Crítica: O Nevoeiro

O Justiceiro defende o filho do Comissário Gordon em um dos melhores filmes de terror dos últimos anos

Maurício Muniz, de Vevey (Suiça)

Não é todo mundo que acerta ao adaptar uma obra de Stephen King para as telas, mas o diretor e roteirista Frank Darabont conseguiu sair-se bem nas três vezes em que tentou. Primeiro, no ótimo Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994), um drama de prisão sem elementos sobrenaturais. Depois no excelente À Espera de um Milagre (The Green Mile, 1999), outro drama de prisão, desta vez com um pé no sobrenatural. E agora com O Nevoeiro (The Mist, 2007), um filme onde o sobrenatural predomina e que, de certa forma, não deixa de ser passado numa espécie de prisão.

David Drayton (Thomas Jane, de O Justiceiro, aqui muito mais macho do que foi no filme da Marvel) é um ilustrador que mora numa casa à beira do lago com a mulher e o filho Billy (Natham Gamble, o filho do Comissário Gordon em O Cavaleiro das Trevas). Criando capas de livros e cartazes de filmes para Hollywood, ele leva uma vida aparentemente confortável até que, numa noite, uma forte tempestade derruba uma árvore sobre sua casa. Sem dar maior importância ao estranho nevoeiro que está se espalhando pelo lago, Drayton vai com o filho e o vizinho chato, Brent (o sempre bom Andre Braugher, de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado) até o supermercado da cidade atrás de suprimentos. Mas o que seria um passeio comum transforma-se no mais profundo terror quando o bizarro nevoeiro chega à cidade e logo descobre-se que há algo de estranho nele. Seres monstruosos e com uma predileção por carne humana estão ocultos ali e a única coisa a fazer é trancar-se dentro do mercado e tentar sobreviver até a ajuda chegar. Mas será que ela vai chegar?

Darabont divide o filme entre mostrar os ataques dos monstros e aprofundar-se sobre os refugiados do mercado. Uma das que mais se destaca no grupo é a senhora Carmody (Marcia Gay Harden, de Sobre Meninos e Lobos), uma assustadora fanática religiosa que pouco a pouco começa a criar um séquito com os desesperados presentes. Não demora muito para que logo haja dois grupos distintos dentro do mercado, um liderado por Carmody e o outro, do qual fazem parte a professora Amanda (Laurie Holden, de O Quarteto Fantástico) e o caixa Ollie (Toby Jones, a voz do elfo Dobby no segundo Harry Potter) mais ou menos liderado por Drayton, que só quer manter o filho em segurança e voltar para casa assim que possível.

Os monstros que cercam o mercado são assustadores e seus eventuais ataques são carregados de suspense e efeitos especiais tão competentes que é impossível não encolher-se na cadeira quando acontecem. E o diretor consegue um efeito ainda mais aterrorizante quando apenas sugere alguns dos seres que habitam o nevoeiro, deixando o trabalho de moldá-los para a nossa imaginação. Mas não é o clima apocalíptico e a tensão constante, apenas, que fazem de O Nevoeiro um grande filme. O diferencial do roteiro é mostrar como os seres humanos, quando lançados numa situação de desespero e terror, podem ser os piores e mais estúpidos monstros. Seja pelos desvarios de Carmody e seus seguidores; a mania de perseguição de Brent ou a ignorância orgulhosa e perigosa do matuto Jim (o ótimo William Sadler, que esteve nos outros filmes de Darabont baseados em King), o roteiro mostra que o bicho-homem tem a propensão a tomar as decisões mais erradas e fazer o pior possível quando está contra a parede. E se o filme já é bom por todos esses elementos, o que faz dele inesquecível é o final surpreendente e tão corajoso que vai deixar você de boca aberta. Final esse que Darabont impôs ao estúdio de forma contratual, uma vez que era o dono dos direitos de adaptação. Sujeito esperto.

O Nevoeiro demorou quase um ano a chegar ao Brasil, provavelmente porque foi mal nas bilheterias americanas. Talvez o público médio de lá não estivesse preparado para as quebras de padrão e toda a seriedade do filme e, sinceramente, o azar é deles. Mas pode ser que o filme não fique muito tempo em cartaz por aqui também, então garanta-se e vá logo ao cinema.

Nosso último conselho para fazer você ver o filme? Ok, lá vai: O Nevoeiro não tem nada a ver com Batman: O Cavaleiro das Trevas, pelo menos no que se refere a seus temas. Mas, se você gostou da última aventura do Homem-Morcego no cinema, com todas as suas discussões sobre o bem e o mal e a natureza da alma humana, as chances são grandes de que você vai gostar de O Nevoeiro.

Bons sustos.

O Melhor: O final.

O Pior: O final.

Nota: 9,0

Trailer:

13 comentários sobre “Crítica: O Nevoeiro

  1. Se tiver uma adaptação do Dark Tower espero que seja ele (Frank Darabont) que faça a direção e o roteiro do filme, esse que é um diretor foda. M. Night Shyamalan deveria ter umas aulas de “como fazer o meio e o final de filmes” com ele, porque o Night só devia fazer o começo dos filmes e deixar o resto para outra(s) pessoa(s), ou melhor outro diretor. A Vila e Fim dos Tempos são bons exemplos da incapacidade de Shyamalan de fazer um filme com começo, meio e fim interessante, fazendo apenas o começo deles bem.

  2. Os três que ele se baseou no King. Ele fez pouco ou nada mais, até onde me lembro.

    E, com o sucesso de Senhor dos Anéis e outras sagas místicas no cinema, não sei como alguém ainda não lembrou da Torre Negra do King pra adaptar.

  3. Muleque, esse filme é doido! To arrepiado até agora, Ehehaheahue, que isso! Vale a pena assistir ele, mas isso pode quebrar alguns paradigmas dos seus paradigmas.

  4. Na verdade, Venisto, JJ Abrams anunciou que faria o Dark Tower, e além disso no começo do filme The Mist há uma ilustração feita pelo David que é exatamente o Roland de Dark Tower com uma rosa do lado e uma Torre Negra atás, assisti o filme na sexta-feira d+, o melhor filme de terror que já vi, Nota: 10,5

  5. Achei o filme muito bom, entretanto, no final é preciso estar preparado para quebrar paradigmas. Eu não consegui. Mas recomendo, pois, foi uma das melhores adaptações de King que eu já vi no cinema, mesmo que o final seja diferente do livro.

  6. existe uma adaptaçao (dos anos 80, se nao me engano) da zona morta, que alias, nao è pessima.
    a proposito do nevoeiro, gostei do filme, sò que nao entendi porque no final, a senhora que saiu do supermercado no inicio do filme, reaparece, e ainda mais com os dois filhos pequenos, quando todos os que iam muito longe dentro do nevoeiro (PRINCIPALMENTE SOZINHOS), foram pegos pelas criaturas…
    e mais, ja que quando os protagonistas finalmente saem do supermercado, vem em todos os lugares inumeras pessoas “mumificadas”, como se explica que duas crianças pequenas, sozinhas, sem a menor ideia do que esta acontecendo la fora, e portando preda facil, consigam ter sobrevivido às referidas criaturas atè que a mae chegasse em casa?

  7. Esse eh um dos piores filmes q eu vi em toda minha vida.
    Dialogos idiotas, personagens bestas, e um final sem pé nem cabeça, totalmente non sense. Efeitos especiais horrorosos
    enfim, o filme eh uma bosta, nao baixem, nao assistam
    esperem sair na tela quente

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