Crítica: Hellboy II – O Exército Dourado

O herói infernal está de volta às telas num espetáculo visualmente impressionante mas que deixa a desejar

Maurício Muniz, de Vevey (Suiça)

Num ano dominado pelas adaptações de quadrinhos no cinema (vamos contar: Homem de Ferro, Hulk, Speed Racer, Procurado e aquele filmeco do Batman), a segunda aventura de Hellboy nas telas era uma das mais aguardadas.

O primeiro Hellboy, dirigido em 2004 por Guillermo del Toro, era uma boa adaptação dos quadrinhos de Mike Mignola. Contando as aventuras de um herói que, apesar do aspecto demoníaco, luta pelas forças do bem, o filme juntava nazistas semi-mortos, monstros, feiticeiros e cadáveres falantes num espetáculo divertido e que valeu a ida ao cinema.

Agora, quatro anos depois, del Toro está de volta com a continuação. Mas esse del Toro é um diretor diferente. Se antes já mostrava um bom apuro visual em seus filmes como Blade 2, Mutação e A Espinha do Diabo, tornou-se um verdadeiro artista da imagem com o merecidamente elogiado O Labirinto do Fauno. E a estética de Labirinto parece ter se impregnado nesta nova aventura, tanto na história (da dupla del Toro e Mignola) quanto no estilo. Isso, por um lado, é ótimo, transformando o filme num colírio para os olhos. Mas por outro acaba conflitando com a proposta de diversão do filme.

Hellboy II começa em um flashback onde o Professor Brutenholm (John Hurt numa curtíssima participação), conta a seu adotado filho demoníaco a história da guerra que foi travada entre os homens e as fadas há muito tempo e que terminou quando o lado místico usou um poderoso exército de 4900 soldados gigantes dourados (70 vezes 70 soldados) e venceu os humanos. A partir daí, uma trégua foi acordada: os homens viveriam nas cidades e as fadas nas florestas. Essa sequência da história, contada em forma de animação estilizada, é o momento mais bonito do filme e mostra que del Toro é um sujeito de visão e que sabe como impressionar. O problema é que ela ajuda a criar uma expectativa para a história que nunca chega a ser alcançada.

A trama principal mostra Nuada (Luke Goss), o príncipe das fadas, rebelando-se contra seu pai e iniciando uma guerra contra os humanos que, ele acredita, estão destruindo a Terra (o príncipe deve ter assistido a Uma Verdade Inconveniente). Para vencer a guerra, ele precisa encontrar as três partes da coroa que lhe dará domínio sobre o adormecido exército dourado. O início tem um bom ritmo, com um ataque surpresa a uma galeria de arte e uma boa piada com as “fadas dos dentes”. Mas, depois de um ótimo confronto entre Hellboy (Ron Perlman), a pirotécnica Liz Sherman (Selma Blair), o ser marinho Abe Sapien (Doug Jones) e algumas centenas de ferozes bichinhos, o filme começa a se perder.

Há uma tentativa de aprofundamento dos personagens que é bem vinda e interessante. O relacionamento de Liz e Hellboy não vai muito bem enquanto Abe se apaixona por Nuala (Anna Walton), princesa das fadas, e descobre um mundo novo regado a Barry Manilow. Nada muito profundo, mas tudo bem, porque não é isso que a maioria espera de um filme de verão.  A chegada de um novo personagem para ajudar o grupo, na figura do ectoplásmico Johann Krauss (voz de Seth MacFarlane, criador de Uma Família da Pesada), cria situações divertidas, mas às vezes escorregam para o pastelão desnecessário. Há algumas seqüências de lutas (Hellboy enfrenta um capanga do príncipe, depois um monstro gigante), mas quase sem nenhuma emoção. Elas só parecem estar lá pra cumprir a norma que diz que filme de verão tem que ter pancadaria aqui e ali. As coisas melhoram no final, com a luta dos heróis contra o exército do título – onde Krauss mostra a que veio – e o duelo entre Hellboy e o príncipe. É o momento mais emocionante do filme, sim, mas é apresentado apenas de maneira eficiente. Nada que faça ficar na beira da poltrona.

