O maior detetive da Era Vitoriana está de volta em uma aventura que perde um pouco da originalidade de seu filme anterior, mas continua muito divertida
Maurício Muniz
Há dois anos, o filme Sherlock Holmes, de Guy Ritchie, apresentou uma versão um tanto atualizada do famoso detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.). Agora, Holmes era um hábil lutador, primava pelo extremo sarcamo e por um relação algo ciumenta e violenta com seu eterno companheiro de aventuras, o Dr. Watson (Jude Law). Alguns criticaram essa versão, sem se dar conta de que era uma das mais fieis ao personagem de Arthur Conan Doyle. Sim, essas características citadas acima não estavam nas histórias de Conan Doyle (ao menos de maneira tão escrachada), mas o filme de Ritchie mantinha muito do espírito dos contos originais, o tipo de raciocínio lógico de Holmes e ainda trazia inúmeras referências ao mundo do detetive. Foi um sucesso que rendeu mais de 500 milhões de dólares ao redor do mundo e fez a Warner apressar esta continuação.
A princípio, parece que essa decisão do estúdio foi um erro. O filme demora a engrenar. Sim, todos os elementos conhecidos estão lá: as lutas que Holmes praticamente vence antes mesmo de começarem, as tiradas entre ele e Watson e até seu relacionamento romântico e perigoso com a aventureira Irene Adler (Rachel McAdams). Mas tudo parece meio frouxo, quase paródias do que agradou tanto no primeiro filme. Nada muito divertido ou digno de nota. Mais do mesmo, mas sem o charme e a graça que já vimos.
Mas nada tema! As coisas começam a esquentar após a primeira meia-hora, quando Holmes defronta-se com o mistério por trás dos planos daquele que se provará seu maior inimigo, o Professor James Moriarty (Jared Harris), um gênio do crime que domina grande parte do submundo londrino. Embora Harris não seja uma figura tão ameaçadora quanto se esperaria, ao menos o roteiro dá conta de deixar os esquemas do vilão muito interessantes – e vale a pena descobri-los ao lado de Holmes, por isso não vamos contar nada aqui. Ajudam também as presenças divertidas de Mycroft Holmes (Stephen Fry, sempre muito talentoso), o excêntrico irmão do herói, que trabalha para o governo britânico; e de Mary Morstan (Kelly Reilly), a paciente e inteligente noiva de Watson, que acaba participando da ação mais do que gostaria. Na verdade, a partir do momento em que Holmes salva (mesmo!) o pobre Watson de sua lua-de-mel, para envolvê-lo na investigação, o filme dá um salto qualitativo, torna-se muito mais divertido e quase não para mais até o fim.
O mérito das ótimas cenas de ação é da estilização usada por Ritchie nesses momentos, sua marca registrada. Uma sequência em que Holmes, Watson e um grupo de ciganos fogem no meio a uma floresta de um ataque do maior assecla de Moriarty – o Coronel Moran, saído diretamente das histórias de Doyle -, é de tirar o fôlego. Não é sempre que efeitos de câmera lenta ou até de imagens paradas funcionam tão bem quanto aqui, tirando o máximo possível de seus efeitos. A sequência é genial e quase vale o filme por si só.
As coisas acontecem num crescendo a partir daí. A dupla de heróis e sua nova aliada, Simza Heron (Noomi Rapace), sofrerão muito e enfrentarão a morte várias vezes até o final, passado na Suiça, próximos às cataratas de Reichenbach. Para os fãs literários de Holmes, fica claro o que vai acontecer nesse cenário. Porém, a forma como tudo tem lugar é extraordinária, curvando-se tanto à tradição do personagem quanto ao estilo desse novo Sherlock de Downey Jr.
Se o jogo continuará nos cinemas, ainda é um enigma para o qual nem Holmes ainda tem a resposta, mas vamos torcer para que este não tenha sido o Problema Final desta encarnação tão bacana do personagem.
Cotação Antigravidade:

“Alguns criticaram essa versão, sem se dar conta de que era uma das mais fieis ao personagem”
O que vou dizer não é nem questão de opinião mas pra quem leu e conhece consideravelmente o cânone sabe que o filme passa muito longe do que representa o personagem por mais que o RDJr. adore falar que o filme é super fiel a obra e todo aquele blá, blá, blá marketeiro.
No que essa versão leva de espirito do personagem que ele roubou o nome?
Deduções fracas (é Hollywood, afinal), um Sherlock caricato e que nada lembra o célebre detetive dos livros e coadjuvantes forçados (você consegue imaginar esse Watson turrão com uma “idolatria” pelo Holmes a ponto de escrever sobre suas façanhas?).
Antes eu achava que esse filme só tinha essa cara de videoclipe pra atrair o público leigo, que detesta leitura, que não suporta cenas paradas, que somente consome enlatados… mas tenho esperança ao ver a serie como a da BBC que retrata um Sherlock quase perfeito e com respeito que o personagem merece…e tudo isso sem perder esse público “ignorante” fazendo de maneira atraente.
O filme pode não ser ruim, mas por favor, sequer lembra Sherlock Holmes.
Abs
Caro Augusto,
A versão da BBC é mais fiel e, em alguns momentos beira a genialidade? É até melhor do que essa do Ritchie? Sim, é.
Agora, nunca achei que nossos personagens – mesmos os favoritos, como Sherlock – está lá pra ser respeitado e intocável. A versão do cinema atualiza o espírito tomando algumas liberdades… mas o respeito ao canone está lá, as referências estão lá, o espírito está lá.
