Crítica: [REC]

rec-poster

O terror espanhol [REC] não é apenas o melhor filme de terror do ano… É o melhor filme de terror dos ÚLTIMOS TEMPOS! Confira a opinião do ainda assustado Maurício Muniz!

Ao final de [REC], o filme de terror espanhol que está chegando aos nossos cinemas com um ano de atraso, eu estava sorrindo. Não porque a produção tenha um final bobo ou melado ou engraçado. Mas porque, enquanto se desenrolavam os momentos finais (e terríveis) do filme, mesmo espantando com tudo que acontecia na tela, eu me sentia recompensado e satisfeito por estar vendo um grande espetáculo do gênero como há muito não se via.

[REC] é contado do ponto de vista de uma câmera de TV (e de um cinegrafista nunca visto) que acompanha a repórter Angela (Manuela Velasco), apresentadora do programa Enquanto Você Dorme. Na edição do programa que estamos vendo, Angela visita um quartel de bombeiros para mostrar como é a rotina desses heróis numa noite qualquer. A princípio, parece que vai ser apenas uma noite calma e enfadonha, daquelas que dariam uma audiência muito baixa ao programa. Até que um chamado leva os bombeiros, com Angela e seu cinegrafista a tiracolo, a um prédio no centro da cidade. É aí que a coisa fica feia. Ou, melhor dizendo, horrível.

O chamado a princípio parece simples: verificar o que aconteceu com uma moradora idosa que está aos gritos há horas e acordou todos os outros residentes, agora reunidos no saguão à espera de uma resolução. Os bombeiros e dois policiais vão até o apartamento da velha, uma figura descabelada e de camisola, que logo ataca um dos policiais a dentadas. O cinegrafista Pablo recebe de Angela a ordem de não parar de gravar nunca. E ele não pára mesmo, para nosso terror e – se você gosta mesmo de filmes de terror – imenso prazer. Em seguida ao ataque da maltrapilha mulher, o prédio é colocado sob quarentena pelos orgãos oficiais, que detectaram ali algo estranho (e que não vamos contar pra não estragar uma das surpresas, um entre tantos elementos que vai deixar o espectador pensando).

Não há mal em dizer que [REC] é um filme de zumbis. Mas não zumbis convencionais, como logo se explica. A desgraça e o horror que começam a se espalhar pelo prédio lembram mais os acontecimentos do ótimo Extermínio, onde uma praga transformava a população da Inglaterra em loucos furiosos. Mas será que o terror aqui presente tem mesmo uma origem “natural”?

O filme tem um ou outro problema de ritmo lá pelo meio e algumas pessoas podem dizer que ele demora demais a começar. Mas o roteiro é de uma inteligência simples e que esbarra no genial. Em alguns minutos ele apresenta todo o universo da história, quem serão os heróis e quem são os coadjuvantes, e já parte pra ação tensa e constante. Em certos momentos, os diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza dão uma freada na história para deixar o público respirar, mas sem esquecer a lógica de que o ponto de vista ainda é o de um cinegrafista sob ordens de uma repórter que vê nas tragédias que acontecem à sua volta uma chance de tornar-se uma verdadeira estrela da TV. Tadinha…

O ritmo vai num crescendo constante e evita alguns clichês. O roteiro esbarra na questão de que o ser humano se torna irracional, egoísta e preconceituoso frente ao que não entende (que, sim, é legal mas começa a ser usado demais por aí), mas logo deixa isso de lado para dar o que queremos de verdade: sustos e mais sustos. Não desses sustos bobos nos quais Hollywood se tornou especialista, mas sustos verdadeiros e que mostram 90% do terror enquanto deixam os outros 10% (a pior parte, diriam Hitchcock, Lovecraft e Stephen King) para a imaginação. Conforme as coisas vão ficando cada vez mais estranhas e terríveis, com imagens que vão colar em sua retina e fazer você ficar imaginando o que realmente está acontecendo, é impossível não ficar impressionado que um filme tão barato possa ser o melhor terror a chegar às nossas telas em anos. E o anuncio-fa_clique-para-comprar-grande-menorpremiado [REC] é mesmo um filme pra se ver na tela grande, com gente pulando e gritando ao seu lado.

O estilo é o mesmo do cansativo A Bruxa de Blair e do desmiolado Cloverfield, com a ação sendo contada por uma câmera na mão? Sim. A diferença é que [REC] funciona e muito bem. Se não acredita, confira o espertíssimo teaser abaixo que mostra não cenas do filme, mas a reação do público dentro do cinema. Ok, colocamos abaixo também o trailer oficial, pra dar um gostinho do que você pode esperar.

Um último conselho: corra pra ver [REC], pois logo estréia por aqui a inevitável refilmagem americana, Quarentena. Vá por nós: por mais que o americano vá ter mais divulgação, prefira o original. Você não vai se arrepender, mesmo quando aqueles últimos dois ou três minutos insanos parecerem mais do que seu coração pode suportar.

E sorria! Você não está sendo filmado…

Nota: 9,5


Trailers:

13 comentários sobre “Crítica: [REC]

  1. Cara… tinha ouvido falar muito desse filme… Faz uma ano eu acho, eu tinha visto um trailer… Fiquei meio assim… Sei lá, achei que seria mais do mesmo… Mas vou assistir agora, parece bem interessante! Amplexos!

