Crítica: HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1

Harry Potter está de volta naquele que pode ser o melhor filme da série… por enquanto!

Maurício Muniz

Nos últimos três filmes da série de Harry Potter, tive a mesma reação todas as vezes em que Daniel Radcliffe aparece na tela como o herói. Sempre penso: “Caramba! Como ele cresceu desde o primeiro filme.”

E, na verdade, isso faz parte do charme e do sucesso de Harry Potter no cinema. Não são apenas os roteiros cheios de tipos e situações interessantes, os efeitos especiais incríveis e o charme todo da história criada pela escritora J. K. Rowling. O fato de que vários milhares de crianças e jovens do mundo todo cresceram junto a esses personagens (e a esses atores), que muitos quase os consideram amigos reais ou “membros da família”, ajuda a transformar cada filme da série em verdadeiros eventos para os fãs. E que evento é este último filme!

Muito se comentou sobre a Warner decidir dividir o último livro em dois filmes. Enquanto alguns abraçaram a ideia de que isso eliminaria o “fator correria” que caracterizou os últimos filmes, alguns reclamaram porque este primeiro filme não contaria uma história completa e que a atitude tinha muito de caça-níqueis, com a Warner se agarrando à oportunidade de ganhar os últimos trocados possíveis com a franquia no cinema. Mas a verdade, independentemente de qualquer crítica ou acusação, é que a decisão foi mais do que acertada. A primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte pode até ser o melhor filme da série até agora.

Sim, a decisão de adaptar apenas metade do sétimo livro e deixar a história respirar – sejamos sinceros: os últimos filmes da série pareciam video clipes para quem já tinha lido os livros – acrescenta a dose certa de drama e seriedade que a trama pede. Afinal, estamos presenciando o embate final entre as forças do bem e do mal da mitologia potteriana e isso merece todo o peso possível.

A trama mostra Voldemort (Ralph Fiennes) e asseclas expandindo seu poder através da força e de assassinatos, tomando o Ministério da Magia e criando um poderio que parece impossível de deter. A única chance de vitória é que Harry e seus amigos, Hermione e Ron (Emma Watson e Rupert Grint), consigam encontrar os amuletos mágicos que guardam porções da alma do inimigo e que o deixam virtualmente imortal. Se os heróis conseguirem encontrar todos esses pedaços da alma de Voldemort e os destruírem, o vilão poderá ser vencido. Mas, claro, essa jornada não será fácil – senão, cadê a graça? – e muitos perigos e missões arriscadas surgirão.

Ao contrário da esmagadora maioria das obras infantis e juvenis criadas nos Estados Unidos (onde quase tudo é simplório e não existe nada que possa assustar o espectador/leitor), uma das características principais da literatura fantástica inglesa, mesmo aquele direcionada às crianças, é que são histórias sombrias e pesadas, onde personagens simpáticos morrem, monstros verdadeiramente horripilantes aparecem e, como na vida, coisas muito ruins acontecem a pessoas boas. As tramas criadas por Rowling para os livros não fogem a essas regras e, entre todos os filmes, talvez seja este seja o que melhor mostra até agora o lado negro das aventuras de Harry Potter.

David Yates, que está na série desde A Ordem da Fênix, é um diretor excepcional não apenas para criar visuais impressionantes e dirigir atores, mas também para trazer o tom grave necessário à obra. A cena da reunião dos Comensais da Morte, onde um personagem é torturado, já vai assustar alguns adultos e muitas crianças. O domínio narrativo de Yates é tão bom que já fico imaginando o que ele fará depois da série do bruxinho adolescente. Vale a pena ficar de olho em seus próximos trabalhos. Quem sabe ele não possa assumir a série de Batman depois da saída de Christopher Nolan da franquia? Quebra essa, Warner!

Mas o novo Harry Potter não é só desgraças e cenas assustadoras. Há várias sequências emocionantes de ação e perseguição – algumas diferentes do livro – que equilibram com maestria o tom de humor e a tensão. A missão sob disfarce dos heróis, por exemplo, infiltrando-se no Ministério da Magia, é um momento de deixar o público se remexendo nervoso na poltrona. A segunda metade do filme atenua um pouco o ritmo acelerado do começo, com Harry e os amigos escondidos em sua tenda, discutindo as ações a seguir e transitando meio perdidos pelo interior da Inglaterra. Alguns podem reclamar da falta de ação, mas esses são momentos essenciais para dar clima à história e, mais importante, desenvolver de forma correta os personagens, sua amizade e tudo que vai por suas cabeças – algo que foi pouco mostrado nos filmes anteriores, infelizmente. Como tudo mais que vemos aqui, essas cenas são uma adição mais do que bem-vinda.

Como está claro, o filme não concluirá a história e nem tudo acabará bem (ainda). Mesmo assim, o roteiro consegue apresentar uma resolução bastante satisfatória em meio à toda a carga dramática que veio antes.

Se o filme tem um defeito, é a minúscula participação do sempre brilhante Alan Rickman como o professor Severus Snape, mais isso será compensado no próximo capítulo cinematográfico, que estreia no meio de 2011. E se Yates e companhia conseguirem manter o tom e o ritmo que tem esta primeira parte, o próximo será um filmão.

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:

 

 

5 comentários sobre “Crítica: HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 1

  1. Completamente pottermaníaca que sou, assisti ontem a pré-estréia ontem o/. Comecei a chorar logo nas primeiras cenas… foi tudo tão certo, tão bem pensado. A impressão que passa é que tudo foi feito de coração meeesmo. Isso pode soar meio “emo”, mas o fato é que, por mais que haja uma quantia de dinheiro obscena por trás de tudo, a história é muito MÁGICA!!!
    Assim que se passarem minhas provas, assistirei mais um milhão de vezes.

  2. Gostei. Do texto e do filme. A crianças que eram fãs no 1o. filme cresceram e merecem um filme mais “maduro”. Foi o que receberam. Pra todo mundo chega a hora de deixar a escola e enfrentar o mundo. E em tempos de ENEM, vestibular, a busca do 1o. emprego esse mundo pode ser mesmo um lugar sombrio. Faltou mencionar as referências a 2a guerra, o nazismo e a perseguição anti-semita. A divisão em 2 partes foi perfeita. O final dessa 1a parte me fez lembrar de “O Império Contra Ataca” que tbm termina com o “dark side” na vantagem.

  3. Eles conseguiram transformar a parte do livro que era tediosa (a parte das cabanas é um saco no livro) em um filme muito massa. Os efeitos, o enredo, os personagens, as torturas, etc!

  4. concordo com a jessica. chorei quando a hermione apagou a memoria dos pais dela foi mto triste. gostei mto do filme e achei o melhor da serie. fikei chocada com a mione sendo torturada pela belatriz na casa dos malfoy. a cena do rony indo embora e harry dançando com a mione foi nto tocante e triste. o dobby ter q morrer também foi mágico. concordo tbm com o mateus, a cena das cabanas foi tragica no liovro mas no filme foi tudo d bom. harry, rony e mione enfim crescem de verdade e conhecem realmente o q é o mujndo lá fora e nao ficar debaixo da saia dos pais e de dumbledore, q morreu. minha mae diz q sou obsecada com hp, mas amo de paixao e nunca vou esquecer essa serie q tanto nos motivou e acompanhou na vida. bjs e galera do antigravidade, valeu pela matieria e continuem assim!

  5. essa foto q escolheram para tema foi perfeita, para representar q eles correm contra o tempo e sozinhos, para nao serem pegos. bem bolado. bjs

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