Sherlock Holmes saiu na porrada em algumas histórias? Poucas, mais saiu.
Era irônico com o Watson e até o tratava mal às vezes? Não tanto quanto nos filmes, mas fazia isso, sim.
É uma versão divertida, rica, agitada e – a seu modo – bem fiel, sim.
Mas cada um tem direito a sua opinião!
Abraços,
Maurício
Olá Equipe,
Modificações as vezes são necessárias..a versão da BBC prova que pode ser divertido… mas insisto que por mais que o filme se esforce em colocar elementos do cânone no filme, não passarão de referências jogadas, ao invés de pegar o “espirito” dos personagens.
O personagem poderia ser uma mulher e ainda assim ter o espirito do Holmes.
É a mesma coisa que eu dizer a Mulher Gato da Hale Berry (ugh!) tem o espirito da personagem original dos quadrinhos por simplesmente jogar um ou outro elemento pra fazer referências aos fanboys de comics.
O fato é que não são os mesmo personagens, podem ter o mesmo nome mas como eu disse, quem conhece toda a obra sabe que aquilo não tem o espirito da obra…. exemplificando de maneira bem simples:
Sherlock do Conan Doyle = Primor pela sagacidade na dedução, inteligência, genialidade, voltado ao público literário.
Sherloque do Ritchie = Primor pela ação descerebrada, ritmo de videoclipe, voltado ao público de Transformers.
Abraço
o que importa é que o guy ritchie é foda e o filme é bom
Como ainda não vi o filme, não vou falar nada sobre ele. Mas gostei do primeiro filme, e sou um fã dos livros do Conan Doyle.
Acho que o pessoal do Antigravidade podia escrever uma crítica sobre o Sherlock da BBC; realmente uma série brilhante.
Assisti o 1º episódio e não pude deixar de ficar comparando mentalmente com a obra que o originou. Mas sem dar spoilers, Moffat consegue ser genial nos últimos minutos, dando um momento “Doctor Who” e criando um final que eu achei superior ao original.
O Augusto tem que abrir mais a mente,encarar possibilidades e sair do mesmo,tem que largar esse pragmatismo barato e ver que uma atualização ao personagem de Sherlok Holmes era,e é,uma coisa essencial nos dias de hoje,pois ao decorrer de todas as ultimas décadas,uma atualização é sempre feita e muito bem vinda em personagens no cinema mundial.Assim é revelado um progresso,a mudança e o contemporaneamente de histórias antigas e inteligentes. Desta forma,o resultado é mostrado a nós,de uma jeito tão familiar quanto o ontem,e ao mesmo tempo tão inédito quanto o amanha.
Assisti e gostei do filme. É mais fraco que o primeiro mas, ainda é diversão garantida. Quanto a ser fiel, a ter o espirito dos livros, etc. é bem relativo. Transpor de outras midias para o cinema, como todos sabem, precisam ser adaptadas. Muitos criticam filmes como Sin City, 300 de Esparta, por parecerem quadrinhos demais(?). Mas, afinal, não é de lá que saíram? Ou que Wolverine, Liga Extraordinaria tiveram que ser modificados para se adaptar ao publico infanto juvenil, apesar de não concordar com esse argumento. Enfim, é questão de puro gosto. Afinal, tem gente que gosta de Independence Day, Avatar, Transformers, Homem-Aranha do Raimi…
Gerson não acho que o Augusto tenha mente fechada e nem que seja contrário a que se dê um ar de modernidade a velhos personagens, tendo em vista que ele assiste ao seriado da BBC, que deu uma modernizada no personagem, sem contudo deturpar a essência da obra, como neste filme. Embora sob um prisma moderno, fiel à obra de Doyle é o Sherlock interpretado por Benedit Cumberbatch na série da BBC e não esse caricato interpretado por Robert D. Jr num filme que deturpou sim a essência ou o espírito da obra de Doyle, pq adaptou a obra moldando-a ao estilo blockbuster de Hollywood: enredo como secundário e efeitos e cenas de ação exageradas e no geral sem contexto só p/ garantir bilheteria.
E muito divertida, que fique bem claro.
Na verdade, ninguém é obrigado a gostar Sherlock do Downey Jr., certo? Ou mesmo assistir os filmes. Ou alguém aí faz questão de ver só pra poder falar mal?
O SHERLOCK da BBC é genial, melhor do que o do cinema, nem se discute. O que não quer dizer que a homenagem/versão/atualização dos filmes do Guy Ritchie não seja divertida e muito, muito divertida.
E quem aí me cita, por favor, 5 versões cinematográficas de Holmes que seja mais fiel do que a dos filmes do Ritchie. Por favor, quero 5 versões onde o Watson não é um velho, onde o Sherlock não use aquele gorro e capa xadrez, onde ele não diga “Elementar, meu Caro Watson” e onde ele parecesse um verdadeiro desajustado viciado em substâncias estranhas?
Fico aguardando!
Abraços,
Maurício
Se o pessoal não gosta do 1º filme,por que vão assistir o 2º?Eles assistem só para ficar criticando,a serie da BBC é fiel,mas não funcionaria na tela grande,funciona pois é algo para a tv,seria a mesma coisa que fazer um filme de 2 horas do seriado Smallville,duvido que algum fão da serie iria gostar.Enfim,não acredito que alguém consiga cumprir o desafio do senhor Maurio Muniz,e a pessoa que acha que o filme do Guy Ritchie é uma deturpação,é uma pessoa que não tem a mente aberta,é uma pessoa que ainda vive no seculo xx.