CRÍTICA HQ: 10 Quadrinhos lidos e comentados por nossa equipe

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Maurício Muniz e Alvaro Omine

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MARVEL TERROR, de Duane Swierczynski, Mike Carrey, Ted McKeever, Skottie Young, Mico Suayan e outros (Panini): Esta edição especial resgata alguns dos personagens da bem-sucedida linha de terror da Marvel da década de 70, como o Lobisomen, o monstro de Frankenstein e Simon Garth, o Zumbi. Mas o resultado é fraco e de pouco interesse. Na história mais longa e mais chata da edição, a origem de Jack Russell, o lobisomem, é atualizada, ligando-a a experimentos do governo e criando uma nova cronologia (mas como fica sua história pregressa, onde já encontrou Mulher-Aranha, Drácula e Homem-Aranha, entre outros? Aquelas histórias não valeram? Fiquei confuso!). Há histórias curtas do Zumbi e de Frankenstein, que são um pouco melhores exatamente por serem curtas. A arte é bacana, em sua maior parte, embora pouco criativa. Mas nem isso ajuda a salvar a edição. Nota: D- (Maurício Muniz)

THE GREEN ARROW, por Jack Kirby (DC Comics):  Poucos sabem mas, Jack “O Rei” Kirby escreveu, desenhou e arte-finalizou algumas aventuras do Arqueiro Verde durante os anos 50. Ou melhor, escreveu uma história e o restante foi feito em colaboração com Dave Wood e Ed Herron, seus amigos, sendo que uma delas foi escrita por Bill Finger, roteirista de Batman e cocriador do Coringa. Foram 11 histórias ao todo e algumas muito interessantes se destacam. “Os Arqueiros Verdes do Mundo”, sobre uma convenção de Arqueiros Verdes do mundo inteiro, vindos do México, Africa (um arqueiro branco com roupa de onça), França, Havai, Japão etc, idéia que Grant Morrison está usando, atualmente, em Batman Incorporated. “O Mistério das Flechas Gigantes – Parte 1”, escrita por Jack Kirby e dividida em duas partes, algo raro na época. “Prisioneiros da Dimensão Zero – Parte 2”, onde os destaques são um Arqueiro Verde gigante de outra dimensão e a idéia do Tubo de Explosão introduzido com detalhes mais tarde, na série Novos Deuses. Já “O Primeiro Caso do Arqueiro Verde” conta a origem do Arqueiro e de como ele criou as flechas e, até, a ideia da roupa. A maioria das histórias tem apelo de ficção cientifica, tema que Kirby curtia. Outra curiosidade é que Rosalind Kirby, esposa de Jack, ajudou a fazer a arte-final dessas histórias. Indicado para os saudosistas, para os fãs de Jack Kirby e outros que curtem boas histórias pra passar o tempo. Nota: B (Alvaro Omine)

SUPERMAN: BRAINIAC, de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics): Uma das melhores sagas do Homem de Aço tem início neste álbum, onde o herói descobre que a cidade kryptoniana de Kandor sobreviveu à destruição do planeta, mesmo ficando cativa do vilão Brainiac durante anos. É uma atualização de uma das sagas mais importante do herói nos anos 70 e, aqui, foi desenvolvida em uma trama de mais de um ano de duração, na qual 100.000 kryptonianos chegam à Terra e criam confusão e medo com seus poderes. Com seu amor pelo universo da DC, Johns continua o nome mais importante da editora na atualidade e a arte de Frank é sempre fenomenal, ainda mais com o toque irresistível de dar a seu Superman a cara do ator Christopher Reeve. Aventurão! Nota: B (MM)

NAMOR: AS PROFUNDEZAS, de Peter Milligan e Esad Ribic (Panini): Numa expedição submarina durante a década de 60, um cientista procura um aventureiro que desapareceu procurando a Atlântida. Em meio aos perigos do mar, o cientista ainda convive com o medo de seus comandados pela figura mítica de Namor, o protetor da suposta cidade submersa. Esta é uma das melhores histórias saídas da Marvel nos últimos tempos mas, é bom notar, não é passada no universo normal da editora. Não há referências a outros heróis da casa, a História oficial do mundo não mostra a influência de superseres e este Namor não é o mesmo herói conhecido por todos após lutar abertamente ao lado dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Dá a impressão de que o inglês Peter Milligan bolou uma boa história de terror e adaptou-a – mais ou menos – ao universo Marvel. De qualquer forma, uma ótima e assustadora história, valorizada pela arte impressionante de Ribic, ainda melhor no ótimo papel desta edição de luxo que foi lançada a preço bastante acessível. Nota: B+ (MM)

