Crítica HQ: BATMAN – PRIVATE CASEBOOK

Batcase

O Homem-Morcego enfrenta perigos variados – e entra num fórum da internet – pelas mãos de um dos escritores que melhor o entende

Maurício Muniz, de Vevey (Suiça)

Roteiro de Paul Dini, desenhos de Dustin Nguyen, arte-final de Derek Fridolfs

DC Comics, 160 páginas, 2008 (Disponível nas Importadoras)

Originalmente em Detective Comics 840 a 845 e DC Infinite Halloween Special 01

Trama: Em seis histórias, Batman tem que usar suas habilidades como detetive para enfrentar inimigos novos (um assassino em série, a mais recente Ventríloca) e antigos (Ra’s al Ghul, Chapeleiro Louco, o “reformado” Charada). Alguns aliados surgem para complicar as coisas e um novo interesse romântico aparece na forma de Zatanna – que tem uma história solo ao final da edição.

Opinião: O anúncio de que Grant Morrison tornaria-se o escritor regular da revista Batman, há pouco mais de dois anos, ofuscou a entrada de Paul Dini nos roteiros da outra série regular do personagem, em Detective Comics. Mas para os fãs do Homem-Morcego, as histórias de Dini muitas vezes foram mais satisfatórias do que as do superastro escocês. Dini foi um dos maiores responsáveis, ao lado de Bruce Timm, pelo sucesso da série animada de Batman iniciada em 1992. Seus roteiros figuraram entre os melhores e mais profundos da série, captando a essência de Batman, de Gotham e de seus vilões. Por suas mãos, a maldade do Sr. Frio era equilibrada pela tragédia em sua vida e a sandice mortal do Coringa tinha como contraponto um humor sombrio mas irresistível. E Dini traz essa sensibilidade a suas histórias do herói nos quadrinhos.Print

Esta edição já começa de forma interessante com a volta (mais uma vez) do megalomaníaco Ra’s al Ghul que, um pouco menos equilibrado do que o normal graças à sua recente ressureição, pretende montar uma base em Gotham e destruir Batman de uma vez. Ao invés de alongar essa trama por várias revistas, Dini faz com que Batman, impaciente, vá atrás de al Ghul e elimine o perigo representado pelo árabe de forma muito eficiente e usando um expediente que faz pensar “Como é que ninguém imaginou isso antes?”. Em outro momento, em um roteiro que poderia ter saído da série animada, Batman enfrenta a nova quadrilha do Chapeleiro Louco, mas começa a perceber que algo está errado no modus operandi do vilão. Novamente, a conclusão da trama é satisfatória por ser tão simples quanto surpreendente. Das seis histórias estreladas aqui pelo Homem-Morcego, quatro são independentes e apenas duas estão ligadas. Esta foi outra caracterísitca marcante da fase de Dini: quase sempre os leitores tinham uma história completa por edição de Detective Comics, fato cada vez mais raro hoje em dia.

A arte de Dustin Nguyen é um daqueles casos onde os leitores vão amar ou odiar. O desenhista vem ganhando renome, tendo passado por títulos como Authority, mas seu trabalho é um tanto estilizado em alguns momentos. Mas funciona a contento e não dá pra reclamar: já teve caras muitos piores desenhando Batman.

A mencionada história dupla deste volume mostra a nova Ventríloca, uma mulher de passado suspeito, que parece parcialmente controlada pelo boneco Scarface (Dini matou o Ventríloco anterior numa de suas histórias). Os dois, boneco e humana, buscam vingança contra um novo gangster de Gotham que contratou Zatanna, a mágica integrante da Liga da Justiça, para o espetáculo de inauguração de sua nova boate. E não bastasse Zatanna deixar claro para Bruce Wayne que gostaria de ter “algo a mais” com ele, o milionário ainda é raptado junto aos gangster e torna-se refém. Na verdade, isso tudo é usado como recurso dramático para Dini poder mostrar Zatanna, personagem que adora (há uma história curta e competente estrelada por ela no final da edição, como bônus) e para poder aprofundar o background da nova Ventríloca, que conheceu Bruce no passado.

Mas é a última história da edição que merece destaque, por mostrar uma nova faceta do Homem-Morcego. Nela, um assassino em série está matando de forma aparentemente aleatória em Gotham. Sem pistas, Batman procura ajuda num fórum de internet onde detetives amadores discutem casos da vida real. A história tem um bom e surpreendente desfecho, onde Batman enfrenta não apenas o assassino mas a interferência do Charada, que agora se diz reformado e trabalha como detetive particular. Mas o mais divertido é ver Batman – usando um nome falso qualquer – trocado idéias com internautas. Se a rede consegue seduzir até um dos caras mais durões dos quadrinhos, como nós, pobres mortais, vamos conseguir escapar dela?

Conclusão: Com boas histórias que não deixam a peteca cair, mantendo o interesse o tempo todo, esta edição vai agradar aos fãs do herói, principalmente os que adoravam a série animada dos anos 90.

4.0

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