Crítica: KICK-ASS – QUEBRANDO TUDO

Uma visão realista sobre os super-heróis ou uma aventura que não se leva a sério? Kick-Ass consegue ser as duas coisas

Maurício Muniz

Alta expectativa pode ser uma coisa muito ruim. Assistir um filme (ou ver o último episódio de Lost ou ler um livro ou uma história em quadrinhos)  esperando demais pode causar uma grande decepção se a obra não atender ao que gostaríamos. Isso é algo que todo bom nerd já experimentou em algum momento da vida.

Mas e aquela sensação ótima, quando o filme se mostra ainda melhor do que esperávamos MESMO com a expectativa nas alturas? Por sorte, é essa a sensação que fica quando Kick-Ass termina.

Baseado numa HQ de Mark Millar e John Romita Jr. ainda inédita no Brasil (e que nem eu li! A Panini deve lançar o encadernado em capa dura até a semana que vem), o filme mostra um rapaz normal, o novaiorquino e leitor de quadrinhos Dave Lizewski (o inglês Aaron Johnson) que, cansado de ser assaltado e passar outros apuros, resolve se transformar num super-herói. A lógica dele é o mesmo pensamento que qualquer leitor de HQs já teve uma vez ou outra: “Como é que ninguém ainda pensou em virar o Batman em nosso mundo”? A resposta óbvia, claro, é que ninguém é louco o bastante. E o próprio Dave descobre que a coisa não é mesmo tão fácil logo em sua primeira investida usando um uniforme comprado na internet e adotando o codinome de Kick-Ass (que pode ser traduzido como “Detonador” ou “Surrador” ou “Fodão”). Mesmo não sendo exatamente um herói perfeito ou, na verdade, tão “heroico”, logo Kick-Ass se torna uma figura famosa e ganha inúmeros admiradores e até alguns imitadores.

Dois desses que resolvem vestir-se como super-heróis são Damon Macready (Nicolas Cage) e sua filha Mindy (Chloe Grace Moretz), que adotam os nomes de Big Daddy e Hit Girl e atacam o império do mafioso Frank D’Amico (o ótimo Mark Strong, de Sherlock Holmes). Os motivos da dupla são explicados no filme em forma de história em quadrinhos e, mais bacana ainda, no famoso traço (“famoso” pra quem lê quadrinhos, claro!) do próprio Romita Jr. Outro que também resolve virar super-herói, mas por motivos diferentes, é Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse, de Superbad – É Hoje), filho de Frank, que se torna o Red Mist, com direito até a um carro superpossante.

Nada disso dito acima, sobre a trama, ainda deixa claro porque vale a pena ver o filme. E não vamos falar mais sobre a história porque a intenção é não estragar as várias surpresas. Já têm sites demais por aí que vão falar mais do que deviam. O que você precisa saber é que Kick-Ass é, para ir direto ao ponto, genial. Melhor, deixe eu enfatizar isso pra não haver dúvida:

KICK-ASS É GENIAL!

O filme é uma homenagem e, de certa forma, uma crítica aos super-heróis bem ao estilo das histórias criadas por Mark Millar (como Procurado, que também virou filme). A tônica usada em boa parte é a do humor negro e da violência exagerada. Aqui, o herói apanha de maneira muito menos espetacular do que, por exemplo, o Homem-Aranha em seus filmes, mas de uma forma bem mais violenta. Os quebra-paus são verdadeiramente doloridos, ainda mais porque o roteiro faz com que nos importemos com o personagem principal e sua cruzada pra fazer do mundo um lugar melhor.

É quase surpreendente que um diretor até então aparentemente comportado como Matthew Vaughn (de Stardust: O Mistério da Estrela) adote aqui uma tônica tão amalucada, como se fosse um Tarantino tresloucado, criando uma violência de desenho animado marcada pelo diferencial de ter consequências reais. Todo mundo bate e apanha em ritmo frenético, mas acaba machucado de verdade ao final. Imagine o Papa-Léguas e o Coiote em uma de suas rusgas, com ambos armados até os dentes e um deles morrendo ao final. É por aí. Podem chamar Vaughn pra dirigir todas as adaptações de nossos quadrinhos favoritos dos últimos anos, como Preacher e Lobo e o cara não vai fazer feio.

