Crítica: ONDE VIVEM OS MONSTROS

Filme para crianças ou fantasia para adultos? O filme de Spike Jonze não dá respostas fáceis.

Maurício Muniz

Que o diretor Spike Jonze não faz filmes fáceis, todo mundo já sabe. Ele tem ao menos dois trabalhos geniais na praça (Quero Ser John Malkovich, de 1999, e Adaptação, de 2002), mas definitivamente não são para todos os públicos.

Isso também pode ser dito sobre Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are), que chega esta semana ao circuito brasileiro. Baseado num livro infantil famoso de Maurice Sendak, o filme conta a história do menino Max (Max Records). Ele não é uma criança fácil. Como todo garoto de 11 anos, ele quer atenção o tempo todo e fica chateado quando a irmã ou a mãe (a competente Catherine Keener, de Adaptação e 8 Milímetros) não querem entrar em suas brincadeiras. Mais do que chateado, o menino torna-se um tanto destrutivo e violento quando contrariado: em um momento bagunça o quarto da irmã adolescente que não deu bola para seu choro, em outro morde a mãe quando esta não aceita entrar num joguinho que ele criou.

É na noite em que morde a mãe que Max, talvez um tanto envorganhado e um tanto revoltado, foge de casa. Logo ele encontra um barco preso a uma doca e resolve partir nele. Após um tempo não definido, ele encontra uma estranha ilha onde não moram seres humanos, mas sim uma raça de monstros enormes e falantes. Logo ele é escolhido como o rei dos monstros e passa a comandar os bizarros seres. Porém, os monstros também têm suas birras, suas neuroses, suas crises de mau-humor e, de repente, Max se vê enfrentando – de certa forma – os mesmos problemas que criava em casa.

Contando assim, o filme parece simples. Mas não é e a Warner sabia disso, pois adiou várias vezes sua estréia nos últimos dois anos, refilmando e reeditando tudo para deixar o resultado mais palatável para o grande público. Mesmo assim, não adiantou muito. Com um orçamento de 100 milhões de dólares, Onde Vivem rendeu apenas 78 milhões nas bilheterias dos EUA e Canadá.

Os motivos podem ser vários. Para começar o tom do filme é sempre sombrio, praticamente sem piadas. O ritmo é lento em alguns momentos e as crianças, principalmente as menores, com certeza vão reclamar. Também há várias interpretações que podem ser dadas às experiências de Max e a maior pergunta de todas é se a aventura do menino é real ou passa-se apenas em sua cabeça. Ou seja: apesar de mostrar um personagem que visita uma “terra mágica”, o filme não é infantil. Não há nada que seja impróprio para os menores, mas é difícil acreditar que uma criança acostumada a Madagascar, Carros ou Uma Noite no Museu possa gostar da atmosfera séria e por vezes triste da história. Mesmo o trabalho de criação dos monstros, com ótimos efeitos mecânicos e visuais, não vai impressionar a molecada em meio ao clima meio incômodo e, vez ou outra, assustador.

É um filme bonito e até tocante que será admirado nos anos futuros e provavelmente será analisado em cursos de cinema ao redor do mundo até o fim dos tempos. Deixe as crianças em casa e assista. Mas não se estiver deprimido.

Cotação Antigravidade:

7 comentários sobre “Crítica: ONDE VIVEM OS MONSTROS

  1. Eu assisti o filme. De cara eu vi que era um filme pesado, pra ser estudado. Mas não acredito que ele é uma criança que não gosta de ser contrariada e, sim, que a falha existe na atenção da mãe e da irmã. No filme é visível que o espaço de tempo e importância dedicado a ele, é mínima perante a prioridade dos namorados da mãe e da irmã.

  2. Interessante o filme. Não o assisti no cinema, mas assisti em casa e é um pouco pesado, denso de se assistir. A criança geralmente cria um mundo cheio de criaturas e fantasia muito na infância, no filme ao lidar com seus próprios monstros a criança meio que “torna-se” capaz de voltar ao seu mundo e lidar com suas emoções e aprende a lidar também com quem não sabia lidar com suas próprias “explosões”. Como disse, há várias interpretações para esse filme, creio que é uma lição pro público jovem-adulto, tem vezes que não sabemos lidar com nós mesmos tendo tantos concelhos pra dar ao outro.

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