Crítica: SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO

Scott Pilgrim está aqui! E é um dos melhores filmes do ano…

Maurício Muniz

É fácil perceber porque, mesmo com todo o hype e oba-oba em cima de Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. The World, 2010) , o filme não tenha feito sucesso nos cinemas. Simplesmente porque não é um filme pra todo mundo. Talvez não seja um filme pra você. Talvez não seja um filme pra sua cara metade. E, por alguns minutos, eu achei que nem mesmo seria um filme pra mim.

Mas eu explico.

Baseado na série de álbuns em quadrinhos de Bryan Lee O’Malley, o filme já começa de maneira estranha se você não estiver preparado. Logo de cara somos brindados pelo logo da Universal Pictures apresentado como se saído de um game de 8-bits e, apesar da boa piada – já que o filme tem muito a ver com vídeo games -, a brincadeira parece meio longa e exagerada. E os primeiros minutos do filme continuam essa impressão de exagero, seja na edição, nos diálogos, nos efeitos especiais quase sutis e nas onomatopeias que pululam pela tela como se querendo deixar claro que foi baseado num gibi. Tudo parece querer ser meio “descolado” demais ou, pra usar um termo da moda, “meio modinha” demais.

Mas, de repente, é meio como se você sintonizasse a frequência do filme e e percebesse que o importante ali não são as – por falta de termo melhor – afetações todas, mas a história de Scott (Michael Cera), um cara normalzinho de tudo que, de repente, se apaixona pela incrível Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) mesmo enquanto namora a gracinha Knives Chau (Ellen Wong). Ramona é bonita, descolada, inteligente, tem aquele arzinho de “dane-se o mundo” ao qual quase nenhum homem resiste e, mais interessante, consegue pegar atalhos que passam diretamente por dentro dos nossos sonhos (literalmente). Pena, claro, que ela tenha sete ex-namorados malignos que Scott deverá vencer para poder ficar com ela. Os sete ex-namorados são uma boa galeria de alguns dos nomes mais interessantes da nova geração de astros do cinema e não vou falar de um por um (vá dar uma olhada no IMDB se quer saber quem são todos), mas cada um tem um estilo diferente e enfrentarão Scott em embates dignos dos melhores games que você já viu.

Porque Scott Pilgrim contra o Mundo é um game. É um anime. É uma mangá dos bons (mesmo se um mangá americanizado). Mas, mais do que tudo é uma comédia romântica ao melhor estilo clássico de “rapaz encontra moça, rapaz perde moça, rapaz passa pelo inferno e talvez nem assim consiga ficar com a moça no final”. Ok, talvez não seja tão clássico assim… Mas é uma comédia romântica, sim. E se isso te assusta, o azer é seu, porque o filme não é uma comédia romântica comum.

O que diferencia Scott Pilgrim das comediazinhas atuais é um roteiro inteligente e com personagens tão carismáticos que até surpreendem. Mesmo os personagens menores, com participações ínfimas, deixam sua marca na tela e parecem trazer um caminhão de experiências e de vida interessante por trás de cada frase ou aparição, mesmo quando não são muito simpáticos. E se o filme parece ter uma vibração de filme independente inglês em alguns momentos, é provavelmente culpa do maior achado da produção: o diretor Edgar Wright.

Wright é o gênio – junto com os atores Simon Pegg e Nick Frost – por trás de Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, duas das melhores comédias britânicas da década, brincando respectivamente com os filmes de zumbis e com os filmes de ação sobre duplas policiais. E se achou que o termo “gênio” usado aí em cima é um exagero – dessa vez da nossa parte -,  é porque não assistiu os outros trabalhos de Wright, principalmente a FANTÁSTICA, FENOMENAL e  DIVERTIDÍSSIMA Spaced, a melhor série de TV já produzida sobre fãs de quadrinhos, de cinema, de games e de seriados de TV. A sensibilidade engraçada e maluca de Wright, seu senso de como mesmo os grandes heróis podem ser ridículos e de como a vida deveria se parecer mais com – ok, vamos lá de novo – uma HQ, um filme, um game ou um seriado de TV é que fazem seus filmes tão únicos. E Scott Pilgrim não é diferente. É um filme genial (pô, de novo essa palavra?), engraçado e inesquecível, com uma trilha sonora tão cool que você vai querer sair pra comprar o CD assim que sair do cinema.

Se você acha que um filme e um gibi não podem ser apenas divertidos, que precisam trazer alguma mensagem espiritual, crítica social ou algo que mudará sua vida… passe longe, vá por mim. Scott Pilgrim não é pra você. Mas se acha que filmes e HQs foram inventados pra deixar seu dia mais colorido e bacana… esta pode ser uma das experiências mais divertidas da sua vida nos últimos tempos.

Sem exageros.

Cotação Antigravidade:

EPIC WIN!!!

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5 comentários sobre “Crítica: SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO

  1. Cara a long time ago eu lí a primeira edição que saiu em português. Realmente tem um começo que não mostra grandes ambições. Mas se desevolve se forma muito surreal.

    GENIAL, simplesmente genial

  2. We are Sex Bob-Omb! One Two Three Four! \o/
    É divertidíssimo! Pela primeira vez, depois de muitos “filmes quadrinho”, eu tive a sensação de estar lendo um quadrinho na telona! Só aquele Michael Cera que não me desce de jeito nenhum, mas… de qualquer forma…
    PURE AWESSOMENESS!!!!

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