Quem rouba o filme, você já deve saber, é a personagem de Hit Girl. Uma menina de 11 anos usando lâminas e armas de fogo pra causar chacinas poderia facilmente cair no ridículo, mas ela é quem protagoniza os melhores momentos do filme. Ela é mais interessante até do que o próprio herói principal e, de longe, muito mais durona. Outra boa surpresa é a atuação de Nicolas Cage. Após alguns anos amargando papéis e filmes ruins, o ator (que adora histórias em quadrinhos) cria um ótimo personagem como seu Big Daddy. Em alguns momentos, Cage ainda está meio careteiro e afetado, mas quando coloca seu uniforme que parece uma mistura do Batman dos filmes atuais com o do seriado dos anos 60, o ator se transforma. Sua interpretação de Big Daddy aí é uma referência direta à de Adam West, com os mesmos maneirismos e entonações. Pra quem tem o Homem-Morcego de West como seu primeiro referencial do herói, é impossível não sorrir com a brincadeira de Cage.

A trilha sonora é outro achado, misturando sem pudor música clássica, temas de desenhos animados e algumas canções pop para ajudar a criar o clima de “vale tudo” da história. Há uma composição incidental feita por Danny Elfman, mas ela quase se perde em meio ao resto e, na verdade, não faz falta.

Kick-Ass consegue mostrar que o conceito do super-herói, um cara fantasiado lutando contra o crime, pode ser ridículo e sublime ao mesmo tempo. Em meio às piadas maldosas do ótimo roteiro de Jane Goldman e Vaughn, há a crítica a essa sociedade violenta que cerca o homem moderno e um monte de personagens com os quais o espectador realmente se importa, mesmo se eles se mostram um tanto rasos. E sua discussão do papel do “super-herói num mundo real” (quantas vezes já ouvimos ou lêmos essa frase em centenas de lugares) se mostra até mais relevante, sincera e interessante do que a de Zach Snyder em seu Watchmen. É um filme pra ver, rever e, pra muitos, talvez acender – ou reacender – o interesse no mágico mundo das histórias em quadrinhos.

Agora é so torcer pro gibi ser metade tão bom…

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:

Trailer: STEPHENIE MEYER E A ORIGEM DE CREPÚSCULO:


20 comentários sobre “Crítica: KICK-ASS – QUEBRANDO TUDO

  1. Finalmente um filme que valeu a pena pagar o ingresso.
    Sem deixar spoilers, o final do filme e a motivação do Big Daddy são diferentes dos quadrinhos. Afinal o comic foi terminado após a produção do filme, mas não deixa nada a dever.
    Só uma pergunta, na cena final do Dave Lizewski, quem são as meninas?

  2. Mauricio, talvez eu tenha entendido errado, mas tanto no gibi como no filme eu tive a impressão de que o Big Daddy e a Hit Girl já existiam antes do Kick-Ass aparecer. Não achei que eles foram no embalo.

    Realmente, ver a arte do Romita Jr sendo usada pra contar a história do Big Daddy foi muito legal. Fiquei procurando o Millar no filme, mas parece que cortaram a participação dele. O Romitinha aparece no bar, mas de costas!

    Quanto ao nome do heroi, eu sempre achei que traduziriam como “Porrada”. Não que os tradutores sejam sempre sensatos (“Caveira Carcará” me vem à mente agora…), mas soa melhor “vou te encher de porrada!” do que “vou chutar a sua bunda!” Mas eu assistiria um filme chamado FODÃO.

    Trigo, na cena final o Dave tá com a namorada e o amigo dele tá com a amiga dela. Ops, redundancy alert!

  3. Gustavo,

    Mas, pelo que entendi, os dois assumiram os uniformes de herói só depois da aparição do Kick-Ass. Antes eles atacavam sem uniformes… Se é que atacavam. Mas estou falando do filme, não li a HQ ainda.

    Trigo,

    Se entendi a pergunta, é isso mesmo que o Gustavo falou.

  4. Hollywood e seu poder mutante de conseguir cagar em toda adaptação que faz… livros, quadrinhos, video games, teatro, música, parque de diversão, jogo de tabuleiro, palavras cruzadas, série de tvs, luta de travesseiros, pornos…

  5. Adorei a crítica e o filme é fodão

    Mas tipo assim, tu não leu a HQ, ok

    Mas falar q o Red Mist eh filho do Frank eh um puta spoiler, a meu ver😄

    Bem, eu acho, pleo menos rsrsrs

    Abx

  6. Fábio,

    Mas do ponto de vista do filme, o Red Mist ser filho do Frank não é spoiler. E a crítica é para o filme.

