Crítica: NINJA ASSASSINO

Artes marciais, tiros, espadas e todo mundo vestido de preto. Mas o filme é bom ou não? Bem…

Maurício Muniz, de Itu

Alguém já disse que um filme deve ser analisado segundo a sua proposta. E, em alguns casos, a “proposta” está explícita no título. Então quando você vê um filme chamado Ninja Assassino, o que você espera – e quer – ver são quebra-paus de artes marciais e um monte de cenas de ação, certo? E é a partir daí que o filme deve ser avaliado.

Ninja Assassino é, então, um bom filme segundo sua proposta? Discutamos.

Na verdade, o filme é dividido em duas partes. Tanto que, sinceramente, parece que foi feito por duas equipes diferentes. Logo no começo temos um massacre realizado por um ninja. É uma sequência rápida e violenta, cheia de membros decepados, criada em sua maioria por computador. A rigor, estaria ali pra mostrar o que vem pela frente… só que depois não temos nada tão violento assim. Então o melhor do filme são as decepações do começo? Quase.

(Um aparte: só eu acho que, no tempo dos efeitos mecânicos, essas cenas de decepações e decaptações eram mais eficientes e “reais”? Hoje, feitos por computador, esses atentados à integridade física parecem ter perdido um tanto de seu peso e choque!. Bem, mas voltando…)

A primeira meia-hora de Ninja Assassino, para usar um termo popular, é um porre. Embora o roteiro tente fazer algum mistério sobre o que está acontecendo, a campanha publicitária já mostrou que o roteiro traz a história do herói Raizo (feito por Rain, um cantor, dançarino e dublê de ator até competente), que luta contra os ninjas da ordem que o criou desde a infância. Assim, acompanhamos paralelamente as andanças aparentemente sem direção de Raizo; as investigações de dois agentes da Europol que desconfiam da existência de um grupo de ninjas assassinos de aluguel; e alguns flashbacks do passado do herói e o treinamento duríssimo pelo qual passou para tornar-se o favorito do professor durão e cruel (o lendário ator de filmes orientais, Shô Kosugi).

O problema é que todo esse começo é regado a clichês dos mais terríveis. Os diálogos são sofríveis, as situações pouco convincentes e nada interessantes e os personagens sem carisma nenhum. Um dos roteiristas é J. Michael Straczynski, que já escreveu pra Marvel gibis dos Homem-Aranha e Thor, e aqui ele parece estar copiando (muito mal) a trama e alguns trejeitos de Elektra Assassina, de Frank Miller. Mas, quando comecei a achar que o melhor do filme tinha sido o começo sanguinolento e começava a ter vontade de ir embora disfarçadamente pra não deixar o pessoal da distribuidora chateado, o filme acordou!

A partir do momento em que Raizo se une a Mika (Naomie Harris), a agente da Europol, e começam a trabalhar juntos, o filme se transforma num espetáculo bastante decente. Nada fenomenal ou inesquecível, mas a qualidade da história melhora um tanto, os flashbacks com nosso ninja heróico ficam bem mais interessantes, o diretor James McTeigue lembra que já dirigiu o competente V de Vingança e começa a caprichar mais no visual, Straczynski parece se tocar de que está escrevendo um filme e não uma histórinha chavão de vinte e duas páginas.

E o melhor: as sequências de ação melhoram consideravelmente! Estranhamente, talvez porque o diretor não entenda tanto de artes marciais – ou porque os ninjas funcionem melhor à noite – quase todas as cenas de luta acontecem no escuro. Em alguns momentos fica até difícil entender o que está acontecendo. Porém, há um momento em que a falta de iluminação funciona muito bem. Um ataque dos ninjas do mal a um quartel da Europol é bem feito, cheio de suspense e até algumas doses de humor provenientes da calma de Raizo frente ao massacre que ocorre ao seu redor. É a melhor sequência do filme, de longe.

Próximo ao final, as coisas tentam escorregar de volta ao clichê, mas nada que deixe o filme tão chato quanto o começo. Mas você nem vai ligar, porque a última hora já conseguiu divertir o bastante. Não leve grandes expectativas pra sala de cinema, perdoe os primeiros quarenta minutos e a experiência não vai ser dolorosa.

O melhor que posso dizer sobre o filme? Se tivesse uma continuação, eu assistiria. Não deve ter, porque a bilheteria não foi das melhores, mas se fizessem um segundo filme que mantivesse o ritmo da segunda metade deste, não seria nada mal.

Cotação Antigravidade:

TRÊS ESTRELAS

9 comentários sobre “Crítica: NINJA ASSASSINO

  1. Putz, tava achando que pelo menos ia me divertir com esse filme….

    Outra bomba que estou esperando, (só pra dar risada mesmo) é o KING OF FIGHTERS. Acho da hora ver a Mag Q em ação e sou fã de pancadaria entre as mulheres. (Só nos filmes, hehe).

  2. Rick, o filme estreia hoje nos cinemas, até onde sei. Não aqui em Itu, me parece, mas em São Paulo, sim!

    Vagno, vai sim que É divertido, no final das contas. Bobo, mas divertido.

    Marcelo, só tinha filme pra nerd, sim! Por que, vai querer um pro seu? E cadê mais texto pra sua próxima coluna, safado?

    Abraços,

    Maurício Muniz

  3. Querido diario,

    E qual o problema de eu querer um filme pra ver com meu homem ?

    Vc sabe que como muitos (ou todos) os leitores deste site,me sinto desonrado por você ter feitos comentários homofóbicos com a minha pessoa e meu parceiro de pós-vida.

    Só prepararei uma nova coluna quando a minha parar de doer de tanto ter que abaixar para me assegurar que objetos de uso higienizador não estejam no chão do banheiro público.

    Espero uma retratação pública do seu comentário racista para que nós ( eu eu digo por todos, MAS TODOS MESMO que frequentam este site e o site do Massivos)…

  4. Desculpe, então! (Repetir muito rápido três vezes).

    E eu perguntei se você queria um filme para ver com seu NERD INTERIOR… se bem que no seu caso ele é exterior, mesmo!

  5. Poxa, eu gostei do filme, achei bem interessante. Eu adorei. Mas como crítico é sempre crítico. Concordo com tudo que disse no poste. ^^

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