Crítica HQ: BLACK SUMMER

Black Summer

Um super-herói executa o presidente dos Estados Unidos numa violenta HQ de Warren Ellis

Maurício Muniz

Roteiro de Warren Ellis, desenhos de Juan Jose Ryp

Avatar Press, 180 páginas, setembro de 2008 (Disponível nas Importadoras)

Originalmente em Black Summer 01 a 08

Trama: Um dos últimos remanescentes de uma equipe de super-heróis do passado, o poderoso John Horus choca o mundo ao invadir a Casa Branca e exterminar sem piedade o Presidente dos Estados Unidos por considerá-lo um criminoso que usou de motivos falsos para levar o país à guerra. As autoridades resolvem revidar caçando Horus e todos os seus antigos companheiros, que imaginam estar mancomunados com ele. Na tentativa de proteger-se e encontrar Horus para um confronto, os ex-super-heróis desencadeiam uma onda de violência como poucas vistas nos quadrinhos, principalmente quando descobrem que estão sendo caçados por seu antigo mentor, que julgavam morto, e uma nova leva de seres criados por ele.

Opinião: Warren Ellis não vê super-heróis como a maioria das pessoas. Assim como Garth Ennis e alguns outros de seus colegas britânicas, Ellis não tem grande amor por esses personagens considerados tipicamente americanos. E, talvez por isso, ele tenha criado alguns dos melhores trabalhos sobre o mundo dos superseres, como Authority, Planetary, Stormwatch e DV8.

Em Black Summer, o roteirista aborda uma questão que muitos leitores de quadrinhos já levantaram: se o Superman existisse, ele deixaria alguns governos mundiais se safarem com algumas injustiças que cometem? Mas neste caso Ellis leva a questão para dentro dos próprios EUA. Como vários outros profissionais dos quadrinhos, o inglês não era fã de George W. Bush e fica claro que é ele o presidente assassinado aqui. E por mais que esse parece um ato bastante defensável para muita gente, o que se coloca em discussão aqui é a validade moral do ato. Mesmo se tivermos poder o bastante, é correto sair por aí matando pessoas só porque não gostamos delas ou concordamos com a força como agem?Print

Mas, diferente de outras obras do escritor, esta não é uma HQ tão reflexiva. O que impulsiona a história é a violência que se desencadeia quando os outros super-heróis da grupo As Sete Armas revida a perseguição que recebem. São apresentados alguns dos arquétipos dos super-heróis: temos um velocista, um homem-forte, uma garota que pode voar e outro que controla máquinas. A diferença é que todos têm armas implantadas no corpo e não têm o menor problema em usá-las. A quantidade de cabeças voando, membros decepados e ossos estilhaçados é grande e o trabalho de Ryp impressiona pelos detalhes e, de certa forma, pelo exagero. Não lembro se já vi uma carnificia tão grande em qualquer outra série em quadrinhos.

Infelizmente, a história não é muito mais do que isso. A discussão sobre moral parece promissora no início, mas logo se perde em meio à toda à violência. Ellis ainda coloca algumas sequências de flashback em preto e branco no meio da ação, mostrando o passado do grupo de heróis e suas motivações para tornarem-se defensores da justiça. Mas é pouco para fazer o leitor se afeiçoar aos personagens e realmente torcer por eles. No final das contas, Black Summer parece mais interessada em mostrar destruição e mortes impressionantes do que colocar em pauta o papel do super-herói no mundo. É óbvio, HQs de super-heróis não precisam ser mentalmente instigantes para serem boas, mas esta finge que vai ser algo mais e dá pra trás no final. Uma pena.

Conclusão: Divertido e com algumas boas idéias, Black Summer parece tentar ser a resposta de Ellis a Watchmen ou V de Vingança, mas acaba sendo apenas uma história competente e cheia de violência que se perde no meio do caminho e consegue divertir quem não esperar muito.

3.5

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