    Mas também quero ler a HQ! Cadê ela que não acho? =)

  7. Na verdade fiquei na dúvida, por que nesta cena a menina esta dando uns malhos em outro cara.
    Ou seja são dois caras + as duas minas e o Dave de vela.

  8. Mauricio, na Banca 2000 já tem pra vender, tá 44 reais. Tomara que o estoque seja grande, só vou poder comprar no fim do mês!

    Trigo, veja o filme de novo. O Dave é o da direita, quem tá de vela é um dos amigos dele.

  9. Foi muito tempo esperando pra ver esse filme.
    Penso que talves minha expectativa esteva alta demais.
    As cenas de ação realmente foram tudo que prometeu, mas teve muitos momentos arrastados no filme, quebrava o clima, cenas desnecessarias e pouca profundidade no personagem principal.
    Se eu tinha dúvidas que Nicolas Cage,pudesse faser novamente um bom papel num filme de ação (qualquer filme aliás), elas definitivamente foram sepultadas com concreto neste filme.
    E pra mim não chega aos pés de Watchmen que com todos seus “defeitos” passa de forma mais viceral o que seriam heróis no mundo real (guardadas as devidas proporções dos personagens em cada estoria)

    Só o que é bom no filme mesmo é a Hit girl.

    Um abraço!

    p.s Fodão são vc’s no antiprograma, do caralho! Baixei todos os disponíveis pra ouvir com calma.

  10. kick-ass é um filme que estou ancioso pra assistir! todo mundo que a atuação da chloe é fantastica e eu concordo por que a menina além de ser uma graçinha é muito talentosa e trabalha como atriz faz um tempo! quero ver kick-ass chutando os traseiros dos bandidos na telona com toda a violência do mundo!

  11. Esse filme pra ser uma !%#&% tem que melhorar muito.
    O protagonista não é esse Donzelo de verde, e sim o Big Daddy (Nicolas Cage) e sua filha.
    O humor é previsível e besta. Ja vi piores melhores.

  12. Esse filme é uma bosta, não acreditei que um ator como o Nicolas Cage participou desse lixo. Se eu tivesse lido tudo que falaram antes de assistir o filme, ficaria profundamente frustrado. Ao meu ver, o grau de tosquice do filme quase chega ao nível do Zorra Total (ótimos atores, péssimo enredo com inumeros clichês).

  13. Gustavo,

    Mas, pelo que entendi, os dois assumiram os uniformes de herói só depois da aparição do Kick-Ass. Antes eles atacavam sem uniformes… Se é que atacavam. Mas estou falando do filme, não li a HQ ainda.

    Trigo,

    Se entendi a pergunta, é isso mesmo que o Gustavo falou.

    Mas com certeza não usavam roupas normais que mostrasse a cara.

  14. Esse filme é uma bosta, não acreditei que um ator como o Nicolas Cage participou desse lixo. Se eu tivesse lido tudo que falaram antes de assistir o filme, ficaria profundamente frustrado. Ao meu ver, o grau de tosquice do filme quase chega ao nível do Zorra Total (ótimos atores, péssimo enredo com inumeros clichês).

  15. E pra mim não chega aos pés de Watchmen que com todos seus “defeitos” passa de forma mais viceral o que seriam heróis no mundo real (guardadas as devidas proporções dos personagens em cada estoria)

    Seriam ridiculos.Por isso Kick Ass foi mais longe e consegue ser mais filme.Tem humor acido o suficiente para aceitar o quanto é ridiculo ter heróis no mundo real.

  16. Ótimo filme, realmente genial. Para quem disse que Hollywood estraga as adaptações precisa saber que este filme não foi bancado por Hollywood, mesmo porque ninguém quis assumir o filme pelo fato de ter uma menina de 11 anos lidando com armas e facas. Os caras foram atrás de grana para bancar o filme. Qualquer um que diga que o filme é ruim só pode ser porque não tem nenhum senso crítico. Ou já está tão alienado com os filmes made hollywood, que já não conseguem diferenciar o que é bom do que não é. Uma pena, alienação mata!!

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