Crítica: BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE – – – (sem spoilers!)

Sério, profundo e impressionante, o terceiro filme da franquia do Homem-Morcego conclui de maneira perfeita a história de seu herói: um menino orfão chamado Bruce Wayne

Maurício Muniz

As duas perguntas mais ouvidas com relação a Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge nos últimos meses foram: “Será melhor que Os Vingadores?” e “Será melhor que o filme anterior da série?”

Vamos responder a isso em alguns momentos.

Como já fizera em O Cavaleiro das Trevas, em 2008, o diretor Christopher Nolan inicia a nova aventura de Batman com um prólogo focado no vilão, desta vez o mercenário Bane (Tom Hardy), que envolve-se numa complicada e mortal operação de resgate. É uma sequência de ação impressionante, uma operação militar que já dá o tom do que veremos pelo resto do filme, valorizada ainda mais na exibição em IMAX. Enquanto isso, em Gotham City, passaram-se oito anos desde os fatos mostrados no último filme. Batman (Christian Bale) assumiu os crimes de Harvey Dent para não macular a imagem heróica de um dos homens mais admirados da cidade e desapareceu desde então. Enquanto o vigilante mascarado continua na lista de mais procurados pela polícia – mesmo se o Comissário James Gordon (Gary Oldman) sabe que ele é inocente – , seu alterego, o milionário Bruce Wayne, se manteve afastado de tudo e todos, mal saindo de sua mansão e tendo contato apenas com o mais que fiel mordomo Alfred (Michael Caine, em plena forma). Mas as coisas mudam quando alguns novos personagens aparecem na cidade.

A primeira cara nova encontrada por Wayne será a de Selina Kyle (Anne Hathaway), uma misteriosa ladra que invade a mansão do bilionário em busca de algo que não é o que parece à primeira vista. Depois, será a vez de John Blake (Joseph Gordon-Levitt), um policial que tem o Batman como herói. Outra é Miranda Tate (Marion Cottillard), uma executiva das Indústrias Wayne que pode se tornar um interesse romântico. E, finalmente, o próprio Bane, que por motivos que só mais tarde serão explicados, inicia uma séries de ataques que trarão o caos completo a Gotham. E, na tentativa de detê-lo, Batman voltará à ativa apenas para sofrer uma grande derrota física e moral que o levará ao fundo do poço… mas também dará ao herói a oportunidade de ressurgir de forma gloriosa no momento mais negro da história da cidade que jurou proteger.

E daí vem a resposta à primeira pergunta: O Cavaleiro das Trevas Ressurge é melhor que Os Vingadores?

É. E não é. Os Vingadores é um outro tipo de espetáculo. Mesmo se os dois filmes são baseados em histórias em quadrinhos, as propostas são muito diferentes. O filme dos heróis da Marvel é uma grande aventura, cheia de ação, humor, lutas arrebatadoras de cair o queixo. Por muito tempo, Os Vingadores será insuperável como “filme de super-heróis”, em tudo que esse termo quer dizer. Mas os filmes de Nolan para Batman nunca seguiram essa linha tão iluminada. Se pararmos pra pensar, os filmes anteriores nem tinham sequências de ação lá muito impressionantes. Ah, sim, muitas delas eram extremamente competentes e até supreeendiam, mas mesmo as cenas de confronto físico entre Batman e seus oponentes não traziam uma grande coreografia, até para evitar de mostrar que os movimentos de Bale e seus dublês ficam um tanto lentos e duros graças à armadura do herói. De qualquer forma, a intenção desses filmes sempre foi mostrar uma visão mais realista do mundo de Batman, onde o que importa mais do que as cenas de ação, são as “cenas de tensão” vividas pelos personagens e como elas os afetam. Em O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o que impera é o suspense. O roteiro do diretor e seu irmão Jonathan Nolan (com parte da trama criada por David S. Goyer) coloca Batman em meio a uma guerra com Bane. Mas, mais do que uma guerra física, é também uma guerra mental, que pretende deixar em farrapos o homem por trás da máscara de morcego. Batman, aliás, aparece bem pouco em comparação com outros filmes de super-heróis. Mas isso não incomoda porque, no fundo, o astro desses filmes sempre foi mais Bruce Wayne e sua trajetória do que seu alterego. Desta vez, o personagem é ainda mais aprofundado, concluindo situações que tiveram início em Batman Begins, com a história de um garoto que viu serem tiradas de suas vidas todas as pessoas que amou. Primeiro seus pais, numa ato que moldou sua vida, mais tarde a mulher que amava graças às ações de um maníaco. Resumindo? Quem for ao cinema em busca de pirotecnia, piadas e feitos espetaculares pode sair decepcionado. Não que não haja vários momentos empolgantes, mas o tom sério do filme não dá lugar para comparações simplistas com Os Vingadores. Para alguns será melhor, para outros pior. Mas, no fundo, é um filme diferente. Muito diferente.

