Crítica: ARMADILHA

Um sério candidato a pior filme do ano…

Maurício Muniz

Sabe esses filmes de baixo de orçamento, com atores pouco conhecidos, mas que contam com uma ótima trama?

Não é o caso aqui!

Na verdade, as referências para Armadilha (ATM, 2012) até têm algum mérito. O roteiro é de Chris Sparling, o mesmo que escreveu Enterrado Vivo, este sim um bom filme barato e de história tensa e interessante. Mas alguém devia avisar pra ele que – como todo mundo sabe – pessoas que ficam repetindo as mesmas histórias toda vez que nos encontram são muito chatas.

Armadilha usa um elenco reduzido pra contar como, ao sair em plena madrugada de um festa de fim de ano da empresa, três amigos, dois homens e uma mulher (e eu nem vou citar os nomes dos atores porque, sinceramente, não valem a pena… mas se quiser saber mesmo, estão no cartaz acima), param em um caixa eletrônico no meio de um estacionamento isolado pra tirar dinheiro. Mas, enquanto estão lá, um sujeito estranho, usando um casaco com capuz, aparece do lado de fora observando-0s. Se há dúvidas sobre as boas ou más intenções do sujeito, elas ficam claras quando ele mata de maneira violenta um homem que leva seu cachorro para passear pelo local. A partir daí, o filme mostra a luta dos três jovens para impedir a entrada do assassino no caixa eletrônico enquanto tentam pensar em uma forma de escapar ou pedir socorro.

E é tudo ridículo.

Sim, os telefones celulares do mundo atual são um grande problema para os filmes de suspense. Ah, o Jason ou algum assassino maluco está lá fora esperando pra te pegar? Tem um maluco armado perseguindo seu carro? Pegue o celular e ligue pra polícia. Mas aqui, pra tirar os celulares de cena, o roteiro dá as desculpas mais furadas: um dos personagens esquece o celular no serviço, o telefone de outro fica sem bateria e, por último, a garota esquece o dela no carro. Tudo isso pode acontecer, claro… mas tudo com o mesmo grupo de pessoas? Quando foi a última vez em que você encontrou um grupo de três pessoas em que nenhuma tinha um celular? Mas, o pior mesmo é que não se explica como o assassino encapuzado poderia saber de antemão que nenhum dos heróis tinha um celular disponível quando se dispõe a passar horas os aterrorizando. Ou que nenhum deles carrega uma arma.

Mas este é só um exemplo da falta de lógica total que permeia o filme dirigido pelo estreante David Brooks. Há vários momentos em que os personagens poderiam tentar correr atrás de ajuda. Como o vilão não tem uma arma aparente, seria fácil usar elementos do próprio caixa eletrônico para improvisar armas e enfrentá-lo. Mas, ok, você quer algumas respostas sobre o que está acontecendo e vai comprando a brincadeira (mais ou menos)… até que o vilão enfia uma mangueira por um buraco no caixa eletrônico e começa a enchê-lo de água. Não pra afogar os heróis, aparentemente, mas pra congelá-los. Encher de água uma estrutura de concreto e vidro que nem é hermeticamente fechada? Nota 10 pela criatividade, nota 0 pela credibilidade.

Na maioria das vezes, um filme se revela um sucesso ou um fracasso pelo seu desfecho. E o de Armadilha é terrível. Não bastasse todas as besteiras  ilógicas que vemos por quase uma hora e meia, ainda não são explicados os motivos do vilão para atormentar o trio. Pelo visto, eles foram apenas escolhidos aleatoriamente por um louco. Mas um louco com método já que, ao que tudo indica, esse é seu hobby, uma vez que ele é mostrado planejando um novo ataque a outro caixa eletrônico. Se a intenção era criar mais um assassino icônico do cinema e dar origem a uma nova franquia, falharam miseravelmente. Pra ter ideia, o filme que custou três milhões de dólares (embora dê a impressão que custou, no máximo, 12 dólares e cinquenta centavos) r nem estreou nos cinemas nos EUA. Foi direto para o mercado de DVD e de canais pagos. Aqui, teremos a honra duvidosa de vê-lo ocupar algumas salas de exibição.

Um dica: durante os créditos e depois deles, há várias cenas novas. Mas, neste caso, a dica é “não perca seu tempo assistindo-as”. Não espere que elas darão alguma resposta para a identidade ou motivos do tedioso psicopata do filme. São cenas tolas, que nada acrescentam. Melhor sair logo da sala. Ou, melhor ainda, poupar seu dinheiro completamente e evitar o filme de uma vez. “Armadilha”, realmente.

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:

7 comentários sobre “Crítica: ARMADILHA

  1. Ao contrário de praticamente quase todo o mundo, sou da opinião de que o filme é bom no que se propõe. Sim, basicamente, o mal-entendido gira em torno de dois pontos que tanto espectadores como críticos não se permitiram compreender. Vejamos. Primeiramente, a questão da “INVEROSSIMILHANÇA”. Se ponderarmos com atenção, veremos que a maior parte das cenas pouco plausíveis ao primeiro olhar é, na verdade, (embora incomum) perfeitamente possível, afinal, quem nunca se viu, de repente, numa série de situações e reações insólitas? Portanto, se o roteiro abusa do possível em detrimento do provável, isto, ainda assim, não o invalida, tanto mais ainda quando se leva em linha de conta a “verossimilhança do possível”! Por fim, o segundo ponto: a questão das “MOTIVAÇÕES DO ASSASSINO”. Ora, aqui a mais singela consideração etológica já revela-nos que se trata do “caráter maligno”, ou seja, do caractere que visa a prática do mal por nenhum outro motivo que não o próprio mal, donde soar tão absurdo, eis que, tal qual o contexto geral do filme, esse tipo de perfil também é (felizmente) incomum. Contudo, tal é a natureza da pessoa pura e simplesmente cruel, na medida em que, ao contrário do egoísta, para quem o mal é um meio para a consecução de determinada vantagem (o fim), para o maligno o mal se apresenta como um fim em si mesmo, visto que seu prazer e contentamento encontram-se justamente no observar, quando não praticar (como é o caso do assassino do filme) o mal. Desse modo, se esclarecidos esses dois pontos capitais, o suspense mostra-se sob uma luz bem mais favorável – acima da média mesmo, diríamos, transformando-se em verdadeira armadilha tão-só para intérpretes convencionais pautados em fórmulas previsíveis, já que é precisamente no ABSURDO que repousa seu sentido. Mas então, todos hão de convir, a coisa não é tão inverossímil assim, afinal de contas, não tem a vida um andamento semelhante? Sob o signo do caos?

  2. olhei o trailer e achei bonzinho e vou olhar o filme mas falar sobre nenhum dos tres amigos terem celular e isso como furada do filme?

    nao podemos esquecer de um garoto que se afoga num acampamento e sai do lago um homem feito e com sede de sangue e sempre é morto e retorna ou de um homem queimado que surge nos sonhos e mata as pessoas dormindo e esses dois filmes ja estao ai uns 30 anos e fazem sucesso.

    claro que esse nao filme é para locadora ou baixar ele mas nao ridicuariza-lo por causa de nenhum dos 3 terem celular ou deixado no servilço ou acabado a bateria por k ka aconteceu comigo isso.

  3. É mesmo? Você já saiu com três amigos e NENHUM de vocês tinha um celular disponível? Nenhum de vocês? TODOS tinham esquecido o celular em casa, perdido ou acabado a bateria? Nenhum tinha celular?

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