CRÍTICA HQ: Mais quadrinhos lidos e comentados por nossa equipe

Nós do Antigravidade somos fãs de quadrinhos! E quase tão legal quanto ler quadrinhos é falar do que lemos e indicar o que é legal ou não! E é isso que vamos fazer nesta seção. Aproveite!

Maurício Muniz e Alvaro Omine

Clique nas capas para ampliá-las!

THOR, O RENASCER DOS DEUSES, de J. Michael Straczynski e Olivier Coipel (Panini): Aqui estão reunidas as seis primeiras edições da fase do renomado Straczynski no título do Deus do Trovão, que ajudou a relançar o título com sucesso. Mas, infelizmente, este começo é bastante decepcionante. Pouco acontece de interessante, as lutas não emocionam, os diálogos são fracos e é possível adivinhar a maioria das reviravoltas com antecedência. E também não ajuda muito que este volume acabe em suspense, sem resolver a última história apresentada. O melhor do álbum é mesmo a arte de Coipel, espetacular e que se encaixa bem ao mundo de Thor (mesmo se ele desenha o herói com uma cara amassada e meio de troglodita). Vale a pena, se você não esperar muito. Nota: C (Maurício Muniz)

A TEIA DO HOMEM-ARANHA nº 06, de vários roteiristas e desenhistas (Panini): A edição traz nove histórias, algumas engraçadas, outras pretensiosas (até demais). A primeira, “As Meninas-Aranha”, é das mais simpáticas, engraçadinha e despretensiosa. São três colegiais nerds, Emma, Becky e Leila, que  baseadas na bondade e senso de justiça do Homem-Aranha, só querem fazer o bem. Por isso, usam camisetas estampadas com a cara dele. Mas, uma conhecida moça rica e mimada, Teri Hillman, se aproveita disso para fazer fama ou, pelo menos voltar a aparecer na midia. O mais divertido é a personagem ser, obviamente, baseada em Paris Hilton e algumas estrelinhas televisivas. Fútil, oportunista, além de rica e “bem cuidada” (ou seja, bonita porque é rica). E o Homem-Aranha é só um pretexto pro desenvolvimento dessa história. A parte das entrevistas coletivas são as mais bem sacadas. Vale por elas. “Experiência Relevante”, “Por que não fazer o Homem-Aranha perder o controle do sentido de aranha?” e “A Espetacular Tiazinha-Aranha” são bem divertidos. Destaque pra “Experiência” que tem um “quê” de CSI. Já as outras histórias são um tanto chatas, principalmente “Roubo de Identidade”. Todas essas são do tipo “já vi isso!” ou “Lição de Moral”. Muito nhenhenhe. Quanto à arte, na maioria são convencionais mas destaca-se a história “Por que não fazer…?”, não pela qualidade da arte, mas por ter sido feita pela neta do grande John Buscema, Stephanie. Nota: C (Alvaro Omine)

SOCIEDADE DA JUSTIÇA nº 01, de Bill Willingham, Jesus Merino e outros (Panini): Ótima surpresa esta edição especial que reune as sete primeiras edições da fase da Sociedade da Justiça escrita por Willingham (Fábulas). Mostra o grupo recebendo alguns novos membros enquanto caem numa armadilha de um verdadeiro exército de vilões. Um inimigo ainda misterioso colocou altas recompensas pelas cabeças dos heróis e eles precisam lutar por sua vidas. A sensação de perigo para a equipe é verdadeira, a ação quase não para e, mesmo assim, há espaço para desenvolver um pouco os personagens e seus relacionamentos, como na disputa entre o Pantera e outros membros que acham que a equipe deveria agir mais como uma unidade militar. Bacana, bem escrito, bem desenhado e com algo raro: um acontecimento que realmente muda o status quo da equipe. Que venham mais especiais! Nota: B (MM)

BATMAN nº 100, de Grant Morrison, Tony S. Daniel, Frank Quitely, Andy Kubert e David Finch (Panini): Parabéns à Panini, que faz uma revista do Homem-Morcego chegar à centésima edição no Brasil, após mais de 30 anos. A edição traz duas história da revista regular do personagem nos EUA, escritas e desenhadas por Tony Daniel. Nada muito bom, nem muito ruim. O destaque vai mesmo para a publicação da edição 700 de Batman, escrita por Morrison e desenhada por alguns de seus colaboradores habituais. A trama mostra três Batmen diferentes investigando um crime interligado em vários épocas distintas e, em meio à ação, traz também outras versões do personagem através dos tempos e das mídias, até com uma aparição do Batman do Futuro, surgido no desenho animado. Mais do que a boa história, o que fica aqui é a homenagem de Morrison àquele que talvez seja o super-herói mais icônico dos quadrinhos. Nota: C+ (MM)

