Crítica: 2012

2012

O que você faria se o mundo estivesse prestes a acabar? Pra começar, não perder seu tempo vendo este filme seria uma boa idéia…

Maurício Muniz

O diretor e roteirista Roland Emmerich tem experiência em querer acabar com o mundo. Ele exterminou boa parte da humanidade em Independence Day, de 1996, e depois congelou metade do planeta em O Dia Depois de Amanhã, de 2004. Agora, Emmerich está de volta à carga com 2012, um dos filmes mais esperados do ano, que vai buscar inspiração nas antigas profecias maias que previram que o mundo poderia terminar em 21 de dezembro de 2012.

O herói da história é Jackson Curtis (John Cusack), um motorista de limusine e escritor fracassado, que tenta reconquistar os filhos, que moram com sua ex-mulher, Kate (Amanda Peet). Não bastasse Curtis ter que disputar o amor dos filhos com o simpático Gordon, novo namorado de Kate, para piorar sua vida ainda descobre que todo o planeta está indo desta para melhor. Assim, sua missão agora é salvar sua família (Gordon incluso) e levá-la até um local secreto onde estão sendo construídas “naves” que permitirão que uma parte da humanidade sobreviva.

Quem tem os detalhes de porque o mundo está indo para o quiabo é Adrian Helmsley (o inglês Chiwetel Ejiofor, que já foi cotado para ser Doctor Who), um cientista boa-praça que leva ao presidente dos Estados Unidos (Danny Glover) e a um de seus consultores (Oliver Platt), a notícia de que as energias solares estão destruindo o centro do planeta, o que fará com que quase toda a crosta terrestre comece a desmoronar. O que, sendo este um filme-catástrofe, não demora a acontecer.

É claro que ninguém espera um grande roteiro de um filme desses, vamos ser sinceros. Mas, mesmo assim, Emmerich e seu parceiro na história, Harald Kloser (um músico que anda se arriscando no roteiro) conseguem baixar o nível ainda mais do que se esperaria. O espectador, na primeira meia-hora de projeção, ainda tenta gostar do filme. A produção tem um elenco legal, o John Cusack é sempre uma figura simpática etc… Mas logo fica claro que os roteiristas apelaram para o mínimo denominador comum, usando todos os clichês do gênero. Moleque que não respeita o pai e depois vai admirar sua coragem e mostrar que o ama? Tem aqui. Família separada a caminho de uma reaproximação? Tem também. Um cientista bonzinho enfrentando um político egoísta? Deixa com a gente. Tudo tão chato e previsível que certos momentos do filme se tornam piadas involuntárias e eu, particularmente, não resisti a fazer dezenas de comentários engraçadinhos sobre o que ia acontecendo. Pode um filme ser tão ruim que transforma um cinéfilo de carteirinha em um desses caras chatos que ficam batendo papo no cinema? Infelizmente, pode.

Algumas coisas se salvam. A limusine correndo em meio ao caos, com tudo sendo destruído à sua volta, é um verdadeiro espetáculo, mostrando o que talvez seja a melhor sequência de destruição já vista nas telas. Um momento improvável, mas divertido. Mais tarde, dois aviões protagonizam variações desse cena com resultados mistos: alguns bons efeitos, misturados com outros meio marretas. E a queda do Cristo Redentor parece levar mais tempo no trailer do que no próprio filme. Se você piscar, perde.

A melhor coisa do filme, porém, é Woody Harrelson como um radialista meio maluco que sabe o que está acontecendo e tenta avisar ao mundo, mas no qual ninguém acredita. Outro clichê do gênero, aliás, mas Harrelson está tão solto e exagerado que acaba de destacando e roubando todas as cenas em que aparece. E essa é outra estratégia que Emmerich sempre usou e que aqui até abusou: como ele é um diretor ruim de atores, encheu o filme com comprovados talentos da atuação. Assim ele pode indicar as cenas e os intérpretes que se virem. Pena que não há muito com o que eles possam trabalhar.

