Crítica: MISSÃO IMPOSSÍVEL 4 – PROTOCOLO FANTASMA

A nova aventura do agente Ethan Hunt não é apenas a melhor da série, é também o melhor filme de ação do ano. Leia rápido porque esta crítica se autodestruirá em cinco segundos…

Maurício Muniz

Não existe sensação melhor para um fã de cinema do que entrar em uma sala escura e descobrir uma pérola… principalmente quando não se espera grande coisa do filme que está prestes a ver, uma vez que os filmes anteriores da franquia Missão Impossível não foram lá muito memoráveis.

Senão, vejamos: o primeiro filme, dirigido pelo veterano Brian De Palma e lançado em 1996, era uma aventura sóbria e competente, mas sem muitas surpresas em sua forma. O segundo, de 2000, era um samba do chinês doido, com o diretor John Woo livre para crias cenas inverossímeis – e quase sempre chatas -, nas quais o astro Tom Cruise parecia um Superman sem capa. O terceiro, sob a batuta de J. J. Abrams, se mostrou o melhor da série até então com uma trama mais dinâmica e emocionante, recheada com algumas ótimas cenas de ação, apesar de escorregar feio no final, com um climax meio sem graça. Mas o filme de 2006, que não rendeu tanto quanto os produtores esperavam, parecia ser um bom final para a série, inclusive por terminar com o agente secreto Ethan Hunt casado e decidido a abandonar seu complicado emprego.

Mas, para nossa sorte, aquele não foi o final das aventuras de Hunt. O melhor ainda estava por vir.

A primeira coisa que você precisa saber sobre a trama do novo filme da série, Missão Impossível: Protocolo Fantasma, é que quanto menos você souber sobre ela, melhor. Seja pela forma surpreendente que algumas sequências de ação tomam, seja pelo aprofundamento de personagens, seus motivos e suas histórias pregressas, que são reveladas ao longo do filme. Na verdade, tem um monte de sites e outros veículos por aí que vai estragar boa parte dessas surpresas (duvida?), mas nós que somos legais vamos apenas contar o básico pra você ficar interessado.

O filme começa com Ethan Hunt preso numa prisão russa, por motivos que serão explicados mais tarde. Ele é libertado pelos agentes Jane Carter (Paula Patton, de Preciosa e Espelhos do Medo, linda como nunca) e Benji Dunn (Simon Pegg, de Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso, Paul e um dos atores favoritos do mundo nerd atualmente) para realizar uma missão razoavelmente impossível: invadir o Kremlin, sede do governo russo, para conseguir informações sobre um perigoso terrorista, de codenome Cobalto, que pretende conseguir uma arma nuclear.

Alguma coisa do que vem a seguir você já leu sobre por aí: o Kremlin sofre um atentado, a equipe de Hunt parece ser a culpada e toda a Força Missão Impossível é desativada, deixando os heróis com recursos limitados e nenhum apoio externo para conseguir reaver de Cobalto uma arma capaz de iniciar uma guerra nuclear. Porque, como muitos dos bons vilões de James Bond em seus tempos áureos, Cobalto tem um bom motivo (segundo sua lógica deturpada) para trazer o fim da civilização e, mesmo se parece algo um tiquinho exagerado, funciona a contento para elevar as apostas do filme: Hunt e seus amigos precisam salvar o mundo inteiro desta vez. A eles se junta o analista estratégico William Brandt (Jeremy Renner, que em breve será o herói Gavião Arqueiro no filme Vingadores), que é mais habilidoso do que parece e tem um segredo em seu passado.

A partir daí é sentar e aproveitar algumas das sequências de ação mais legais dos últimos tempos: a fuga emocionante da prisão; a invasão ao Kremlin com equipamentos capazes de deixar envergonhado o Departamento Q dos filmes de 007; uma perseguição em meio a uma tempestade de areia; uma escalada pelo lado de fora do edifício mais alto do planeta e um quebra-pau final na Índia que faria até Gandhi ficar na beirada da poltrona, roendo suas unhas. A maioria dessas sequências são tão elaboradas e emocionantes que poderiam ser o climax de muitos outros filmes, inclusive dos outros filmes da série Missão Impossível, com uma energia rara e que faz falta no cinema moderno, onde os cineastas parecem cada vez mais se apoiar na muleto dos efeitos por computador para criar momentos que deveriam ser marcantes, mas que não satisfazem ninguém com mais de doze anos (reais ou mentais). Palmas em pé para o diretor Brad Bird, conhecido por ótimos filmes de animação como Ratatoulie e Os Incríveis, que mostra uma mão firme e muito talento ao criar uma aventura precisa e impressionante, auxiliada pelo espetáculo proporcionado pelo sistema IMAX, que se mostra uma experiência mais imersiva, bonita e interessante do que o velho “pega-trouxa” que é o 3D, a outra muleta irritante do cinema atual.

Mas, mesmo com as ótimas sequências de ação, o que dá peso e faz deste MI4 algo especial é a caracterização e aprofundamento dos personagens. O segredo de Brandt, capaz de dar um nó na garganta; a história da trágica “separação” de Hunt e sua mulher; as tentativas de Benji para provar seu valor em campo; e o desejo de vingança pessoal de Jane contra um dos vilões os tornam pessoas mais reais e pelas quais fica mais fácil torcer. Ok, não estamos falando de um filme de Bergman ou mesmo de Lars Von Trier, os problemas pessoais desses espiões ultracompetentes não são tão complexos como num drama europeu, mas é muito bem-vinda a tentativa de mostrá-los como seres humanos com sentimentos de inadequação e culpa que precisam vencer seus fantasmas pessoais para tentar fazer o melhor e salvar toda a Terra da destruição – tanto que, quando o filme acaba, o expectador sente um genuíno sentimento de saudade desses personagens. Junte isso ao sempre fantástico tema criado por Lalo Schifrin, algumas participações especiais de rostos bem conhecidos – algumas delas até não creditadas – e um final simples mas certeiro em sua capacidade de emocionar e temos aqui o melhor espetáculo de ação do ano e a prova que Hollywood ainda consegue nos surpreender positivamente.

Agora é torcer pra esse filme fazer rios de dinheiro – porque, sinceramente, merece – e esperar que haja outro Missão Impossível em quatro ou cinco anos.

Cotação Antigravidade:

Trailer ZUMBIS – MUNDO DOS MORTOS:

3 comentários sobre “Crítica: MISSÃO IMPOSSÍVEL 4 – PROTOCOLO FANTASMA

  1. Achei muito engraçado, ria o tempo quase todo. E o legal é que não era só em cenas com o S. Pegg(S2). Acho que foi o que mais gostei até hoje.

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