Crítica: OS AGENTES DO DESTINO

Dez razões para ver o novo filme baseado num conto de Philip K. Dick

Maurício Muniz

Estreia nesta sexta-feira, 13 de maio, o filme Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau, 2011), estrelado por Matt Damon, Emily Blunt e Terence Stamp, baseado num conto de Phillip K. Dick. Na trama, o candidato ao senado, David Norris, descobre que há estranhos homens que são capazes de parar o tempo, aparecer em qualquer lugar e influenciar eventos mundiais. Não bastasse essa informação chocante, para piorar a situação esses misteriosos agentes do “Departamento de Ajustes” dizem a David que ele nunca mais poderá encontrar a mulher por quem acaba de se apaixonar, a espirituosa Elise.

Confira nossos 10 motivos para ver o filme:

1. A Trama: A história é intrigante e instigante, apresentando um conceito misterioso, de um grupo de homens com poderes e equipamentos sobre-humanos capazes de influenciar e alterar o destino dos seres humanos. Quem são esses homens? Estamos diante de uma história de ficção científica ou de algo maior, que esbarra na metafísica? Só assistindo para (talvez) descobrir.

2. O Romance: Não há como negar, o filme é, no fundo, um romance. E não há nada de errado com isso. O que desencadeia toda a ação e o suspense da trama é a luta de David para ficar com Elise, enfrentando poderes e homens assustadores. Se o cinema já nos deu grandes romances através dos anos, agora nos dá mais um… com a vantagem de uma ótima trama fantástica como pano de fundo.

3. Matt Damon: O astro está muito bem como David, um sujeito simples e de bom coração – mas de passado um tanto complicado – que tem um grande destino pela frente… se sobreviver ileso à aventura estranha na qual se meteu. Mas é uma interpretação simpática e carismática de Damon, que finalmente está começando a ficar com cara de mais velho (pô, ele tem 41 anos!).

4. Emily Blunt: A atriz inglesa continua uma das estrelas mais talentosas e interessantes da nova geração. Aqui, sua interpretação é que dá a alma do filme. O carisma de Elise, sua impetuosidade, charme e bom-humor são irresistíveis para David… e para a plateia.

5. Terence Stamp: O ator inglês que já foi o General Zod (de Superman 2) ainda é uma figura impressionante e consegue compor um ótimo vilão, mesmo se aqui o seu personagem, Thompson, prefere usar mais as ameaças veladas do que a violência física… com uma exceção onde, com um gesto, mostra o quanto pode ser frio e duro quando quer alcançar seu objetivo. “Ajoelhe-se perante Thompson”.

6. George Nolfi: Vale a pena ficar de olho neste diretor que estreia aqui no comando de um filme, mas andou roteirizando alguns dos melhores suspenses dos últimos tempos, como O Ultimato Bourne, Sentinela e Doze Homens e um Segredo. Os diálogos que ele cria em Agentes do Destino são muito bons, tanto as cenas de suspense e ação quanto as românticas e intimistas funcionam muito bem e não há como deixar notar seu mérito em ter expandido muito bem as ideias originais de Philip K. Dick, vindas do conto “Adjustment Team”.

7. As Portas: As passagens e portas usadas pelos agentes para ir de um lugar a outro são impressionantes. Não vamos entrar em detalhes, mas este é um dos elementos mais divertidos do filme. Assista pra entender.

8. Philip K. Dick: Um dos maiores visionários da ficção científica do século 20 criou histórias que renderam grandes adaptações cinematográficas como Blade Runner, O Homem Duplo, Minority Report e O Vingador do Futuro (ok, ele também nos deu O Pagamento Final, mas é melhor esquecermos esse desastre em celulóide…). Desta vez, o conceito inicial de K. Dick dá origem a um cenário fantástico misterioso e muito criativo, com ramificações históricas interessantíssimas.

9. O Orçamento: O filme custou apenas 50 milhões de dólares, o que mostra que Hollywood ainda consegue fazer bons filmes com orçamentos razoáveis, em produções que dão mais importância ao roteiro e às emoções para conseguir ótimos resultados. Pode parecer pouco, mas é uma boa notícias num mercado que parece cada vez mais fascinado por mostruosidades repletas de efeitos visuais, imagens em 3D e tramas nulas e cheias de clichês. Obviamente, não precisamos citar nenhum exemplo desse segundo tipo de filme… Certo, Sr. Cameron?

10. O Final: Mesmo se o desfecho parece se resolver com mais facilidade do que seria ideal, o “corre-corre” final ainda é de primeira. Torcemos por David e Elise, mesmo sabendo que, se ficarem juntos, as coisas podem não acontecer da forma como deveriam no mundo. Ao final, não há espaço pra história do casal continuar, mas seria muito interessante se aprofundar mais no mistério dos Agentes, cheio de possibilidades, que facilmente renderia mais alguns filmes, contos ou até uma série de TV.

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:

Assista abaixo ao trailer de O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO:

4 comentários sobre “Crítica: OS AGENTES DO DESTINO

  1. Poxa, agora até deu vontade de ver. Passei pelo cartaz quando fui ver Thor e nem dei bola. Vamos ver se minha opinião continua em sintonia com a do Sr. Maurício Muniz…

  2. Jéssica, depois que assistir, comente aqui, por favor!

    E muuuito obrigado pelo “Sr.”… Pô, só porque eu te conheci quando você tinha uns 7 anos? Você sabe como fazer um velhinho se sentir ainda mais velho…! =)

    Beijos e cuide-se!

    Maurício

  3. Acabei de assistir, neste minuto, e achei muito bom. Achei o final um pouco repentino, mas no geral, é um ótimo filme de ficção, e um ótimo romance também. Bom pra ver com a namorada, ou esposa. Elas vão adorar a parte sentimental, e os homens vão curtir muito o lado ‘correria’.

    Dos últimos filmes baseados em obras do K. Dick, este foi um dos que mais gostei. Aquele desenho com o Keanu Reeves deu sono, e aquele com Ben Affleck… ugh, deixa pra lá.

    Espero que aproveitem a onda e lancem outro livro de contos dele no Brasil. Ainda tenho aquele que pariu o ‘Total Recall’ e acho quase que perfeito, um conto mais criativo que o outro! Já o livro do ‘Pagamento’, não é tão legal, mas mesmo assim tem contos geniais. Acho que o K. Dick se dava melhor com contos do que romances. Pelo menos os que li achei que eram bons só até a metade, depois ele se perdia e não sabia como terminar.

    Enfim, obrigado pela dica! Valeu mesmo.

    E publiquem logo uma matéria contando como foi o Mercado de Pulgas!

  4. O Filme é bom e concordo com a crítica. Não quer forçar a história para um romance, trata-se de escolhas isso sim. Escolher quem ele gosta, escolher se vai continuar sua escalada rumo ao máximo poder político. As cenas românticas são poucas e até discretas. Admito que forçaram um amor predestinado, mas, aí, o conto de Philip K. Dick e todo o filme é forçar a barra, pois, dentro da história, a maioria das coisas são predestinadas. Diga-se de passagem, a morte do pai e do irmão de Norris. E até para o romance há explicação, pois ela “preenche o vácuo da existência” de Norris e que ele “cobre com votos e aplausos”. E “há outras mulheres no mundo, esta você não pode ficar” Mas, qualquer pessoa preenche outra? E em Gattaca, Dark City e Tropas Estelares não há romance, por acaso? Daniel Brasil

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s