SUPERNATURAL: ORIGEM, de Peter Johnson, Geoff Johns e Matt Smith (New Pop): Esta edição de luxo traz, como diz o título, as origens dos personagens do seriado Supernatural, de grande sucesso na TV. A história mostra como John Winchester, o pai de Sam e Dean, começa a caçar monstros e demônios após a morte de sua mulher, assassinada por um ser das trevas. Mesmo se você nunca assistiu ao seriado, esta é uma história de terror que funciona muito bem e pode ser indicada para fãs de Hellblazer. Se é fã, é interessante conhecer a fundo alguns fatos que foram apenas comentados nos roteiros. Completa a edição uma história curta de Geoff Johns que, se não acrescenta muito, é ao menos um bônus bacana. Apesar de alguns errinhos de digitação, uma edição satisfatória e interessante do começo ao fim. Nota: C+ (MM).

MAGNETO: TESTAMENTO, de Greg Pak, Carmine di Giandomenico e Matt Hollingsworth (Panini): Esta não é uma típica história de super-heróis e nem de supervilões. Apesar de trazer o que seria a origem de um dos nomes mais famosos do universo Marvel, o mutante Magneto, a edição é centrada no terror pelos quais os judeus passaram durante a Segunda Guerra Mundial. Muito antes de ele adotar o nome de Erik Lehnsherr, o garoto Max Eisenhardt viu sua família perder tudo para os nazistas, depois ser caçada, morta e enviada para um campo de concentração. Séria, dramática e até chocante em alguns momentos, esse retrato do holocausto judeu passou despercebido por muitos críticos no Brasil e no exterior e, enquanto ainda é tempo, merece mais atenção até em premiações como o HQ Mix. Não é uma história fácil. Apesar de um ou outro clichê do gênero, a edição muitas vezes é até incômoda e leitores que a compraram esperando apenas uma aventura descompromissada com seres superpoderosos provavelmente tiveram uma grande surpresa. Se uma surpresa agradável ou desagradável, depende de você e do que você quer de uma história em quadrinhos. Nota: B (MM)

JUDGE DREDD: TOTAL WAR, de John Wagner, Colin MacNeil, Flint Henry e Jason Brashill (2000 AD): Muito pouco material do Juiz Dredd foi publicado no Brasil. Embora nem todas as suas histórias sejam memoráveis (algo normal para um personagem com 35 anos de vida), muitas delas são geniais. E esta é uma das melhores dos últimos tempos, mostrando os juízes da megalópole de Mega City Um recebendo um ultimato do grupo terrorista Guerra Total: ou entregam seus distintivos e vão embora da cidade, deixando o governo na mão dos cidadãos; ou o grupo explodirá 100 poderosas bombas atômicas pela cidade, uma de cada vez, matando milhares de inocentes a cada explosão. Quando o grupo explode uma das bombas para demonstrar que não está brincando – causando uma enorme catástrofe – o Juiz Dredd lidera seus homens numa corrida contra o tempo para descobrir a localização das outras bombas e as identidades dos membros do Guerra Total. Mais do que uma boa história de suspense, a trama ainda discute o papel da lei e da ordem na sociedade moderna e se, num mundo caótico, é preciso mesmo agir com mão de ferro para manter a paz e a ordem. Exageros, abuso de poder e fim das liberdades pessoais são maus necessários para que o homem moderno possa sobreviver? Só os juízes podem responder. Nota: B (MM)

O CASTELO ADORMECIDO, de Linda Medley (Via Lettera): Infelizmente, uma das melhores séries em quadrinhos dos últimos tempos foi lançada no Brasil sem fanfarra e, por isso, quase ninguém viu ou percebeu… e muito menos leu! A série de Linda Medley é muito elogiada pela crítica e foi indicada a vários prêmios nos EUA. Conta a história de um castelo que serve de refúgio e esconderijo para habitantes de reinos das fadas que estejam com problemas. A personagem principal é uma princesa que procura abrigo para dar à luz a seu filho, provavelmente proveniente de um caso com um ser não-humano. Algumas das ideias lembram o que vimos em Fábulas, mas a tônica aqui é mais bem-humorada e mais emotiva do que dramática. Um verdadeiro conto-de-fadas para adultos, sem apelar para sexo ou violência. Um dos quadrinhos mais essenciais da atualidade… e, infelizmente, quase ninguém viu. Sabe quando alguém diz que isso ou aquilo é imperdível? Pois bem… Nota: B+ (MM)