Se ao menos o climax do filme fosse grandioso e emocionante, esqueceríamos as agruras das duas horas anteriores e tudo ficaria mais palatável. Mas perca a esperança. O final do filme, com gente mergulhando e tentando destravar um certo dispositivo enquanto a água atinge as tais “naves” é um dos mais insossos do cinema nos últimos anos. Mas o que esperar de um filme onde um técnico do Força Aérea Um anuncia que “todos os sistemas de comunicação do mundo deixaram de funcionar” e, vinte minutos depois, um dos heróis recebe uma chamada em seu celular, vinda de um amigo perdido no meio das montanhas da Índia? Qual é a operadora que esses caras usam? Quero fazer o mesmo plano de minutos! “Fale até o Fim do Mundo!”

Provavelmente você vai ver um monte de gente – do público em geral – indicando 2012, falando que é ótimo, que tem cenas fantásticas, que é um “filmaço”. Não caia nessa. É apenas mais do que você já viu no passado e não gostou, envolto em papel brilhante pra mudar o foco da sua atenção. Apenas alguns bons efeitos especiais, mas em quantidade menor do que deveria ter para compensar a história frouxa. Se é esse o tipo de superprodução que podemos esperar de Hollywood daqui pra frente, é melhor o mundo acabar de uma vez.

2.5

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32 comentários sobre “Crítica: 2012

  1. Com todo o respeito ao comentário da equipe do Site, que é muito boa, claro, creio que não podemos “jamais” falar e escrever como se fosse a verdade última. O veho glicê: segundo tua própria visão, vista de um ponto ou ‘com que olhos vê o mundo’.
    É limitadíssimo isso! Muito tacanho e obtuso mesmo.

    Ainda que sejam um estudiosos do assunto, tenham assistido milhões de filmes, falem e escrevam várias línguas, tenham lido infinitos livros de arte e cultura, ainda assim, tenham em mente que é “somente” a visão pessoal e ou a vista de um minúsculo ponto de um universo inconcebível. Nada mais que isso!

    Voce e ninguém humano pode dimensionar e ser capaz de saber o quanto uma pessoa pode gostar, admirar, aprender e ou até crescer, ou despertar quem sabe, com o que vê, houve, lê, fala, faz, sente, etc.
    Este filme meus amigos, não é apenas mais um filme como voces dizem, é sim, MAIS um aviso para a raça atual, para todos nós.

    Se voces (há tantas por aí!) tem tanta capacidade de interpretar, enxergar e perceber as coisas com tanta precisão e elevação, como “ainda” não puderam perceber a “coisa”, a Realidade???

    Só para refrescar, segue comentário de um filme que “talvez” voces tenham visto e “compreendido”!

    “Você deseja saber o que ela é ? A Matrix está em todo lugar. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade. Que você é um escravo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro; nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para uma mente.” Mas, Morpheu sabe que está lidando com algo que é inapreensível pela mera percepção ou entendimento. “Infelizmente, é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem de ver por si mesmo.”

    – Cypher:
    Cypher traiu os colegas.

    Ele estava cansado de viver na realidade, a comida era péssima, o ambiente, não havia aquele prazer ilusório da matrix, ele queria voltar a viver na matrix, comer aquela comida saborosa (mesmo que ilusória) ter acesso a todos os prazeres, a ilusão era mais saborosa que a realidade, ele queria esquecer tudo e voltar a viver na matrix “ignorância é felicidade” dizia.

    “Muitas pessoas fazem o mesmo, não querem aceitar certas verdades por serem dolorosas demais, preferem viver felizes na ilusão, mas com menos preocupações”.

    “Ignorância é felicidade”, ou: “olhos que nao veem, coração que não sente”.

    Cypher (fonéticamente parece : cífer) repare na semelhança com o nome Lucifer, ( imagine o nome assim: lucypher).

    – No fundo no fundo voces sabem e percebem, mas tuas mentes resistem e insistem em “não ver”!
    Antes “certas coisas” eram veladas, herméticas e esotéricas, mas hoje não, está tudo aí à nossa frente!

    Voces ainda não perceberam que tudo “Pode” ser usado para alertar, avisar, chamar atenção e fazer com fiquemos conscientes dos Fatos tal qual é na realidade?
    E qual é a realidade hoje? – É de paz? É de harmonia? É de equilíbrio? É de fraternidade? É de União? É de respeito mútuo? É de compartilhar?
    Não né!!!
    Agora, prestem atenção nisso: “Datas, hora, quando, como, aonde, com quem, de que forma, etc., tudo isso e muito mais, não é possível e nem passível de análise mental, lógica, dedutiva, racional”.
    Não percebem isso também?
    Esqueçam estas coisas todas! Olhemos para nós mesmos como Raça, e de forma honesta, perguntemos: “Merecemos ficar aqui? Cuidamos bem de “nossa casa”?
    Se no mundo físico está como está, será que fazem idéia de como está no mundo mental, no mundo astral (emocional), no mundo espiritual?
    – Não, infelizmente não apenas mais um filme não, viu! (Quem tem olhos de ver, já vê alguma coisa!)
    Tiremos a venda dos olhos!!!

