei boas sim.

  2. o filme e um lixoooo diretor filha da puta tem o roteiro tem td pronto e so fazer o filmes fiel ao original ae ele caga como td mto horrivel pior refilmagem de td os tempos tem um começo tosco as reverencias como original q o ponto chave fika td escroto n da pra entender nd Sam Raimi volta porfavor

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