Crítica: Fim dos Tempos

M. Night Shyamalan, diretor de O Sexto Sentido e A Dama da Água está de volta com Fim dos Tempos, um drama de tons apocalípticos sobre um misterioso evento que afeta a humanidade com resultados fatais.

Mas será que o diretor conseguiu recapturar o sucesso de seus filmes iniciais ou vai apenas repetir o fracasso de público e crítica de seus últimos projetos?

Confira a opinião de Maurício Muniz e Eliane Gallucci!

FIM DOS TEMPOS

Maurício Muniz e Eliane Gallucci, de Vevey

O cineasta M. Night Shyamalan ficou famoso em 1999, quando seu primeiro filme de destaque, O Sexto Sentido, tornou-se um sucesso entre a crítica e, mais importante em Hollywood, entre o publico, arrecadando mais de 670 milhões nas bilheterias do mundo todo.

Desde então, o diretor teve alguns outros filmes que agradaram mais ao público que a crítica (Sinais), outro que não foi grande sucesso mas tornou-se quase um cult (Corpo Fechado) e dois filmes em seqüência que não foram bem junto à crítica ou ao público (A Vila e A Dama da Água).

Agora, Shyamalan volta às telas e à tentativa de conseguir um novo sucesso com Fim dos Tempos (The Happening), uma história que brinca com o Apocalipse e tenta ser original e surpreendente… mas não passa de uma seqüência de cenas óbvias e incoesas.

O filme começa em Nova York, uma das cidades mais populosas do mundo. No Central Park, uma mulher aparentemente confusa resolve se matar com um enfeite de cabelo. Num prédio em construção, os operários começam a pular para a morte, um atrás do outro. Um guarda, em meio ao trânsito carregado, puxa um revólver e estoura os miolos.

Logo é identificado que o motivo dos suicídios se deve a uma toxina que atua sobre o sistema neurológico causando paralisia, confusão mental e bloqueio do instinto de auto-preservação. As autoridades norte-americanas suspeitam de um ataque terrorista e a preocupação aumenta a medida que esses acontecimentos estranhos se multiplicam e as notícias sobre os mesmos se espalham.

Em meio a esses acontecimentos terríveis, o professor de ciências Elliot Moore (Mark Whalberg) e seu amigo Julian (John Leguizamo) resolvem levar as famílias para a casa da sogra deste último, num local afastado que imaginam ser mais seguro do que qualquer centro populacional. Porém, conforme viajam, cada vez fica mais claro que os acontecimentos não poderiam ser fruto de um ataque terrorista e que algo inexplicável – e muito maior – pode estar acontecendo.

Não demora muito para o espectador descobrir o que realmente está acontecendo, ainda mais quando os heróis encontram um personagem que transmite informações aparentemente aleatórias mas que levarão o professor Elliot – e o espectador – a matar a charada. Mais importante para a trama, é o que os protagonistas farão para escapar do mesmo destino terrível de tantos outros ao longo do filme.

Em tempos onde a questão ambiental está na mente de todos, Shyamalan entra na onda, mostrando sua visão sobre o assunto com aquele toque de Além da Imaginação que lhe é peculiar. O problema é que o roteiro carece de uma linha narrativa coerente e interessante. O filme é uma longa seqüência de cenas mal estruturadas e de pouco apelo emocional. Os personagens não carismáticos o bastante para que nos preocupemos com eles. Tudo isso, aliado à falta de surpresas reais no roteiro e a atuação pouco inspirada dos atores, deixa o resultado final um tanto cansativo.

Tanto o diretor quanto o roteirista Shyamalan já foram melhores, mas não em seus trabalhos mais recentes, o que leva a pensar se seu talento para contar histórias já acabou. Fim dos Tempos pode ser visto se o fã de cinema mantiver a expectativa baixa. E controlar a própria vontade de se matar ao final da projeção.

O Melhor: O conceito da trama (infelizmente, muito mal explorado).

O Pior: A velha louca no final do filme: chata, desnecessária, sem sentido e sem justificativa para a trama.

