Crítica: O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA

o-THE-HOBBIT-POSTER-570 Peter Jackson volta ao mundo de Tolkien

Maurício Muniz

Até quem não conhece a obra de J. R. R. Tolkien se espantou quando foi anunciado que o cineasta Peter Jackson iria transformar um livro de 300 páginas em três longa-metragens de três horas de duração cada um. Mas o diretor conseguiu essa proeza ao inserir na trama de O Hobbit alguns trechos de O Silmarillion (obra que expande o universo e as histórias da Terra-Média) e, também, ao esticar mais do que deveria algumas cenas. Não que os fãs irão reclamar…

Se você não sabe, O Hobbit é um prelúdio de O Senhor dos Anéis e conta a primeira grande aventura de Bilbo Baggins (ou Bilbo Bolseiro, na tradução bastante discutível herdada da versão portuguesa do livro), na qual se juntou a um grupo de anãos e ao mago Gandalf (Ian McKellen) para enfrentar o maligno dragão Smaug e outros perigos e ainda se tornou dono do Um Anel, após ganhá-lo numa disputa com o deformado Gollum (Andy Serkis).

Ou, ao menos, é essa a história simples que o filme deveria contar. Pois, além de usar aqui cenas saídas de outras obras de Tolkien, o diretor e co-roteirista ainda tenta fazer uma espécie de “Grandes Sucessos de O Senhor dos Anéis“, enfiando aqui personagens amados pelos fãs da trilogia original. Frodo (Elijah Wood), o sobrinho de Bilbo que é  o herói da outra trilogia, aparece aqui numa cena desnecessária. Os elfos Elrond (Hugo Weaving) e Galadriel (Cate Blanchet) fazem aparições, assim como o mago Saruman (Christopher Lee), todos em uma cena que, sinceramente, não acrescenta muito. Vários detalhes e citações são usadas para fazer referência aos filmes anteriores. Jackson parece querer ter certeza que, se você gostou de O Senhor dos Aneis, também irá gostar deste filme que tenta ressuscitar muitas das experiências que foram vividas antes.

Mas não entenda mal, há muito para gostar em O Hobbit. O prólogo, que mostra como uma raça de anões perdeu sua cidade e seu tesouro para Smaug, é uma sequência impressionante e assustadora. O problema é que, depois disso, o filme entra em marcha lenta com sequências um tanto arrastadas, até com direito a  momentos em que os personagens param para entoar canções – algo presente em diversas passagens dos livros de Tolkien e que, misericordiosamente, tinha ficado ausente nos filmes anteriores. Toda a primeira hora parece seguir um ritmo mais moroso, mesmo se há bons e divertidos momentos, como o encontro dos heróis com três trolls famintos e idiotas.

As coisas melhoraram consideravelmente na segunda metade, com mais ação e correria. As cenas que parecem “encheção de linguiça” ainda aparecem aqui e ali, mas o ritmo acelerado disfarça os problemas. O confronto perigoso dos heróis com um grupo de orcs e seus cães de guerra é bastante tenso, enquanto toda a passagem de Bilbo e companhia pelo reino subterrâneo dos goblins é divertida e maluca o bastante para, só ela, valer uma outra assistida no filme. Porém, algumas repetições incomodam: Bilbo e os anões precisam mesmo sempre ser salvos de todos os perigos por Gandalf? E seriam necessárias tantas piadinhas, já que muitas vezes não funcionam? Preste atenção, por exemplo, à ultima fala do Rei Goblin, que poderia ser uma boa piada, mas foi colocada num momento inapropriado e se perde totalmente.

A trilha sonora (que recupera boa parte das composições de O Senhor dos Anéis) continua ótima, os efeitos especiais são perfeitos e, mais importante talvez, a interpretação de Martin Freeman (o Dr. Watson, da série Sherlock) como Bilbo é espetacular. Freeman é a figura simpática, divertida e nobre que o venerável Ian Holm não consegue realmente transmitir nas vezes em que aparece como o personagem em idade avançada. Pra não dizer que Bilbo é um herói muito mais interessante e natural que Frodo e suas chatices-emo nos filmes anteriores. O final, como já se sabe, não é bem um final, mas um gancho para o próximo filme – que estreia daqui a um ano e provavelmente também não terá um final definitivo. Mesmo assim, é um bom desfecho, que vai tirar lágrimas de alguns fãs.

Talvez Peter Jackson pudesse ter se dedicado a fazer um filme único e magnífico baseado em O Hobbit, em vez de nos dar três filmes  que esticarão a trama desnecessariamente e forçarão nossa paciência para aguentar dois anos até o fim da história. Mas isto é Hollywood e é claro que a New Line e a Metro queriam outra trilogia de sucesso, então vamos ter que nos contentar com o que conseguimos. Se você é admirador de Tolkien e ama O Senhor dos Anéis, vai adorar O Hobbit. Mas, mesmo se você é apenas um admirador de cinema sem grandes paixões por anões, elfos e magos, o filme ainda é um espetáculo muito bom, que vale o ingresso e dá pra ver e até rever.