O grande problema de Hellboy II parece ser que del Toro ainda estava com O Labirinto do Fauno na cabeça enquanto escrevia o roteiro. Ele parece mais interessado em criar os cenários e seres fantásticos do mundo das fadas – que o orçamento polpudo da Universal lhe permitia – do que estruturar a trama do filme. Talvez seja o filme mais bonito do ano até agora, mas falta aquela sensação de aventura e empolgação que o mundo fantástico de Hellboy deveria proporcionar. Vale a pena ser visto, com certeza. Mas não espere vibrar com ele.

Muita gente disse que o primeiro filme do personagem era mais divertido do que os quadrinhos. Dificilmente vão dizer o mesmo do segundo.

O MELHOR: O Anjo da Morte, feito também por Doug Jones, que prevê um futuro terrível para Hellboy no terceiro filme (que, tomara, saia e redima este que, inclusive, foi mal nas bilheterias)

O PIOR: Toneladas de cocô de fada. Eca!

NOTA: 8,0

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14 comentários sobre “Crítica: Hellboy II – O Exército Dourado

  1. Gostei bastante do filme. Claro que ainda está longe de vermos realmente o personagem como é nos quadrinhos, mas é um filme muito divertido e com um puta visual fantástico.
    Minha nota pro filme seria 9. 😉

  2. Ale: Valer a ida, vale mesmo. Só acho que não vai empolgar ninguém.

    Gustavo: O visual é fantástico, a história e os quebra-paus nem tanto. E você é facinho mesmo, sabia que ia dar 9! 8)

    Quero ver a nota do Benê!

  3. O filme é bonitão e as lutas são muito boas, os momentos de humor são hilários e os personagens são carismáticos. Não é o filme do ano, mas é obrigação assistir no cinema, Del Toro criou uns bichos realmente originais. E a direção de arte é coisa fina.
    Um filme muito bom, melhor que o primeiro.

  4. Diretor de MAX PAYNE (da FOX) apela e xinga a MPAA
    .
    Max Payne pega censura alta nos EUA e diretor diz que isso arruinará o filme

    John Moore já deve estar pensando nos cortes que a Fox mandará ele fazer

    08/09/2008 – Érico Borgo

    A adaptação para o cinema do game Max Payne acaba de receber classificação etária “R” (“RESTRICTED”, ou + de 17 anos) nos Estados Unidos pela MPAA (Motion Picture Association of America). A restrição impede que menores de 17 anos assistam ao filme se não estiverem acompanhados dos pais ou guardiões legais.

    John Moore, diretor do filme, ficou furioso com a decisão. Ao site Das Gamer ele disse que Max Payne deveria ser PG-13 (proibido para menores de 13 anos) e que a decisão arruinará financeiramente seu filme.

    O diretor aproveitou para criticar duramente a MPAA, dizendo que se Batman – O Cavaleiro das Trevas conseguiu censura 13 anos, seu filme também deveria ter conseguido. “A MPAA deu censura 13 anos ao Batman e basicamente PAGOU UM BOQUETE para a Warner Bros”, ofendeu todo mundo.

    Parece difícil que a Fox, um dos estúdios mais agressivamente comerciais de Hollywood, deixe passar essa. Moore deve estar mais nervoso pois terá que reeditar seu filme, eliminando cenas para obter o desejado PG-13. De qualquer maneira, é a velha mania dos executivos de pegar um material adulto – no caso, o violento game – e transformar em produto para adolescentes.

    Max Payne estréia em 17 de outubro nos EUA e em 31 de outubro no Brasil.

    Fonte: http://www.omelete.com.br/cine/100014968/Max_Payne.aspx

    CHUPA mais essa FOX!!

    Ainda não cansaram, MARVECOS??

    CHUPA MAIS ESSA VCS TB.

    Ha HA hA ha Ha HA hA ha Ha HA hA ha…

  5. Sou fã do personagem e achei o filme coisa fina. É um filme que vale a pena ver. Se vai ter continuação, ai são outros 500…

    Abs!

  6. muito ruim esse filme…. o efeitos são bons e talz, mas HELLBOY É UM DEMONIO PORRA, pegas as fadinhas e enfia no deixa pra la neh. mas eh muito nada a ver com os quadrinhos, simplesmente não é hellboy!

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