Sobre a segunda pergunta, que quer saber se Ressurge é melhor que Cavaleiro das Trevas… a resposta é simples: é tão bom quanto. Mas, novamente, é diferente. O filme de 2008 era, no fundo, uma aventura policial em grande escala, com um vilão extremamente louco mas muito carismático realizando uma série de crimes hediondos, com o herói tentando desesperadamente se adiantar a ele e impedir seus planos. Era um filme em que Batman usava suas aptidões como detetive. Um jogo em que Batman e Coringa alternavam os papéis de gato e rato em vários momentos. Não é à toa que o filme foi chamado de “O Poderoso Chefão dos filmes de super-heróis”.

Se é pra usar um recurso similar para descrever o novo filme, poderísamos dizer que é “O Fugindo do Inferno dos filmes de super-heróis”. Ressurge é um filme de guerra, na qual toda Gotham vira tanto campo de batalha quanto campo de concentração, com seus heróis habituais – e alguns outros surpreendentes – unindo-se para tentar salvar a cidade, a população e até a alma da cidade. É um clima tenso e muitas vezes opressor, um confronto de David e Golias que traz à tona o melhor e o pior de muitos personagens. É uma história de conflitos morais e conflitos reais, onde Batman é o general e estrategista que fará todos os sacrifícios possíveis para vencer o inimigo. A direção de Nolan é precisa e este é, com certeza, um dos mais grandiosos filmes baseados em personagens de quadrinhos já feitos. O elenco, como sempre, está impecável. Gary Oldman traz toda a dignidade possível que esperaríamos de Gordon, Anne Hathaway consegue o equilíbrio perfeito para sua Mulher-Gato (afinal, de que lado ela está?) e Christian Bale extrapola ainda mais seu Bruce Wayne, sempre no limite entre maníaco obsessivo e maior herói do mundo. Tom Hardy, irreconhecível e com uma interpretação quase ao estilo “Homem-Elefante” pode não chamar a atenção, mas é uma presença tão ameaçadora e impressionante que talvez mereça também uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, como Heath Ledger ganhou com seu seu Coringa. Já o brilhante Michael Caine é responsável por dois momentos capazes de tirar lágrimas até dos mais durões. Aliás, prepare-se para uma conclusão que fará muita gente esgasgar e acabar de olhos molhados, tanto por motivos que todos suspeitam quanto por alguns outros que serão surpreendentes.

Se o filme tem algum defeito é que mesmo suas duas horas e quarenta e cinco minutos de duração são pouco para uma história tão grande. Algumas situações parecem corridas e outras não são tão explicadas quanto seria desejável – embora sejam elementos da trama que dá pra entender sem o roteiro precisar explicar explicitamente, como “De que forma o sujeito foi daqui pra lá tão depressa”. Uma meia-hora a mais talvez fizesse bem ao filme, por incrível que pareça, até para fechar de modo mais explícito o destino de alguns personagens. Mesmo assim, com todas as suas reviravoltas e detalhes que farão a alegria tanto dos leitores de quadrinhos quanto do público comum, o filme é uma experiência essencial e recompensadora.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge fecha o que é, para mim, a série de filmes mais importante da cultura pop neste século e não será nada fácil para a Warner reviver o Batman nos próximos anos – como certamente o fará – de maneira tão brilhante. É um adeus triste a Bruce Wayne, pois adoraríamos ter mais duas ou três aventuras do personagem nesta versão de Nolan. Mas só temos a agradecer por algo que os fãs de Batman sempre sonharam em ver: um tratamento digno, honrado e inesquecível do herói na telona.

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21 comentários sobre “Crítica: BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE – – – (sem spoilers!)

  1. “Não é à toa que o filme foi chamado de “O Poderoso Chefão dos filmes de super-heróis”.”

    Porra, foram vocês mesmo do Anti-Gravidade que falaram isso na crítica em áudio sobre “The Dark Knight”. rsrs

    Pessoal, cachaça é pra ser tomada com moderação.

  2. Não, Cinemoide.

    Naquela crítica, acho que o André Morelli, da MUNDO DOS SUPER-HERÓIS, comentou sobre o apelido porque ele já estava rolando pela internet. Procure no google por “Dark Knight” e “The Godfather of superhero movies” e vai ver.

    Abraços,

    Maurício

  3. Ótima critica, Mauricio!
    estou muito ansioso.. hoje comprei meu ingresso pro IMAX, infelizmente dublado pois as sessões de legendado estavam já todas lotadas, e não pude comprar antes porque estava viajando! =/ de qualquer forma verei o dublado sexta, e semana que vem, provavelmente, verei o legendado ;D
    abraço!

  4. Mesmo na categoria de filmes de super-herói, os batman de tim burton e os superman de richard donner são infinitamente melhores que os vingadores que no fundo é uma comédia pastelão para adolescentes, mais se vc for pegar as categorizações do filme como: roteiro,interpretação,montagem ele perde feio para vários batmans antigos e supermans antigos. Ganha no quisito diversão , graça e efeitos especiais.

  5. Acho tão legal que os comentaristas que sempre tentam criar polêmicas são os que assinam com pseudônimo, e-mails falsos etc. Feio isso, hein?

