Crítica: A SOMBRA DO INIMIGO


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Um filme policial que consegue ficar pior a cada momento

Maurício Muniz

Já existem dois filmes do personagem Alex Cross, um psicólogo da polícia sempre às voltas com assassinos em série: Beijos que Matam, de 1997, e A Teia da Aranha, de 2001. Ambos eram estrelados por Morgan Freeman e privilegiavam mais as aptidões dedutivas do personagem do que as cenas de ação. Agora, com A Sombra do Inimigo (Alex Cross, 2012), o psicólogo é retomado como um homem de ação, bom de tiro, bom de briga e capaz de invadir até sistemas de segurança digitais. Cross agora parece um herói que pode fazer quase tudo… menos transformar este filme em algo interessante.

A história mostra Cross (agora interpretado por Tyler Perry, um cineasta autoral que não deveria estar nessa bomba) e seus dois parceiros, feitos pelo bonitão Edward Burns e a sempre linda Rachel Nichols, às voltas com um assassino misterioso que parece gostar de torturar suas vítimas antes de matá-las. Para completar, o sujeito ainda deixa desenhos de sua autoria no local do crime, com pistas sobre onde atacará a seguir. Os detetives descobrem que os crimes envolvem os sócios de um magnata francês, interpretado pelo pobre Jean Reno, outro bom ator perdido nesta confusão. Cross e sua equipe conseguem atrapalhar os planos do assassino, que resolve vingar-se dos policiais de maneira pessoal, colocando em perigo seus entes queridos. Quando um membro da família de Cross é atacado, o policial parte com tudo para cima do vilão, numa caçada que agora se tornou pessoal.

Contando assim, o filme até parece interessante. Mas a premissa curiosa se perde com uma direção pífia de Rob Cohen, conhecido por Velozes e Furiosos e Triplo X. Ou Cohen não tem a menor ideia de como dirigir atores ou estava devendo dinheiro a Matthew Fox (o Jack Sheppard, de Lost), que faz o vilão, e deixou o ator livre para fazer o que quisesse. Fox está tão exagerado em seu modo “assassino doidão”, fazendo caretas, esbugalhando os olhos e expandindo as narinas toda hora, que parece uma caricatura mal-feita. Até o Coiote, inimigo do Papa-Léguas, tem mais profundidade. Pra não falar numa atuação melhor.

Mas não é só com Fox que o diretor erra a mão. Algumas mortes de personagens importantes são tratados com tal frieza que o espectador não se emociona ou sente a tristeza dos sobreviventes. Una isso a um roteiro previsível, que telegrafa com minutos de antecedência todas as reviravoltas, e sobra pouco no filme. E mesmo as cenas de ação, que deveriam ser o forte do diretor, são burocráticas e sem muita graça. E, pra piorar, o vilão ainda tem uma morte tão clichê que você vai achar, por alguns momentos, que voltou à década de 1990, quando 8 entre cada 10 vilões pareciam morrer da mesma forma.

A Sombra do Inimigo foi mal de bilheteria nos Estados Unidos e os planos de que se tornasse o início de uma nova franquia parecem ter ido por água abaixo. É uma boa notícia. Quem tem tempo pra desperdiçar com mais filmes desse tipo?

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:
2-0

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