Crítica: UMA NOITE FORA DE SÉRIE

Você já viu esse filme antes! Mas isso não é um problema…

Maurício Muniz

Se você pega Steve Carrell, um dos comediantes mais legais e simpáticos do momento, e o une a Tina Fey, famosa pelo seriado 30 Rock e sonho de consumo pra muito nerd marmanjo, e os coloca num filme onde precisam fugir de bandidos em meio a um monte de piadas legais, as chances são de que esse filme será um programão e tanto, certo?

Bem, mais ou menos.

Na trama de Uma Noite Fora de Série (Date Night, 2010), Carell e Fey interpretam Phil e Claire Foster, um casal suburbano normal, com dois filhos e uma vida um tanto sem graça, em que nada de muito interessante acontece. A maior diversão do casal, na verdade, é sair uma vez por semana para um cineminha e um jantar em restaurantes normaizinhos e pouco glamurosos. Até o dia em que resolvem ter uma noite mais agitada num restaurante da moda, acabam confundidos com um casal de chantagistas e começam a ser perseguidos por bandidos que, entre outras coisas, querem matá-los. A partir daí, seguem-se algumas correrias divertidas, com o casal boa-praça investigando por conta própria o que está por trás da confusão em que se meteram.

Até aí, tudo de bom. A história do sujeito comum confundido com alguém perigoso é um dos alicerces do cinema comercial e já rendeu obras ótimas, como Intriga Internacional, de Hitchcock. Mesmo quando a trama é usada como mote para uma comédia de erros, ainda cria possibilidades narrativas bastante interessantes, como em O Expresso de Chicago, com Billy Wilder e Richard Pryor. E também poderia fazer de Uma Noite Fora de Série um filme memorável, se não fosse pela direção insossa e burocrática (como sempre) de Shawn Levy.

Em Hollywood o valor de alguém não é medido pelo seu talento, mas pelo seu sucesso. Apesar da mão pesada e da falta de criatividade, Levy dirigiu alguns filmes que sairam-se bem nas bilheterias como Uma Noite no Museu 1 e 2, A Pantera Cor-de-Rosa e Recém-Casados. O sucesso desses filmes se deu pela presença de seus astros e pelo trabalho de divulgação dos estúdios porque eram todos medianos, se tanto. A boa notícia é que Levy, apesar de tudo, não consegue estragar muito Uma Noite Fora de Série.

Piadas, o roteiro traz aos montes: uma perseguição de automóveis que envolve, além dos heróis e dos bandidos, um motorista de táxi, é hilária e um dos pontos alto do filme. Os mistérios da história não são tão misteriosos assim (quase qualquer um acostumado aos clichês do cinema ou que conheçam alguns atores que obviamente não estariam ali pra fazer uma ponta de 20 segundos já tem uma idéia do que vem pela frente), mas seguram a atenção. Algumas das sequências mais (ou menos) sérias, aquelas onde os personagens param por alguns minutos para discutir seu relacionamento, são previsíveis mas você sabe que elas precisam estar lá. Mas nada é genial e, em grande parte, a culpa é de Levy com sua direção padronizada e falta de inspiração. Como sempre, ele parece estar ali apenas pra dizer “ação” e deixar as coisas acontecerem por conta própria. E sua mania de deixar os atores improvisarem muitas cenas e inserirem material à sua escolha – em todos os seus filmes há cenas do tipo -, geralmente dá origem a momentos cansativos.

Assim, como não poderia deixar de ser, toda a força e as qualidades de Uma Noite fora de Série acabam residindo no carisma e no talento dos atores. Carell e Fey estão muito bem, divertindo-se com os papéis e mostrando isso ao espectador. É deles a função de carregar o filme e o fazem com louvor. Honras também ao terceiro nome do elenco, Mark Whalberg, que consegue ser engraçado mesmo fazendo cara de nada na maior parte do tempo, como um especialista em segurança que parece ser alérgico a camisetas (como diria meu amigo Marcelo Fernandes).

A presença de uma penca de coadjuvantes legais também ajuda a manter o interesse. Se você não prestar muita atenção à lista do elenco antes de sentar pra ver o filme, vai ter algumas surpresas legais ao descobrir a presença de Mark Ruffalo, por exemplo (tá, já falamos demais, descubram sozinhos de quem são as outras participações especiais).

Com tudo isso, Uma Noite Fora de Série não é genial, não é a comédia do ano e não vai entrar na lista de ninguém como um dos 10 melhores filmes de 2010. Mas vale a ida ao cinema pra ver Fey e Carrell no auge da forma, curtir algumas boas piadas e uma trama que pelo menos não ofende demais a inteligência. Ou seja: se você é casado e vai sair para um jantar e um cineminha esta semana, este filme é uma boa pedida.

Só não espere nada fora de série…

COTAÇÃO ANTIGRAVIDADE:

6 comentários sobre “Crítica: UMA NOITE FORA DE SÉRIE

  1. puuuuuuuutz… como eu nao descobri esse blog antes..! é otimoo!
    concordoooooooooo com a sua opiniao sobre o filme, realmente ele eh bem divertido, mas nao assistiria novamente…
    dei boas risadas, e adorei a participacao do “alergico a camisetas” ahahuahuahuhaua
    😀

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