Mas que enrola bastante, enrola.

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:
4.0

Sexo! Mistério! Amor! Ódio! Confira o trailer de AMOR ASSASSINO:

6 comentários sobre “Crítica: O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA

  1. Como um fã de longa data de “O Senhor dos Anéis” (e digo isso dos livros), não poderia deixar de ir ao cinema mais uma vez arrastado pelo grande mestre Peter Jackson!
    Até aí, normal.
    Para mim, assim como para uma legião de fãs, a História do Cinema se divide em antes e depois de “O Senhor dos Anéis”, que aliás não considero uma trilogia. Uma trilogia seriam três filmes que compõem um quadro completo e cada um funciona independentemente do anterior.
    “O Senhor dos Anéis” não é isso. Ele é UM ÚNICO filme dividido em três partes (até porque todas suas etapas forma filmadas ao mesmo tempo…), por razões mercadológicas e principalmente BIOLÓGICAS!!!
    Sim, porque é humanamente impossível assistir 9 horas seguidas de um filme sem ir ao banheiro, sem um suprimento infinito de pipoca e refrigerante e sem ter uma gangrena nas pernas devido a imobilidade!!!
    Então, vamos lá novamente, de volta à Terra Média!
    Guiados por Gandalf e na companhia dos hobbits e dos anões!!!
    Só espero que o final desta nova trilogia não seja tão traumático para mim como foi assistir o desenlace de “O Senhor dos Anéis”: chorei feito um neném e passei dias sem conseguir assistir nada na TV ou no cinema.
    Nunca esquecerei quando vi a Colina dos Hobbits pela primeira vez estampada no écran cinematográfico!!! Aquilo me deu um nó na garganta, meu coração parecia que ia saltar pela boca!
    Li o “Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” ainda na infância/adolescência em edições no português de Portugal, pois não haviam sido editadas tais obras no Brasil.
    Guardo com carinho até hoje meus amarelados livros da Europa-América, eles tem seu devido destaque em minha estante.
    Espero viver o bastante para assistir o desfecho desta nova obra-de-arte de Peter Jackson.
    Que venham os elfos, os anões e os hobbits!
    Adentremos as florestas, escalemos as montanhas e atravessemos os lagos!
    A hora chegou!
    É hoje!
    Às 23:55, na sala 08 do Cinemark Ipiranga, aqui em Porto Alegre, na pré-estréia (achavam mesmo que eu iria esperar até a estréia?) eu voltarei para casa:
    a Terra Média.
    Se eu me perder de vez por lá e não voltar, deixo aqui um recado aos meus amigos:
    não sintam saudades, venham atrás de mim!!!

  2. Eu sou fã e JÁ TÔ reclamando.

    ODEIO a ideia de ver o Hobbit como uma trilogia, é a ideia mais absurda que já se teve. PARA QUÊ? Só pra arrnacar dinheiro dos trouxas. E não estou falando dos não-nascidos bruxos.

    Adoro o livro e ele cabia perfeitamente em duas horas e meia se tanto. Não existe razão no mundo pra se fazer três filmes.

    “Ele colocou treechos do Silmarillion”…

    Então vai filmar o fucking Silmarillion que dá pra fazer sete filmes, tipo Harry Potter, e faz o Hobbit como deve ser, cacilda.

  3. Uma direção mais segura e madura que a de ‘A Sociedade do Anel’, ‘O Hobbit’ fecha muito bem um ano que teve várias atrações de peso. Para mim é um filme ótimo para se desconectar das agruras da vida cotidiana… (ainda mais se você está chateado e/ou desacreditado de certos rumos da vida…) E viver um sonho de coragem, lealdade, honra, amizade e até amor (fraterno, neste caso). Uma maravilhosa aventura de espada e magia… algo tão necessário para certos corações jovens e solitários…

  4. Como fã, eu já imaginava que haveriam outros fãs amando e outros odiando O Hobbit por ser uma trilogia. Não vou negar que fiquei um pouco apreensiva com o fato, mas confio no PJ quando o assunto é Tolkien. Adorei o filme, mas não mais do que adorei A Sociedade do Anel em sua estréia, talvez pq a história de o Hobbit (falo do livro) seja a q menos gosto do Tolkien. Mas se levarmos em consideração a adaptação, eu achei fantástico. Acho q a inserção de outras obras ficou muito bem encaixada e tive ótimas surpresas. Já me conformei que não viverei pra ver uma adaptação do Silmarilion, e acho isso uma coisa boa.

  5. Eu gostei muito do Hobbit quando li e achei q adaptação muito boa, mais detalhada que em o Senhor dos Anéis, até porque o livro “O Hobbit” é o menor dos 4 e resolveram fazer 3 filmes com ele! Ou seja tá tão detalhado que tiveram que inventar cenas extras. Anyways o filme é muito bom. O ritmo é mais lento que na trilogia anterior, mas a história é mais simples, os heróis e os vilões mais fracos e menos importantes, então acho isso natural. E o principal: Bilbo é um protagonista anos luz mais interessante que Frodo. Recomendo!

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