Crítica HQ: MARVEL 1985

1985

Uma história de horror e uma declaração de amor aos quadrinhos? Mark Millar traz uma das melhores séries da Marvel nos últimos anos

Maurício Muniz, de Vevey (Suiça)

Roteiro de Mark Millar, desenhos de Tommy Lee Edwards

Marvel Comics, 176 páginas, 2009 (Disponível nas Importadoras)

Originalmente em Marvel 1985 01 a 06

Trama: O ano é 1985 em um mundo como o nosso, onde os heróis dos quadrinhos existem apenas nas páginas das revistas. E é nas HQs da Marvel que o garoto Toby Goodman busca uma fuga para seus problemas: a separação dos pais, o novo casamento da mãe, um pai que, apesar de gostar de quadrinhos, parece cada vez mais distante e sem rumo na vida. Mas algo fantástico acontece quando Toby descobre que os vilões do universo Marvel estão surgindo em seu mundo… com resultados mortais.

Opinião: É inegável que Mark Millar é um dos nomes mais importantes da Marvel no momento. Seus trabalhos em Os Supremos, Wolverine: Inimigo do Estados, Guerra Civil, o novo Quarteto Fantástico e outros mostram que ele tem uma visão peculiar sobre o mundo dos super-heróis, trazendo a suas aventuras e personalidades uma grande dose de realismo. Sempre foi óbvio também que, ao contrário de tantos outros roteiristas vindos do império britânico, Millar gosta mesmo de heróis mascarados, algo que fica patente na série Marvel 1985.Print

Millar buscou inspiração para a história nas experiências conjuntas de todos os leitores de quadrinhos do mundo. O amor de ler aventuras de sujeitos mascarados, a sensação de inadequação quando parece que todos acham você estranho por ainda gostar de gibis quando não é mais criança, a empolgação que mais ninguém compartilha e talvez, acima de tudo, a vontade de que os mundos fantásticos sobre os quais lêmos nas páginas dos gibis fossem reais e que superseres cruzassem nossos céus. Mas o expediente usado por Millar aqui tem um twist, uma reviravolta, como já é padrão em seu trabalho. Todo mundo sempre pensa em como seria se super-heróis existissem, mas raramente no que aconteceria se sujeitos como Caveira Vermelha, Dr. Destino e Dr. Octopus – o outro lado da moeda – estivessem à solta pelo mundo. Segundo a história mostrada aqui, o resultado não seria nada agradável.

Marvel 1985 apresenta os vilões como… bem, vilões. Transportados para o mundo real por um mestre desconhecido, os personagens malignos mostram-se muito mais perigosos do que nos quadrinhos. Elektro e Homem-Areia, bandidos que parecem quase inofensivos ao enfrentar o brincalhão Homem-Aranha, matam indiscriminadamente e com crueldade. O Melter, um personagem quase tão obscuro que eu nem tenho idéia de como se chama no Brasil, derrete um homem como se estivesse brincando (e o desenho de Tommy Lee Edwards faz você sentir a dor do pobre sujeito). O Lagarto, pela primeira vez desde que conheço o personagem, realmente dá medo quando ameaça alguém. Pense em todos aqueles vilões das HQs e no mal que poderiam causar em sua vizinhança. O que Millar imagina é ainda pior, transformando alguns momentos da série em cenas dignas de uma história de terror.

Mais importante, porém, é que o autor faz nessa história uma grande homenagem ao quadrinhos, à poderosa fantasia que trazem à vida de tantos. Há até mesmo aqui uma visita ao universo das HQs e é quase exatamente como seria se um fã fosse transportado ao universo Marvel, sabendo as identidades secretas de todos os heróis e onde encontrá-los em caso de necessidade. E o final da série, os últimos quadros, chega a ser emocionante para qualquer fã… principalmente para alguns quarentões, como eu, que vêm acompanhando quadrinhos desde que aprenderam a ler.

Não quer dizer que Marvel 1985 seja perfeito, infelizmente. Há alguns problemas na conclusão da trama e a revelação de quem é o “grande vilão” e como ele trouxe os vilões para o mundo real faz uma curva para fora da “realidade” da história. Os desenhos de Edwards também não são para qualquer um. Apesar de captar bem o mundo normal de 1985, sua arte perde um pouco quando tenta mostrar super-heróis em toda a sua glória. Nada feio, porém escuro e um tanto estilizado demais. O mais incômodo da série toda, porém, é a aparição do “maior vilão do universo Marvel” ao final. Ao contrário de representar um perigo invencível e destruidor, uma ameaça aterrorizante para dar mais peso à história, ele acaba sendo o elemento que mais contribui para atrapalhar o realismo que até ali fazia toda a história funcionar tão bem.

Mesmo com esses pequenos defeitos, Marvel 1985 vale a leitura e até algumas releituras de tempos em tempos, principalmente quando você começar a achar que ler quadrinhos pode mesmo ser perda de tempo. Acredite, não é.

Conclusão: Aterrorizante em alguns pontos e emocionante em outros, este é um das mais originais e interessantes produtos saídos das grandes editoras nos últimos tempos. Releia sempre que precisar lembrar o que torna os quadrinhos tão mágicos. Excelsior!

4.0

5 comentários sobre “Crítica HQ: MARVEL 1985

  1. vcs são de mas!!!!!!
    vcs poderião fala sobre a serie de gibis(the darknss)!!
    obrigado e abraços continuem assim!!!!!!

  2. ola amigos da marvel, gostaria de poder ver novamente as revistas do capitão, homem de ferro, sinto saudades de chegar numa banca de revista e poder comprar minha revista favorita,espero que possam atender um pedido de um leitor, da marvel e maior fá de suas estorias em quadrinhos um abraço.

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