    Abraços,

    Maurício

  6. Felipe, mas tente mesmo assistir legendado depois. Só pelo Michael Caine já vale. E depois me conta se chorou!

    Abraços,

    Maurício

  7. Ah, só pra re-afirmar que Vingadores vai ser de fato um filme “divisor de águas” na história do gênero. A Warner há alguns meses falou na maior cara de pau que pretende seguir os passos da Marvel Studios, interagindo os personagens da DC em seus filmes solos. Vocês acham mesmo que o reboot falado pela Warner para o Batman é por causa do final de The Dark Knight Rises??? Nananinanão! O filme do Superman ano que vem vai dar o pontapé inicial nessa preparação de terreno pro filme da Liga da Justiça. Isso é, tudo vai depender do sucesso desse filme do Superman. Já soltaram a nota de que nesse novo filme do Super ou será citada a Mulher-Maravilha, ou o próprio Batman. E o reboot do Batman que a Warner se refere, muito provavelmente será pra apresentar um Batman mais fiel ao visto nas histórias da Liga do que esse do Nolan (ou seja, um Batman daquele tipo “sem noção” que tira sangue do Darkseid com chutes, rsrs).

    Como a trilogia do Nolan encerrou, e como o filme do Lanterna Verde foi um fiásco, e como o Superman vai ganhar um reboot. Tchan, tchaaan! Porque não rebootar logo de vez Batman e Lanterna, e aproveitar pra fazer os filmes da Mulher-Maravilha, Aquaman e Flash??? Talvez até o filme do Caçador de Marte (no IMDB já tem até ficha de alguns desses filmes que podem sair do papel, só não tem o ano que serão realizados).

  8. Ô, Cinemoide.

    Cortei todo o seu outro comentário porque você foi meio indelicado em vários pontos, sacou? Tinha muitas cutucadas nos outros e não ia perder tempo editando tudo. Então, peço que respeite a mim e aos outros usuários aqui, pois opiniões diferentes têm que ser respeitadas e discutidas com bons argumentos, não com insinuações e termos como “só cego não vê”.

    Quando quiser discutir ideias aqui, à vontade. Quando quiser – desculpe a expressão – “trollar”, pense duas vezes. Você parece ser um cara inteligente e não acho que precisamos baixar o nível.

    Abraço!

    MM

  9. Nego, tem uns errinhos de digitação no texto (logo lá no começo: “impressionate”, e “dá o tem”), mas nada disso compromete a agudez e a utilidade da análise. Vi outras (em sites jornalísticos, ora pois) e estavam ou mal escritas, ou entregavam o filme, ou as duas coisas. Parabéns pela costumeira competência (mas não vai “se achando” não, hein…). Abração.

  10. Bane é a cara do Darth Vader, o mestre do Batman é Quai Gon Jin (que faz uma aparição ao estilo Jedi, e o velhinho no cativeiro que é sósia do Alec Guiness cita uma frase do Mestre Yoda sobre o medo: Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um plágio de Star Wars!

  11. Faz muito tempo que não acontece de eu terminar de ver um filme e ficar com raiva.
    Raiva de ter chegado ao fim de uma excelente história, sinto isso agora porque ao sair da sala do cinema, precisei de tempo para alinhar meus pensamentos e emoções. Nos vingadores foi EUFORIA PURA, aí esta a diferença deles para mim!

    Acho que vai demorar mais 30 anos para fazer outro filme de SUPER-HERÓI tão bom quanto. No sentido que este filme pode não ter retratado literalmente os quadrinhos, mas pegou a alma da mitologia do herói (que acredito, seja o importante).

    Acho que o Nolan ia usar sim o coringa, pois na tortura mental faltou o outro lado da mesma moeda. E principalmente porque ele matou o duas-caras e não o coringa. E neste filme, o destino do coringa como na HQ, O cavaleiro das trevas fecharia mais ainda o círculo. Com o coringa colocando mais gasolina no incêndio de Bane.
    Ou ele fez o segundo filme só para encher linguiça, digo, ganhar dinheiro (lógico que neste caso ele encheu com carne de primeira) Mas isso é só suposição. O Rises como qualquer coisa feita pelo homem tem defeitos sim, o mais grave é o tempo, uns 20 minutos a mais como disse o Maurício, solidariam os destinos dos personagens… mas nada que ofusque esta bela obra da sétima arte.

    O filme para mim são três partes para contar a história, não como o Senhor dos Anéis, pois pode -se assistir separados, mas juntos fica um filme insuperável… até para os vingadores…

    Senhor Rtchard Persaud :
    Leia O Poder do Mito de Joseph Campbell, se possível, que ficara ciente de que mesmo Star Wars é um plágio, principalmente a parte sobre o medo, mas que em nada, isto faz, com que o filme não seja também uma bela obra de arte.

    Alguém ai se lembra do homem-aranha que estreou este mês????? hehehe!

  12. Apesar dos exageros vocabulares na sua crítica, gostei dela. E também gostei do filme. Nolan arrasou e deixou a todos nós, nerds de carteirinha, com orgulho de dizer que somos fãs de super-heróis. Não que antes dele a gente não tivesse orgulho. Mas agora temos um “orgulho sacana”, de olhar praqueles que criticam quadrinhos e dizer: “Tomou, papudo?”😛

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