  2. É com certeza esse filme acordará muita gente…ou pelo menos despertará um maior interesse do que está por vir…tempos mais difíceis nos aguardam!

  3. Obrigado ao Pasquale pelo toque.

    E um toque: cuidado com sua vírgulas, porque ninguém aqui quer “foder amigo”.

  4. O que o Gilmar estiver fumando, quero um pouco. /
    Parabéns pela crítica(do filme) que como sempre, não é atrelada a nenhum interesse monetário $$$.
    Quero ver outro site ter uma crítica mais sincera.
    Estou com saudades dos podcasts.
    Fiquei sabendo dos problemas de saúde do Maurício, espero que tudo já esteja bem.
    Que tal uma nota sobre a 10ª Jedicon em SP? Será no dia 14/11/09.

  5. Quando eu soube quem tava na direção desse filme comentei com meu amigo cinefilo de carteirinha Fábio Lemos “È fim do mundo mesmo, adeus roteiro” ninguem ai assistiu 10.00 anos antes. Eu não sei como tem gente que seja capaz deixar esse cara dirigir filmes. talvez quem nunca assistiu filme na vida goste porque não consegue identifica os clichês, sei lá só pode ser por pura ingenuidade.

  6. Não sei não. Indiferente da direção, eu gostaria de ver com meus próprios olhos o filme. Depois posso palpitar e criticar, livremente sobre o mesmo.

  7. Gilmar

    é gilmar… a realidade é triste mas nao representa o filme.

    no fim… vc falou falou.. e nao falou nada… as vezes quem precisa tirar as vendas é vc…

    e q papinho de lucifer eim? pode até ter um sentido de traição… mas lembre-mos q lucifer q vc disse é o lucifer da visão cristao moderna e nao da cristã medieval, pagã e tantas outras… e no final é só uma historia de contos de fadas…

    E ae mauricio, saudades do anti-programa, vcs voltaram animarão todo mundo e depois sumirão.
    se estiver doente mesmo, melhoras e continue com este site honesto (mesmo q eu nao concorde cm muita coisa q vcs falam ahuahuhua).

  8. Pô cara,vc fez uma crítica pessoal do filme,que não pode ser levada a sério. Afinal,clichê existe em toda produção cinematográfica,é o mesmo em Distrito 9 que a exemplo de tropas estrelares citam a segregação racial.

  9. Gilmar, que comentário o seu hein? Ótimo! Não estou falando nem porque criticou a crítica (que paradoxo) em si, mas sim porque fez uma bela aula sobre a vida!

    Gosto muito de budismo e de matrix, e o que você escreveu faz total sentido com minha opinião e com a verdade (não a verdade de cada um, mas a universal, aquela que respeita todos).

    Não sei se lerá esse comentário, mas passe o e-mail se quiser, ou então indique livros para ler sobre o assunto (para saber de onde vem esse seu conhecimento! hehe)

    Porque o mundo precisa de mais pessoas com opiniões como essa, de filosofia e respeito! (Novamente, não falo da crítica, que por sinal, expressa apenas a opinião do autor mesmo)

    Até mais!

  10. Cara, tô me divertindo com os comentários.
    Sobre o filme, já não ia mesmo perder meu tempo. Filme catástrofe em Hollywood é tudo igual. A diferença deste é que o Brasil pelo menos aparece, já que em Independence Day mal se fala da América do Sul. Acho que os aliens não curtiam muito carnaval.

  11. A partir do momento que nós fazemos uma critica destrutiva.
    Temos que ter a conciência de que podemos fazer melhor.
    portanto fica a deixa pra vc Maurício Muniz se vc é tão superior como diz.
    Será que eu gostaria do seu filme ou melhor será q eu me daria ao trabalho de ir ver, para simplesmente “meter o pau”

    grata,

  12. Meu Deus, que mania esse povo tem de só querer falar BEM das coisas! Elizete, e quando o filme é RUIM mesmo? Tem que falar bem também??