IGNITION CITY, de Warren Ellis, Gianluca Pagliarini e capas de Felipe Massafera (Avatar): Warren Ellis não é infalível. Para cada ótimo Planetary ou Transmetropolitan que cria, há alguns outros trabalhos muito decepcionantes, a maioria lançada pela Avatar Comics. Mas esta série, felizmente, não é um de seus fracassos. A série conta as aventuras de Mary Raven, filha de um famoso herói espacial, que tenta descobrir o que aconteceu com seu pai, assassinado na cidade do título. O interessante é que a cidade é habitada por tantos outros ex-heróis das estrelas, agora presos à Terra e levando vidas amargas e deprimentes. É um “quem foi” num cenário de ficção científica em que abundam referências a personagens como Flash Gordon, Buck Rogers e Homens-Foguetes. Muito bom, muito divertido e muito violento. Você sempre quis ver o resultado realista de uma arma de raios em ação? Essa é a história pra você. Nota: B+ (MM)

EL ALAMEIN E OUTRAS BATALHAS, de Yukinobu Hoshino (New Pop): Para quem gosta de histórias de guerra, principalmente da Segunda Guerra Mundial, esta edição é uma boa pedida, apresentando algumas histórias fechadas sobre batalhas navais, aéreas ou em terra. Uma delas, em especial, cria um cenário fantástico onde um grupo de soldados descobre, no deserto, ruínas com segredos que, se revelados, poderiam mudar tudo que se sabe sobre a história humana. Interessante, inteligente e tenso, mostrando a inutilidade da guerra e criando um divertido personagem, o General Berserker, que é uma sátira ao grande comandante norte-americano do período, o General Douglas MacArthur. Nota: C+ (MM)

HAUNT, de Robert Kirkman, Todd McFarlane, Greg Capullo e Ryan Ottley (Image): Conta a história de Daniel Kilgore, um padre católico que é assombrado pelo fantasma de seu irmão Kurt, um agente secreto assassinado. Finalmente, depois de quase 20 anos, McFarlane cria um novo personagem e, o que é melhor, com personalidade definida, poderes definidos e histórias compreensíveis. Tudo, claro, graças ao seu co-criador, Robert Kirkman, de Os Mortos-Vivos (The Walking Dead). Diferentemente de Spawn – que me desculpem os fãs – Haunt segue uma linha de história simples, objetiva e clara: a de um super-herói que caça vilões e a de irmãos que não se dão bem, mas precisam conviver um com o outro, na marra. Segredos, traições, sexo, drogas, violência explicita – e sangue, muito sangue, em baldes – é o que você pode encontrar nesta série, que, definitivamente, não é pra crianças. E a arte é belìssima, feita pelos layouts do Greg Capullo (Spawn), lápis de Ryan Ottley (Invencível) e arte-final do próprio McFarlane. Pode-se dizer que esta série é o que Spawn nunca foi. Um gibi pra entreter, curtir e colecionar. Nota: B (AO)

GRENDEL: BEHOLD THE DEVIL, por Matt Wagner (Dark Horse): Infelizmente, foi publicada no Brasil pouca coisa do personagem Grendel, a maior criação de Matt Wagner. Uma saga policial que desenvolvou-se em um épico de terror e ficção científica ao longo dos anos, é leitura obrigatória para qualquer fã de HQs. Aqui, o autor volta às origens do genial Hunter Rose, o primeiro Grendel, e insere na trama alguns dos elementos sobrenaturais que apareceram mais tarde na cronologia. Rose continua em sua jornada para dominar o submundo do crime à noite enquanto, de dia, usa a identidade de um escritor famoso, até perceber que há um ser invisível o observando e acompanhando seus passos violentos. Ação, terror e uma trama muito bem construída, valorizada pela arte em preto e branco e os efeitos em vermelho. Nota: A- (MM)

VICTORIAN UNDEAD: SHERLOCK HOLMES VS ZUMBIS, de Ian Edginton e Davide Fabbri (DC/WildStorm): Você gosta de Sherlock Holmes? Gosta de histórias de Zumbis? Bem, nem assim essa minissérie vale a pena. Holmes e seu amigo, o Dr. Watson, investigam alguns casos em que os mortos estão voltando à vida e ameaçam dominar a Inglaterra com uma praga que se espalha rapidamente. No fundo, é tudo um plano do diabólico Professor Moriarty, o mais clássico dos inimigos do detetive. Contando assim, pode parecer interessante. Mas não é. Embora fique claro que Edginton conhece Holmes e seu mundo, a caracterização é fraca e o detetive não tem o menor carisma. Há poucas cenas de ação e, quando elas aparecem, não empolgam. Para complicar, ainda são colocados na trama alguns robôs superavançados e irreais para a época. Bobo e muito menos do que elementar. Nota: D (MM)

