Crítica: ENCONTRO EXPLOSIVO

Tom Cruise. Cameron Diaz. Cenas de ação! Que mais um filme precisa? Xi, tantas coisas…

Maurício Muniz

Pense em tudo que você gosta nos filmes da série Missão Impossível, estrelados por Tom Cruise. Agora pense em tudo que você NÃO gosta nos filmes de Missão Impossível. Agora imagine isso tudo, o bom e mau, um tanto piorado. Bem-vindo a Encontro Explosivo (Knight and Day, 2010), de James Mangold.

A história? Ok, vou tentar. Cameron Diaz é June, uma garota que reforma carros antigos – fato que vai ter pouquíssima relevância na trama, ao contrário do que dá a entender – que, numa viagem de avião, conhece Roy, feito por Cruise, um cara bonitão – “Tom Cruise” e “bonitão” é pleonasmo? As leitoras que me respondam – que, aparentemente, é um agente secreto sendo caçado pela agência que talvez tenha traído. June vai se meter nas aventuras de Roy, que envolvem a procura por uma bateria que nunca acaba, um jovem cientista, tiroteios, explosões, um bombeiro bem-intencionado, um casamento, viagens internacionais e, obviamente, uma boa dose de romance e (tentativas de) humor. Sinceramente, você não precisa saber muito mais sobre a história, pelo motivo principal de que ela não faz muito sentido, pra começo de conversa.

Admito que não fui com a cara do filme desde que vi o trailer. Tudo parecia exagerado, inclusive a interpretação de Cruise e as piadinhas. Ainda assim, tentei não criar preconceito contra o filme, mesmo quando a maioria das críticas vindas de fora falaram mal. Até achei que era bom isso, pois sempre que vejo um filme esperando pouco, acabo gostando mais dele. Não foi o caso aqui.

Embora tente não se levar a sério, Encontro Explosivo não lida bem com seu clima de farsa. Quase todas as cenas de ação são apresentadas com pouca ou nenhuma emoção, aquela coisa feita “by the numbers”: direitinha e bem encenada mas sem criatividade. Um bom exemplo é o avião que faz um pouso forçado logo no começo. O aparelho parece não ter peso real – e nem aparência real, na verdade – ao deslizar por uma plantação destruindo tudo e se partindo ao meio. Um momento que deveria ser de peso dentro da trama – indo no popular: um “momento puta que pariu” – é mostrado como se fosse uma cena menor, quase sem importância. E o filme padece desse mal durante toda a sua duração. Nenhum momento marcante, nenhum perigo que pareça realmente colocar em risco os personagens. Uns assassinos contratados aqui, umas perseguições automobilísticas ali. Até o recente Uma Noite Fora de Série, a comédia com Steve Carrell e Tina Fey, trazia momentos mais emocionantes.

A trama traz alguns “buracos” intencionais, é verdade, quando a personagem de June apaga e descobre-se em outro lugar completamente diferente no momento seguinte. Embora a brincadeira possa parecer divertida, dá mais a impressão de que o roteiro está roubando o espectador de vários momentos interessantes. Um dos buracos não intencionais, porém, é a figura de um dos vilões principais, um poderoso traficante latino que não diz a que veio e nem pra que precisa da tal bateria que nunca acaba. Ele só está ali como mais um dos inúmeros clichês do filme, pra ajudar que existam as cenas de ação. Na metade do filme começa a ganhar corpo a impressão de que o roteiro é uma primeira versão colocada em produção às pressas, sem que os autores tivessem tempo de aparar arestas e resolver várias pendências e problemas da trama. Até o título original é inexplicável: o porque do “Knight” fica aparente, mas “Day”…? Pode até se dizer que seria um trocadilho, “diferentes como a noite e o dia”, mas mesmo assim seria uma desculpinha furada.

Surpreendentemente para um filme morno onde até Cameron Diaz está sem graça, a melhor coisa é a presença de Tom Cruise. O papel de Roy Miller não é brilhante e o ator parece ter topado o filme porque precisava de um sucesso de bilheteria na carreira – algo que não tem há anos e que, pelo jeito que anda a coisa para Encontro Explosivo nas bilheterias lá fora, ainda não foi desta vez que conseguiu. Mas Cruise, ao menos, mostra que tem o carisma e a presença de um grande astro, não importando as coisas estranhas que rodeiam sua vida fora das telas, como a Cientologia, ficar pulando no sofá da Oprah ou, supostamente, comer a placenta da filha recém-nascida. Fica a torcida que ele encontre logo um papel, um roteiro e uma bilheteria melhores.

Muita gente na sessão pra imprensa pareceu gostar do filme, inclusive a menina no fundo da sala que ria desesperadamente até das piadinhas mais bobas. Talvez você também goste, se não esperar demais. Mas duvido que o filme vai conseguir ficar na sua mente mais do que dois minutos depois que os créditos terminarem de subir. A não ser como uma boa oportunidade desperdiçada.

Cotação Antigravidade:

Trailer STEPHENIE MEYER E A ORIGEM DE CREPÚSCULO:


2 comentários sobre “Crítica: ENCONTRO EXPLOSIVO

  1. po, achei que o titulo do filme tivesse a ver com onome dos personagens além da alusao ao “noite e dia” mas pelo visto o personagemdo cruise se chama Roy Miller?

    Que pena que o cara não ta conseguindo emplacar…

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