    E esse povo surtando com um filme hollywoodiano bizarro, se verem o ótimo A Era da Estupidez, esse sim um documentário embasado, que mostra um fim do mundo bem próximo e real… se essas pessoas verem esse filme, se matam né?

    No mais, continuem os comentários freaks, estão mais divertidos que o filme hehe

  13. Finalmente meu caro amigo Mauricio concorda comigo sobre o “diretor” enRoLand(o todo mundo que assiste seus filmes) Emmerich. O cara é ruim que dói. Se tiver alguém que possa me indicar um único filme bom dele, por favor, esteja a vontade. O Mauricio adora “Independence Day”. Achei o filme clichê do clichê e, pior, copiando cenas da série de tv “V- A Batalha Final”, a cena que aparece a nave com kms de tamanho. Voltando ao último, assim espero, filme do “diretor”, não, eu não assisti, não vou e nem pretendo. Podem me criticar por isso, mas é minha opinião, minha vontade e meu dinheiro. Cinema e locação tá caro. Mas não vou criticar o filme ou a critica do próprio. Só quero saber… o que o leitor Gilmar quis dizer sobre o que ele escreveu? E o tal Diego concorda com a opinião. Mas, ainda, não entendi o porque da dissertação sobre nós mesmos? Não enxergarmos? Sobre a Matrix? E, pior, sobre o nome do personagem “Cypher”, pronuncia-se em ingles Saifer, com Lucifer? Então seria “Lusaifer”, né? Pois em portugues a tradução de Cypher seria cifra. Lucifra? Esquisito…
    Como disseram Toni e Paulette, os comentarios estão mais divertidos que as próprias criticas, ainda mais do Gilmar que, mais uma vez digo, não entendi, ainda mais neste blog!!!????
    Mais uma coisa, para a Elizete… Você assistiu ao filme? Pode dar seus comentarios sobre ele? Já que não podemos só “meter o pau”, acredito que suas opiniões e impressões nos dê mais clareza quanto aos comentarios “destrutivos”.
    É isso aí!

  14. “Este filme meus amigos, não é apenas mais um filme como voces dizem, é sim, MAIS um aviso para a raça atual, para todos nós.”

    Essa foi uma das coisas mais piegas que já li por aqui.

  15. O filme em questão é um show de clichês, mas tirando o final, voce desliga seu cérebro e curte o filme de boa como passatempo é uma boa pedida pro fim de semana.

  16. Me identifiquei bastante com a crítica do autor sobre o filme. Eu odeio quem fica criticando o filme em plena exibição, mas com esse fiilme foi inevitável. O que mais me irritava era o clima de “comédia” do filme, tudo era motivo pra uma piadinha super sem graça.
    Os efeitos realmente são ótimos, mas fica por ai.

  17. Sai do cinema apos ver 2012 indignado. Algo que havia bastante potencial, foi rendido pelos cliches e a má direção de Emmerich.

    Contem [SPOILERS]

    No princípio do filme achei muito legal tentarem explicar as catástrofes de 2012 relacionado ao sol e ao alinhamento de Saturno. Estavam muito boas também as aparições de Charlie Frost, havia uma crença e um potencial no personagem que me instigavam. O filme “morre” junto como ele.
    As cenas com os aviões realmente são bem empolgantes com três repetições em diferentes “níveis” como num video game. E falando em games, a cena do carro protagonizada por Jackson Curtis é descaradamente imitada do jogo “Alone In the Dark” para Ps3 e Xbox 360. Confira:

    Outro problema do filme é a sensação clautrofobica gerada nas cenas do navio, que por sinal, um tremendo de um navio com milhares de locais para explorar. Mostram apenas quatro partes: a cabine de comando, o portão de entrada, os “túneis” e o quarto do Arian. Alguns corredores são muito pequenos, não condizendo com a grandeza e exuberância do Navio.
    Quanto ao protagonista, achei-o muito sem graça. Não é “Bad-ass”, “Malandro” ou “cafajeste”, é sempre o pai separado dos filhos, um porre.

    O que jogou a ultima pá sobre “2012”, foi o “Schwarzenegger” genérico com sotaque forçado e magricela.
    Concordo com o Maurício, é melhor o mundo acabar a ver mais produções desse tipo em Hollywood.

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