THE ESSENTIAL DEFENDERS – VOLUME 01, de Stan Lee, Roy Thomas, Steve Englehart, Len Wein, Gene Colan, Ross Andru, Sal Buscema e outros (Marvel): Esta edição de quase 500 páginas reúne as primeiras aparições da “Antiequipe” da editora, formada por heróis com perfil solitário (claro, isso muito antes de Homem-Aranha, Wolverine e outros entrarem pros Vingadores). Há edições dos títulos-solo de Namor, Hulk e Dr. Estranho onde os heróis se esbarraram pela primeira vez, até chegar ao título próprio do grupo, cuja formação mudava quase a cada história. De qualquer forma, o mais importante são as ótimas aventuras contadas. Apesar de mais inocentes e simples do que os quadrinhos de hoje, as histórias aqui se destacam pela ação, pela grandiosidade e pela criatividade surpreendente. Como os heróis todos têm backgrounds tão diferentes, as ameaças a eles surgem do espaço, do fundo do mar ou do mundo da magia. Um dos destaques é o confronto com os Vingadores, num épico em várias edições que foi um dos primeiros grandes eventos de verão da Marvel, ainda em 1973. Vale a pena, nem que seja pra conhecer ou matar saudades do uniforme com asas que o príncipe submarino usou durante um tempo. Nota: B (MM)

SHOWCASE PRESENTS: JONAH HEX, de John Albano, Michael Fleischer, Tony DeZuniga, Doug Wildey, Jose Luis Garcia-Lopez e outros (DC Comics): Mesmo se a série atual do pistoleiro Jonah Hex – lançada em encadernados pela Panini no Brasil – é muito boa, as primeiras histórias do personagens, presentes neste grande álbum em preto e branco, ainda são as melhores. Durão, mau-humorado, rápido no gatilho, impiedoso mas também dono de um bom coração, Hex viaja pelo velho oeste enfrentando índios, caçando criminosos e fazendo justiça onde for preciso. As histórias são curtas, em sua maioria, mas em meio à ação os roteiristas sempre conseguem desenvolver bem os personagens e as características do anti-herói. A arte, por alguns dos desenhistas mais talentosos dos quadrinhos, também ajuda a fazer deste álbum uma edição memorável. Pena que (aparentemente por motivos legais e de direitos autorais) a DC não lançou outros volumes continuando a série. Se você acha que não gosta de quadrinhos de faroeste, estas são as histórias que podem fazer você mudar de ideia. Essencial (mesmo sendo um Showcase…). Nota: A (MM)

E você, tem lido HQs legais recentemente? Ou leu uma HQ tão ruim que vai mandar todos evitarem? Comente abaixo!

Trailer: O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO?



3 comentários sobre “CRÍTICA HQ: Mais quadrinhos lidos e comentados por nossa equipe

  1. Gosto dessa coluna porque ela recomenda edições nacionais e importadas. Esses Essentials e Showcases são muito legais, não. Preço camarada, muito material histórico pra ler, e fica lindo na estante, hein? Fala a verdade!

    Nem sabia que o Bill Willingham estava escrevendo a SJA, vou procurar essa edição. Sou fã do cara. Fábulas tá no meu top ten todos os anos, mesmo com um desenhista fraquinho como aquele Buckingham.

    Juiz Dredd é muito legal! Tenho aquelas edições da Pandora, e curti pra caramba. Bem que alguma editora podia lançar mais coisas dele. Muita gente boa escreveu histórias dele, como o Grant Morrison, Mark Millar, Garth Ennis. Tenho um livro sobre o Alan Moore, ‘The Extraordinary Works of Alan Moore’, onde tem um roteiro que ele escreveu pro Juiz Dredd e não foi utilizado. Merecidamente, porque o barbudo, por incrível que pareça, ainda estava verde e só colocou clichês na história.

    É boa, essa tradução do Castelo Adormecido? Costumo evitar sempre que possível qualquer coisa traduzida pelo dono dessa editora, que tem muitos vícios de tradução insuportáveis, desde o tempo da Abril.

    Um gibi que estou terminando de ler e recomendo é um encadernado do Hawkeye, o Gavião Arqueiro, escrito pelo Mark Gruenwald. Muito divertido, personagens bem caracterizados, história intrigante, diálogos super-naturalistas, situações verossímeis, nada forçado ou exagerado. O Gruenwald sempre soube colocar um realismo em histórias de super-herói como ninguém fazia na época. Jamais esqueci de uma do Capitão América onde ele para num posto de gasolina no meio da estrada e reconhece um supervilão à paisana saindo do banheiro!

  2. Gustavo,

    Falamos de material nacional e importado porque lemos dos dois. Eu, na verdade, leio mais importado no momento. E Showcases e Essentials são muito bons, mesmo.

    Dredd, eu adoro. Nem tudo é ótimo, mas algumas são de f*d&r mesmo!

    Já sobre o Castelo Adormecido, se isso ajuda, não é “aquele cara” que traduziu esse álbum. Pelo que sei, ele nem é mais da editora há uns anos…

    Abraço e valeu da indicação do Hawkeye!

    Maurício

  3. Comprei MAGNETO: TESTAMENTO na última bienal do livro que teve no anhenbi, não imaginava que seria uma história descompromissada, mas com certeza superou de longe as minhas espectativas.
    Minha nota é A+.

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