  2. “O filme tem um ou outro problema de ritmo lá pelo meio e algumas pessoas podem dizer que ele demora demais a começar…” Demorar? Eu contei exatos 7 minutos para que a primeira morte acontecesse no filme. Esses meninos de hoje tão meio apressados mesmo…
    Mas o filme é massa, eu já o vi antes, via torrent, porque não podia esperar a boa vontade das distribuidoras daqui. Preferi arriscar e ver logo. 1 ano para passar um filme aqui no Brasil é sacanagem.
    O mais interessante do filme é a maneira como ele foi feito. Nota-se que foram usados vários cenários para a trama, mas é tão bem montado que você não percebe. Outra coisa massa é a habilidade dos diretores em colocar em foco aquilo que eles querem que a gente veja, mesmo em meio a confusão e a correria. Só diretores talentosos conseguem isso.
    Outro ponto positivo é o respeito que eles tiveram com a nossa inteligencia. Em nenhum momento eles precisam mostrar o exterior do prédio – coisa que a copia americana mostra, dá pra ver pelos trailers – e o movimento dos policiais e da saúde sanitária (?). Eles apenas insinuam, mas é o suficiente para que a gente entenda tudo. Ponto pra eles.
    E o final, o final…

  3. Pô Mauricio, que crítica da hora…já vi este filme tem quase um ano, e ainda continuo dizendo que nunca vi nada parecido e nem devo ver tão brevemente…aconselho a qualquer um que adora um puta terror!

  4. Crítica sensacional para um filme não menos que Antológico, só pecou em uma parte na crítica, a nota é 10 não 9,5 …

  5. Seria eu o primeiro a discordar?
    Sim um bom filme, com um orçamento baixo, mas não é tudo o que você diz na crítica. Quanto a imaginação do telespectador, de ínicio já fica claro que no filme teriam pessoas/zumbis, e na hora que a menina fala do cachorro tudo fica muito claro, alguns atores deixam a desejar, como o Bombeiro Mane em algumas cenas… E quanto aos sustos, eu só tive um susto de pular da cadeira nas últimas cenas, não vou falar qual, pois caso venha alguém a ler aqui perderá a graça. No quesito terror prefiro The Myst, ficaria com ele, pois acho que o final dele além de sensacional é impactante, e quanto ao filme ele trabalha muito mais a imaginação que este, mas com um orçamento totalmente diferente… Bom enfim, um bom filme para se ver em casa, não diria no cinema, abraços.

  6. o primeiro filme que fez com que a antiga e passada idéia de ‘filme caseiro’, deixasse de ser apenas um caseiro patético e que RARAMENTE da uns sustos e umas apertadas no braço da sua namorada..
    ótima crítica pra um ótimo filme mesmo broder 😉

  7. Cara esse filme é o melhor filme de terror que já vi depois do exorcista. Respeita a inteligência do espectador e tem um ritmo alucinante, mas correto. Não vejo erros e os atores foram ótimos assim como seus diretores. As cenas são muito reais e o melhor nós não veremos nenhum mocinho matando todos os zumbis e indo embora como se nada tivesse acontecido. Final Holliwood aqui não!!

  8. Esse REC é um péssimo filme, muito ruim mesmo, não gostei, odiei. E sinceramente, não acredito em nenhuma palavra das pessoas que dizem que esse filme é ÓTIMO.
    É impossível considerá-lo ótimo por UM SIMPLES MOTIVO, pura enrolação, o filme tem 1h 15mins e durante 1h e 10mins você terá um longo período de TÉDIO, a ÚNICA parte que pode ser conderada legal desse filme é o finalzinho, na hora que aparece a velha. O resto é um lixo.
    Sinceramente eu não acredito que quem gostou desse filme tenha gostado dele TODO, pois é impossível, DUVÍDO alguém diga que ADOROU as 1h e 10 mins da repórter espanhola entrevistando um monte de gente chata, essa parte É PÉSSIMA.
    Cara, falar que AMOU, ADOROU um filme por causa de um final legal é uma pura besteira, 5 MINUTOS DE FILME BOM num é suficiente chamar um filme de ÓTIMO. Sejam sinceros e considere o filme como um todo, parem pra pensar, todos vocês vão chegar na conclusão que ele é uma porcaria.

    E nem me venha falar que quem não gosta do filme é porque num gosta de cinema espanhol e tá acostumado com cinema hollywoodiano. Pois vocês sabem muito bem que num tem nada a ver com isso, o filme é uma merda mesmo. Aliás eu até assisti quarentena, é a MESMA PORCARIA, cada segundo do quarentena é igual ao do REC, logo num tem nada a ver com país de onde o filme veio. Podia estar em qualquer língua que ia ser o MESMO LIXO.

  9. Né ruim, não.

    O final é a proverbial cereja do bolo. Um bolo bom pacas, aliás, com ritmo e envolto num mistério bastante interessante.

    Respeito que não tenha gostado. Mas eu adorei o filme.

    TODO!

    Abraço,

    Maurício Muniz

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