Crítica: O LOBISOMEM

Boa refilmagem de um clássico do terror… ou um novo Van Helsing?

Maurício Muniz

Desde o sucesso de A Múmia, em 1999, a Universal vem tentando reviver todos aqueles filmes de monstros que produziu entre as décadas de 30 e 40, dando-lhes uma roupagem mais antenada com o público de cinema atual (leia-se: a molecada). Um desses produtos do estúdio foi o sofrível Van Helsing, em 2004, uma pretensa aventura de terror pelos mesmos realizadores de A Múmia, onde o herói enfrentava Drácula, o monstro de Frankenstein e o burrinho do Shrek… ops, digo, o Lobisomem. O filme não foi o sucesso esperado (embora QUEM esperava que fosse um sucesso ainda continua um mistério) e a Universal deu uma pausa em seus projetos de reviver seus montros do passado.

Ou não? O Lobisomem (The Wolfman, 2010) é uma refilmagem de um dos maiores sucessos do estúdio, feito em 1941, que gerou várias continuações e derivados, inclusive um onde o monstro encontrava Drácula, Frankenstein e os comediantes Abbot e Costelo. Mais divertido que o Van Helsing com Hugh Jackman, acredite. Embora, admitimos, não tão engraçado.

A trama do filme novo é bem próxima à do original, apesar de transferir a ação para a Inglaterra vitoriana: após a morte do irmão pelo que parece ser uma fera selvagem, o ator Lawrence Talbot (Benicio del Toro) volta para casa na intenção de descobrir o que aconteceu. Ali ele reencontrará seu velho pai, Sir John (Anthony Hopkins), excêntrico e meio amalucado, e a noiva-viúva do irmão, Gwen Conliffe (Emily Blunt), por quem vai acabar se interessando. Após algumas investigações, Lawrence é ele próprio atacado e mordido pela fera demoníaca – numa sequência violenta onde o bicho mata metade de um acampamento cigano – e, surpresa, alguns dias depois descobre que a cada noite de lua cheia é ele quem vai se transformar num lobisomem.

Também envolvem-se na história o servo de Sir John, o indiano Singh (Art Malik), que guarda balas de prata em seu quarto – não por hobby – e o Inspetor Aberline (Hugo Weaving, que a todo momento parece que vai soltar um “Mr. Anderson” para Talbot), um policial da Scotland Yard que investigou o caso de Jack, o Estripador, o que nos leva a crer que sua experiência básica é nunca prender o culpado.

Achou interessante? E é mesmo, o que não quer dizer que o fique não tenha alguns problemas. Pra começar, embora seja louvável a intenção de fazer um filme à moda antiga, com muito clima, pouca ação e criando expectativa para a aparição do monstro, o ritmo aqui sofre um tanto. Há momentos em que todos parecem meio sonâmbulos em suas interpretações e de vez em quando o expectador corre o risco de seguir o mesmo caminho e dar uma cochilada. A estrutura do filme, por sua vez, parece um tanto desconjuntada. Embora a história seja simples e siga do ponto A ao ponto B e depois ao C sem muita firula, há ocasiões em que isso parece atrapalhar: momentos que deveriam ter mais peso não tem, algumas cenas dramáticas parecem passar rápido demais. As sequências violentas (que são o que deve atrair a acima citada molecada) são bem feitas e, em sua maioria impressionam, mas mesmo assim dão a impressão de que falta mais seriedade ali. Exatamente (veja só) como nos filmes de terror dos anos 30 e 40.

Talvez a culpa seja da produção bagunçada, que teve troca de diretores no meio do caminho, cenas refilmadas às pressas e vários atrasos na data planejada para a estreia. Anthony Hopkins, numa entrevista à revista inglesa Empire disse que adoraria trabalhar de novo com o diretor “oficial” do projeto, Joe Johnston (o mesmo de Rocketeer, Jumanji e Jurassic Park III), e deve ser porque Johnston não deve ter exigido muito do velho ator: apesar de uma ou outra cena competente, Hopkins parece estar ligado no automático, principalment no confronto final com seu filho. De qualquer forma, Johnston é o que menos se pode culpar por qualquer entrave do filme, uma vez que o assumiu às pressas para salvar o investimento da Universal (que, talvez por agradecimento, deu o filme do Capitão América para ele dirigir).

Mas não duvide: O Lobisomem vale a ida ao cinema. Mesmo que seja pelas cenas de selvageria da criatura – a melhor delas sendo aquela mostrada nos trailers, onde Talbot se transforma frente a uma junta médica que não acredita que possam haver homens que viram lobos. Embora, a bem da verdade, as transformações não parecem tão impressionantes, por exemplo, quanto as de Um Lobisomem Americano em Londres, de 1981. E falando na capital inglesa, o filme também traz uma ótima recriação da cidade na era vitoriana e tem uma excelente fotografia.

Ah, sim! Um outro motivo pra ver o filme: Ele é muito melhor do que Van Helsing.

Cotação Antigravidade:

3 comentários sobre “Crítica: O LOBISOMEM

  1. Boa resenha crítica. Particularmente, concordo com as menções as atuações dos atores, mas Antony Hopkins estava correto. Hugo Weaving precisa se livrar ráido dos “caçoetes” do Agente Smith…eles já estão prejudicando a sua atuação.

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