Nota: 2,0

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12 comentários sobre “Crítica: Fim dos Tempos

  1. Oi Lola! Como vc está? Obrigada por ler (e comentar) a minha crítica! Em minha defesa, tenho que dizer que eu vi o filme e o mau não. Só que o Mau é escritor/jornalista e eu não. Então eu pedi a ajuda dele pra escrever o texto só que ele não sabia da história, então já viu, né? Juro que tentei colocar algum humor no texto… o Mau até deu umas sugestões, mas eu achei o filme tão ruim, que não estava mesmo muito bem humorda quando escrevi a crítica. Quanto a contar muito da trama, eu não acho que tenha contado mais do que o próprio trailler já conta… Mas eu estou só começado… Quem sabe, um dia, eu chego a escrever textos longos e elaborados como os seus, né? Sei que eu tenho muita estrada pela frente até chegar lá, e é sempre bom ter alguém que possa nos orientar na caminhada! Valeu, querida! Beijão.

  2. Oi, Eli! Que bom que vc não se sentiu tão ofendida pela minha sugestão como um dos leitores. Bom, vc deve saber que eu vivo pedindo pro Mau-mau trazer o humor que ele tem em pessoa pro que ele escreve. Porque pessoalmente o Mau-mau é um palhaço, né? (talvez com a mulher ele seja mais sério de vez em quando?). E eu gostaria de ver essa graça toda nos textos. Mas é só minha opinião. Como eu tento escrever com humor, tendo a gostar de críticas (e textos em geral) divertidos. Acho que dá pra falar muita coisa séria de um modo engraçado. Mas não quer dizer que críticas sérias sejam ruins, claro. É só que, por conhecer o Mau, eu espero que a personalidade dele se manifeste na escrita. E a personalidade dele é uma das mais engraçadas que eu conheço.
    Quanto a você contar muito da trama, bom, eu que gosto de saber o mínimo possível sobre um filme antes de vê-lo. Mas uma leitora no meu blog mostrou que eu sou uma anta mesmo. Eu não entendi os trailers (e olha que eu tinha até criticado esses bichos, aqui: http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2008/05/cri-crtica-de-trailer-fim-dos-tempos.html )! Quer dizer, eu entendi de um jeito bem diferente. Eu achei que o trailer não explicava NADA, não indicava que as pessoas iam se matar, e que aqueles hominhos que pulavam do prédio eram alienígenas ou agentes combatendo a ameaça ou sei lá o quê. Agora que sei que TODO MUNDO que viu o trailer achou que eram pessoas cometendo suicídio… Então vc não revelou nada da trama mesmo.
    Espero que vc, o Mau e a Kira estejam adorando a Suíça. Guarda uns chocolates da Nestlé pra mim. Abração!
    http://www.escrevalolaescreva.blogspot.com

  3. Uma boa merda.

    Madita febre pós-colonialista que assolou o Ocidente permitindo que esses moralistas e fundamentalistas de pele parda e cheirando a incenso ganhassem nossas vidas.

    O filme é uma aula de moralismo. Ora, porque as pessoas se matariam senão por uma vingança da natureza? Reificada como presença da divindade desde Sto. Agostinho e tida como lugar de puerilidade intocada e virgem do humano em Rosseau, é ela a mãe Gaia que vem reverter as imposições da ‘cultura’ e da lei do humano, esse degenerado do novo milênio.

    Enfim, uma baboseira patética. A contraposição final do casal bonzinho, os heróis protagonistas do filme tendo um bebê, frente ao casal gay castigado pela natureza rebelde é no mínimo fascista.

    Fascismo indiano. Enfim, gases, poluentes, agrotóxicos, silicones, provetas, gays e células tronco, e a fúria da natureza contra a subversão do simbólico universal constituído numa ancestralidade natural! Que medo! Lembra as coisas que li de Tylor à Freud, passando por Montaigne, Lévi-Strauss e Dalai Lama.

    Odiei o filme.

  4. Assisti ontem no cinema, o filme virou comédia, alguém viu o microfone e comentou alto para que todos pudessem reparar, apartir dai, o microfone apareceu quase o filme inteiro e a cada aparição gargalhadas do público eram ouvidas, diante de um filme proposto como de Suspense este parecia uma piada de mau gosto com o público…

  5. “Madita febre pós-colonialista que assolou o Ocidente permitindo que esses moralistas e fundamentalistas de pele parda e cheirando a incenso ganhassem nossas vidas”.
    Isso é bastante racista , o filme é ruim mas fazer crítica tomando com parâmetro a etnia do diretor é pior ainda!

  6. Acabei de voltar do cinema. HORRIVEL! O que mais me impressionou foi as atuações, péssimas! Até minha turma do ginásio seria mais “atuante”. Pelo amor de Deus, não faça como eu. Fique em casa.

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