Crítica: O FADA DO DENTE

The Rock em um filme familiar… talvez um pouco familiar demais, até.

Maurício Muniz

Todo mundo é passível de cometer uns erros na carreira. Arnold, o Governator, fez coisas como Júnior, onde seu personagem ficava grávido e alguém imaginou – erroneamente – que isso seria hilário para o público. O bom e velho Sly cometeu o crime chamado Pare! Senão Minha Mãe Atira, um filmeco pra televisão que, por algum mistério Hollywoodiano, foi parar nos cinemas com grande orçamento.

Agora é a vez de Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, dar uma escorregadela. Após parecer que se tornaria um astro de filmes de ação, Johnson tem preferido filmes voltados ao público-mirim, como A Montanha Enfeitiçada, Planeta 51 e, por último, esta comédia familiar sem inovações. A boa notícia é que O Fada do Dente (Tooth Fairy) não é tão ruim quanto os filmes que citamos acima. Mas por pouco.

Alguns vão lembrar que, há alguns anos – “alguns” querendo dizer uns vinte anos -, rodou um boato de que Schwarzenegger faria um filme onde se transformava na Fada do Dente. Se este é o mesmo projeto, ligeiramente atualizado, as mudanças não devem ter sido muitas, já que a história traz quase todas as convenções dos filmes para família das últimas décadas.

The Rock faz o papel de Derek Thompson, um violento jogador de hóquei, apelidado de Fada dos Dentes graças à quantidade de dentes que já arrancou dos oponentes nos jogos, que já teve dias melhores na carreira. Hoje ele é um sujeito desiludido que não tem mais sonhos e aconselha a todos que desistam dos próprios. Ele namora com Carly (feita por uma Ashley Judd que exagerou no botox), mãe de um casal de  filhos simpáticos: a menina gosta de Derek, o menino não muito. Mas, como esta é uma comédia familiar, não é preciso muito pra saber que até o final do filme acontecerá algo que fará o garoto gostar do namorado da mãe.

Esse “algo” vem na forma de um castigo que Derek recebe por não acreditar na Fada dos Dentes, aquela figura importante para a infância nos Estados Unidos, um ser mágico que leva o dente que as crianças deixam embaixo do travesseiro e o trocam por algum valor em dinheiro. O castigo, claro, é tornar-se ele próprio uma das fadas por algumas semanas. E a graça do filme vem de vermos um brucutu como The Rock vestido com roupas de asinhas ou miniaturizado ou, ainda, aprontando algumas confusões sob a proteção de um pó de invisibilidade e tornando-se uma pessoa melhor no processo. Pena que nada é tão engraçado nessas situações todas. Algumas vão funcionar razoavelmente para crianças, mas os pais não vão se animar nem um pouco com a trama simplista. Não é um filme doloroso, mas a história é tão manjada que, quando demora a chegar na conclusão óbvia, começa a dar a impressão de que é mais longo do que seus 100 minutos de duração.

Ao menos capricharam no elenco de apoio. Embora Judd não tenha muito a fazer (e é meio triste ver um atriz tão promissora relegada a um papelzinho tão brando numa comédia mediana), temos boas participações de gente como o comediante inglês Stephen Merchant como Tracy, o fada supervisor de Derek; Seth MacFarlane, criador de Uma Família da Pesada, numa participação rápida como um fada não muito honesto; e a eterna Julie Andrews, de A Noviça Rebelde e Vitor ou Vitória, como Lily, a administradora do mundo das fadas. O grande destaque, porém, vai para Billy Cristal como Jerry, um fada mais velho que passa instruções e equipamentos ao personagem principal. São suas tiradas que causam as melhores risadas do filme.

O Fada do Dente é algo como uma razoável Sessão da Tarde, no máximo, e este é o motivo pelo qual vem tendo uma carreira fraca nas telas americanas (custou 48 milhões e fez apenas 20 milhões nas bilheterias mundiais até agora: tirando Wolverine, Alvin e Avatar, 2009 não foi um bom ano pra Fox). Se não tiver melhor opção nas telas, leve a criançada pra ver – e pode ver a versão dublada sem medo, pois o trabalho de adaptação ficou bacana.

É menos doloroso do que arrancar um dente, mas você também vai terminar o filme sentindo-se meio anestesiado.

Cotação Antigravidade:


5 comentários sobre “Crítica: O FADA DO DENTE

  1. Pensem pelo lado positivo: esse filme seria melhor se tivesse o John Cena* no lugar do Dwayne Johnson? Até que o brucutu mandou bem, vai😀

    * (piada melhor aproveitada se você curte WWE, então não tentem rir se não entenderam)

  2. Nossa Muito sem graça as piadinhas citadas na crítica!!!
    Acho vc’s deveriam pelo menos respeitar as pessoas que assistiram e amaram o filme (eu,por exemplo)!!!!
    Ahh eh ”decepção testoteronica” Foi a coisa mais machista que ouvi hoje!!!Parabéns

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