Crítica: 007 – Quantum of Solace

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James Bond tenta voltar à formula antiga com um diretor que não entende de cenas de ação. Confira a opinião de Maurício Muniz!

James Bond está de volta! E nós gostaríamos de ficar mais empolgados…

Há dois anos, a reinvenção de 007 em Cassino Royale pegou o mundo de surpresa. Daniel Craig encarnava o personagem como um cara durão, pouco refinado e que ia direto ao ponto. Coisa quase impensável para as encarnações interiores, o herói até deixava de lado uma de suas conquistas para partir atrás de um terrorista em ação num aeroporto. Era uma visão diferente do herói e, mesmo não agradando a todos os fãs antigos da série, era inegável que as cenas de ação eram impressionantes e a trama era bastante interessante.

Infelizmente, não dá pra dizer o mesmo do novo filme da série: Quantum of Solace, título que ficou no original mesmo (se nem os norte-americanos sabem direito o que quer dizer Quantum of Solace, aqui nem se deram ao trabalho de tentar traduzir). O filme é uma continuação de Cassino e mostra Bond indo atrás dos homens responsáveis pela morte de sua amada Vesper. Investigando, ele descobre uma organização criminosa chamada Quantum que tem interesses econômicos no mundo todo. O agente secreto entra em conflito com o milionário Mathieu Amalric (Dominic Greene), envolve-se com a vingativa Camille (Olga Kurylenko), descobre que há espiões infiltrados no MI6, reencontra o agente da Cia, Felix Leiter (Jeffrey Wright) e vai para a América Latina impedir que os bandidos roubem as reservas de água.

Até aí, mais ou menos o de sempre nas aventuras do herói. O problema são as seqüências de ação, que deveriam ser o grande chamariz de um filme do espião, e que funcionam muito mal.

O filme já começa com uma perseguição de carros que, apesar de alguns carros detonados ou sendo lançados desfiladeiro abaixo, não tem nada de novo. E é esse o padrão de tudo que vem a seguir. Temos outra perseguição por cima de prédios que tenta recapturar o início de Cassino Royale (e não consegue), e outra perseguição (mais uma) de barcos sem emoção, que parece saída dos filmes dos anos 70 do espião. Alguns corre-corres aqui e ali, uma perseguição (já notou o padrão aqui, certo?) entre um avião de carga e um jato militar que também não mostra a que veio e um final tão sem graça, passado num hotel no meio do deserto, que dá a impressão de que é apenas preparação pro verdadeiro climax… que nunca chega.

O filme tem pontos positivos? Tem! O Bond durão feito por Craig tem seus momentos, envolve-se em uma ou duas lutas corporais interssantes e mete bala sem piedade em alguns inimigos. Mas é pouco no panorama geral. Mais intessante é ver os produtores tentando voltar o personagem à formula antiga, fazer o herói usar mais smoking e fingindo ser um cara refinado. Até uma referência a Goldfinger aparece, quando uma personagem é encontrada morta sobre uma cama, com o corpo coberto em petróleo. E a última seqüência antes dos créditos finais é um aceno aos fãs antigos da série.

Se o diretor Marc Foster fosse alguém mais experiente em cenas de ação, o filme não seria apenas mediano como é. Ele escolheu não usar storyboards nesse filme e se outros diretores consagrados – como Steven Spielberg e James Cameron – acham que é importante usá-los para planejar cenas de ação, algum motivo deve ter. Alguns momentos acontecem tão depressa e em ângulos tão estranhos que não se entende direito o que aconteceu, enquanto outros parecem se arrastar.

Do jeito que saiu, Quantum of Solace acaba sendo apenas um dos filmes mais insossos de toda a série do espião. Mais sorte, pra nós e pros produtores, no próximo.

Nota: 7,0

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6 comentários sobre “Crítica: 007 – Quantum of Solace

  1. Garanto que essas cenas de ação não são piores ou menos criativas que a da trilogia bourne, por exemplo, na qual todos gostam de ficar babando o ovo.

    Batman Begins teve péssimas cenas de ação e lutas, depois o Nolan melhorou em Dark Knight.

    Depois, metem o pau no Michael Bay. O cara é o melhor no que se propoem a fazer, filmes com ótimas sequencias de ação!

  2. Assisti e curti mt, as cenas sem graças que ele diz, para min, são muito legais, deve ser pelo fato de eu ser mais novo e ter visto menos filmes, sei la, talvez assistir filmes desde a pré-história, cause um pouvo de “dejavi” sempre que se ve um novo… 😀

    A indústria cinemat(..) não faz nada diferente, mais para um filme que eu nao estava esperando, esse foi legal.

    Abraços e descupe a brincadeira 😀 nao resisti.

  3. Saudade de Cassino Royale….saudade de Eva Green…o filme merecia um 6,0, pois é morno do ínicio ao fim…é daqueles filmes que a única tensão é esperar que a trama deslanche e que não seja só aquilo.

    Adorei o Daniel Craig no papel e achei uma escolha super acertada, quanto a isso não tenho críticas, mas o roteiro dessa sequência se mostrou confuso e enfadonho. As bond girls são sem sal e nada acrescentam à trama.

    Eu tive um grande trabalho para me manter acordado durante o filme, coisa que nunca aconteceu num filme de 007…a música de abertura também não foi uma boa escolha, no entanto a abertura em si foi muito bem executada.

    Espero que no próximo façam uma trama mais coesa, clara e dinâmica, pois me pareceu um texto escrito por um péssimo candidato ao vestibular que mistura alho com bugalhos e deixa os nervos dos examinadores em frangalhos ao ler algo totalmente sem pé nem cabeça.

  4. De fato, esperava mais, o final não teve aquela sensação de missão cumprida, Craig está ótimo no filme, mas ainda acho que exploraram pouco do personagem, as cenas de ação são condizentes com o que o filme propõe,… mas sei lá, esperava mais um pouquinho.

  5. Sei lá, pelo texto, essa nota 7 me pareceu muito alta.

    Diferentemente do Mauricio, gostei bastante de Quantun Of Solace e achei que Marc Foster fez um bom trabalho se for levado em consideração sua pouca experiência com filmes de ação. O que Michael Apted (também nada familiarizado com ação) fez em 007 O Mundo Não é o Bastante foi muito pior. Aquilo sim nem parece um filme de James Bond!

    Para o bem ou para o mal, a última aventura do espião serve ao menos para consolidar Daniel Craig como um dos melhores intérpretes do personagem em toda a história da franquia, ao lado de Sir Sean Connery.

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