Crítica: ILHA DO MEDO

Nova parceira de Scorcese e DiCaprio é um suspense eficiente e com surpresas interessantes

Maurício Muniz

Primeiro, a informação mais importante:

Ilha do Medo, o novo filme de Martin Scocese (diretor de Cabo do Medo, Taxi Driver, Touro Indomável, O Aviador e muitas outras pérolas do cinema contemporâneo), é baseado num livro de Dennis Lehane chamado no Brasil de…

Não queira saber, sinceramente. É de se imaginar o que passa pela cabeça do pessoal de marketing das editoras brasileiras quando resolvem usar, numa obra literária, um título que não apenas entrega uma grande mistério da trama como, de quebra, ainda insinua mais do que deveria sobre a própria resolução. Depois que a Paramount resolveu dar o nome de Ilha do Medo à adaptação do romance Shutter Island, a editora brasileira voltou atrás e rebatizou o livro com o mesmo nome. E se você não sabe ou esqueceu qual era o título anterior do livro no Brasil, que foi o mesmo pelo qual alguns sites e revistas chamaram o filme até há poucos meses, não faça questão de saber antes de assistir Ilha do Medo. Confie em nós.

Passado o aviso importante, vamos à crítica:

Estrelado por Leonardo DiCaprio e trazendo um elenco coadjuvante muito bom, como Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max Von Sidow e Michelle Williams (que percorreu um longo caminho desde Dawson’s Creek), Ilha do Medo se passa em 1954, quando dois policiais vão até uma ilha, onde localiza-se um manicômio judiciário, investigar a fuga misteriosa de uma paciente. Um dos policiais, o sempre incomodado Teddy Daniels (DiCaprio) mostra-se muito mais afetado pelo lugar e seus pacientes loucos do que seu parceiro,  Chuck Aule (Ruffalo). Enquanto interroga pacientes, analisa pistas e procura pela paciente desaparecida em possíveis esconderijos pela ilha, Daniels começa a ter flashbacks de quando era soldado na Segunda Guerra Mundial e participou da libertação de um campo de concentração nazista, tem constantes sonhos e alucinações com a mulher morta (Williams) e passa a entrar em atrito com os médicos que dirigem o sanatório: o Dr. Crawley (Kingsley) e o Dr. Naehring (Von Sidow), um alemão que, suspeita o detetive, talvez fosse ligado aos nazistas no passado. A certa altura, quando nenhuma das pistas seguidas pelos dois policiais parece fazer sentido, os dois começam a perguntar-se se não teriam caído eles próprios numa cilada que teria, como objetivo final, mantê-los presos no hospício.

Scorcese emula aqui um tanto o estilo de Alfred Hitchcock, tanto no clima denso e na fotografia antiquada, quanto no estilo da trilha sonora, aos cuidados de Robbie Robertson. O filme tece sua trama num ritmo calmo mas opressivo, que envolve o espectador no mistério a ser desvendado e cria ramificações inesperadas. Um ponto que parece falho no filme, a princípio, é sua edição, que parece um tanto desconjuntada e feita às pressas, mas que, conforme o tempo passa, leva a pensar se não seria um artifício proposital para ajudar a compor o clima meio alucinógeno da trama.

Não é um filme para quem gosta de ação e tiroteios, mas para quem aprecia bons roteiros e bons diálogos – aqui cheios de mentiras, verdades e verdades mentiroras – e boas interpretações. Provavelmente, boa parte da crítica brasileira vai falar mais do que deveria sobre o filme e suas surpresas finais, indicando que você deveria ter prestado atenção a este ou aquele detalhe e blá blá blá. Como nós do Antigravidade somos legais, vamos parar por aqui mesmo, apenas reafirmando que Ilha do Medo vale o ingresso. É um suspense eficiente, com ótimas reviravoltas. Com certeza, um dos melhores filmes deste ano, até o momento.

Pode ir assistir sem… ok, você já entendeu a piadinha!

Cotação Antigravidade:



6 comentários sobre “Crítica: ILHA DO MEDO

  1. Nossa, to sentindo falta dos artigos daqui, 1 vez por semana é muito pouco!
    Já tive preconceito quanto ao Di Caprio, mas ele se mostrou um otimo ator e estou ansiosa para assistir esse filme, adoro um drama

  2. Paola,

    Eu também não curtia o DiCaprio… Bom, na verdade ainda não sou tão fã, mas que o cara é competente, é.

    Volte sempre! Prometo falar mais de cinema, ok?

    Maurício

  3. Excelente filme.. mas que trama em si me lembra Uma Mente Brilhante. ahhhh isso lembra.

    Não que excusão seja parecida, mas a condição e a história em si lembra muito.

    Tirando Titanic, acho que gosto de todos os filmes que o DiCaprio fez posteriomente.

  4. tambem gosto dos filmes do dicaprio ta mais q provado q o cara e um otimo ator ilha do medo se tivesse no oscar seria o grande filme do oscar!! martin e dicaprio parceria de ouro!!!

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