BANDO DE DOIS, de Danilo Beyruth (Zarabatana): Todo mundo já falou desse álbum lançado ano passado, mas nós ainda não tínhamos comentado. Com influências que vão de Jack Kirby a Stephen King, Beyruth conta aqui a aventura vivida por dois cangaceiros que são os únicos sobreviventes de um massacre de seu bando e resolvem, por motivos diferentes, resgatar das mãos dos “macacos” as cabeças decepadas dos seus amigos mortos. Sem nenhuma das encucações, críticas sociais equivocadas e (vamos ser sinceros) chatices insuportáveis que dominam a maioria dos quadrinhos brasileiros para adultos, Bando de Dois é uma aventura cinematográfica e tanto, um faroeste que deixaria Sergio Leone ou Don Siegel orgulhosos. Muita ação, bom desenvolvimento de personagens, roteiro cheio de surpresas e ótima arte fazem desse álbum a melhor HQ que li em 2010. Se não leu, corra pra pegar enquanto torcemos pela vinda de um Bando de Três. Nota: A (MM)

E você, tem lido HQs legais recentemente? Ou leu uma HQ tão ruim que vai mandar todos evitarem? Comente abaixo!

Trailer: O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO?


6 comentários sobre “CRÍTICA HQ: 10 Quadrinhos lidos e comentados por nossa equipe

  1. Comparando com as HQ’s produzidas em décadas anteriores, as atuais deixam muito a desejar. As editoras se perderam ao desvirtuarem a essência de personagens clássicos e aderirem à proposta das sagas confusas e crises intermináveis.

  2. Muito legal essa seção, podem fazer sempre que possível! Nota 1000.

    Gostei muito de ‘Strange Tales’, uma coletânea de artistas independentes, underground, whatever, fazendo histórias com os personagens da Marvel. Parece que lançaram o segundo volume, que tem uma história sensacional onde o Peter Parker, nas conversas com o Jameson e Tia May, fica inventando desculpas furadas pros ferimentos adquiridos durante as lutas como Homem-Aranha.

    Tipo, num quadrinho mostra ele lutando contra Rattus, o Homem-Rato num esgoto e sendo literalmente coberto de ratos. No quadrinho seguinte, ele tá todo cheio de curativos e falando pro Jameson: “meu hamster escapou da gaiola e foi difícil de capturar ele de volta.” Ou ele levando choque do Electro e depois falando “enfiei o garfo na torradeira”. Hilário!

    Maurício, me tira uma dúvida. Eu comprei esse do ‘Namor: As Profundezas’ e também achei ótimo. Gosto muito do Milligan desde que li ‘Skreemer’ pela primeira vez, e aqui ele caprichou mesmo na história. Mas tem uma coisa esquisita nesse gibi: achei que o papel é de um fedor desgraçado! Nunca vi um gibi tão fedorento! Fui sorteado ou o seu também veio assim?

  3. Gustavo,

    A minha estava normal. Ou, ao menos, não notei o tal cheiro terrível, não. Às vezes, quando a revista é impressa, montada e logo colocada no plástico (ou “shrink”, nos termos das gráficas), os gases e cheiros da tinta ficam presos ali e, quando se abre o plástico, o cheiro pode ficar meio forte. De repente, foi isso. Vê se, agora, após um tempo, o cheiro continua.

    E bom que gostou da seção, pretendemos mantê-la, sim… ainda mais se os outros membros da equipe começarem a ajudar ao mim e ao Alvaro!!!

    Divulgue a seção por aí!

    Abraço,

    Maurício

  4. Gostei bastante desse seção, é difícil achar críticas legais no Brasil sobre uns quadrinhos diferentes ainda mais importados.

    O bom do Antiprograma e dos textos do Antigravidade é que parece que estamos ouvindo amigos conversando. Valeu.

  5. Maurício,

    fui cheirar o Namor (epa!) e não tá com cheiro de peixe estragado mais, acho que foi isso que você disse mesmo, dos gases da tinta. Agora tá com aquele cheiro normal de gibi novo que todo mundo adora. O engraçado é que ele foi o único do lote que veio fedendo, lembro que mostrei o Terra X pra minha sobrinha de 4 anos e ela falou “que selo gotoso!”

    Aliás, posso des-recomendar o Terra X? Achei um porre, super pretensioso, enrolado demais, arrastado, um tédio. Eu queria ler faz tempo, por causa daquela lambança que a Mythos fez, e quando vi a edição lindona que saiu aqui, fiquei louco pra comprar, mas me arrependi. Levei uns dois meses pra terminar, não aguentava ler por muito tempo. Parece que os caras quiseram fazer uma obra de arte, uma enciclopédia da Marvel, o maior retcon ever, abrangendo simplesmente TUDO da história da Marvel, e ficou tão chato que matou a diversão. Parece que eles pensaram do modo totalmente oposto ao que o Stan Lee pensava, de fazer uma história divertida. Fujam!

  6. Bom, eu nunca curti muito o TERRA X também. Achei chato desde que li em inglês anos atrás. Mas conheço gente que adora, então pode ser uma questão de gosto, mesmo.

    Aliás, como tudo na vida, né?

    Abraço!

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