Crítica: O Reino Proibido

Filme que une Jackie Chan e Jet Li chega aos cinemas brasileiros. Mas é mesmo a decepção que andaram falando por aí?

Maurício Muniz, de Londres

Quando foi anunciado que o filme O Reino Proibido (The Forbidden Kingdom, 2008 ) traria o primeiro encontro nas telas de Jackie Chan e Jet Li, os dois maiores astros dos filmes de artes marciais da atualidade, as esperanças de todos os fãs de cinema foram à estratosfera. Porém, quando os próprios atores começaram a dizer que não gostaram do resultado final e a crítica mundial andou descendo o pau no filme, todas aquelas esperanças pareceram ter ido pelo ralo.

Mas, pra ser sincero, a coisa não é tão ruim quanto parece. O filme é um conto de fantasia sobre o garoto Jason (o apático Michael Angarano, de Super-Escola de Heróis) que é fã de filmes de artes marciais e faz amizade com o velho dono de uma loja de quincalharias orientais (Jackie Chan, sob pesada maquiagem que não funciona tão bem). Quando é obrigado a ajudar no roubo da loja do velho por uma gangue local, Jason acaba sofrendo um acidente e é lançado à China antiga, onde encontra o lutador bêbado Lu Yan (Chan, de novo) e se junta a ele, a uma monje não tão silencioso (Jet Li) e à jovem Pardal Dourado (Yifei Liu) para enfrentar o Lorde de Jade (Collin Chou, de Matrix Revolutions e DOA) e seus asseclas para reaver o cajado mágico do Rei Macaco (Li, de novo). Apenas recuperando o cajado e libertando o Rei Macaco, Jason poderá voltar pra casa.

Não tenha dúvidas de que o filme do diretor Rob Minkoff (O Rei Leão e A Mansão Mal-Assombrada) é feito para o público infanto-juvenil ocidental… ou a idéia que os estúdios fazem desses jovens, achando que o que eles querem são roteiros e personagens simplistas (todos aqui), piadas estúpidas (num momento, Li urina em Chan), lições de moral (apenas enfrentando nossas limitações podemos melhorar) e finais floridos (não, esse não vamos comentar). Então, o que sobra aqui que valha a pena gastar seu dinheiro suado pra assistir?

A resposta é óbvia: Jackie Chan e Jet Li. As cenas de lutas protagonizadas pela dupla, juntos ou separados, são todas interessantes e bem feitas. O coreógrafo das cenas de ação é o conhecido Yuen Woo-Ping, que trabalhou em Matrix, Kill Bill e O Tigre e o Dragão. Todos esses filmes tinham lutas melhores do que as de O Reino Proibido, mas eram dirigidos a um público mais velho que queria ver cenas violentas (na verdade, a molecada também quer ver violência, mas essa é uma discussão pra outra hora). E mesmo com as limitações do público-alvo, as lutas de O Reino ainda conseguem impressionar, se não pela originalidade, ao menos pela competência.

Irrita um pouco a opção de Minkoff em colocar uma intrusiva câmera lenta em alguns momentos das lutas, como se quisesse certificar-se de que seu público-mirim vai entender como foram dados todos os golpes. Mas nem isso consegue tirar a graça de ver Jackie Chan reviver seu estilo de luta bêbado ou a técnica de luta sem rodeios e direto ao ponto de Li. O ponto alto do filme é mesmo a luta entre os dois astros, feita com o velho sistema de cabos conhecido como “wire fu”  e que aqui funciona muito bem. É uma luta equilibrada – como o é o resto do filme em relação aos astros, que dá dois papéis a cada um deles, um com maquiagem, outro sem, e praticamente o mesmo tempo na tela – e diverte o tempo todo. E é mais do que poderíamos esperar após a malhação que o filme sofreu por aí.

O final, por outro lado, é aquilo de sempre, com o heróizinho mostrando que aprendeu as lições – físicas e mentais – que lhe ensinaram ao longo da jornada. Karate Kid ficaria orgulhoso.

O Reino Proibido não é genial, mas se você desligar metade do cérebro, dá pra se divertir um tanto. Arrume um sobrinho pra ter a desculpa de levá-lo ao cinema e aproveite o filme. Pode ter certeza: você já viu coisa muito pior por aí.

O Melhor: Jackie Chan, um dos caras mais carismáticos que já cruzou a frente de uma câmera. Se você não gosta de Chan, sinceramente, encontre um buraco bem fundo e jogue-se lá dentro.

O pior: O finalzinho baba de ovo. Mas vá lá, não tinha mesmo como acabar de outro jeito.

Nota: 7,0

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8 comentários sobre “Crítica: O Reino Proibido

  1. Ja assisti a esse filme e gostei… simples mas competente… bem melhor q muitos filmes que foram lancados de uns tempos para ca…

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